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Anvisa atualiza manual nacional de higiene das mãos após mais de 15 anos

Anvisa atualiza manual nacional de higiene das mãos após mais de 15 anos
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Nova edição revisa evidências, detalha fatores que impactam a adesão dos profissionais e reforça a higiene das mãos como uma das principais estratégias para prevenção de IRAS e resistência antimicrobiana


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a segunda edição do manual Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higiene das Mãos, atualizando oficialmente um dos documentos mais relevantes para prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) no país. A primeira edição havia sido publicada em 2009. 

A atualização ocorre em um momento particularmente simbólico para o setor. Maio concentra duas datas estratégicas para o debate sobre prevenção de infecções: o Dia Mundial da Higienização das Mãos, celebrado em 5 de maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e o Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares, em 15 de maio.

A nova edição integra a série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde e se destina a profissionais e gestores de saúde de todos os níveis assistenciais, além de integrantes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), educadores, pacientes e familiares. O objetivo central é fortalecer a promoção da higiene das mãos como prática prioritária de segurança do paciente.

Higiene das mãos como pilar de prevenção

O documento reforça que a higiene das mãos continua sendo considerada uma das medidas isoladas mais importantes para reduzir a transmissão cruzada de microrganismos dentro dos serviços de saúde.

A publicação revisa desde os fundamentos históricos da prática, incluindo os clássicos estudos de Ignaz Semmelweis, em 1846, até evidências contemporâneas sobre transmissão de patógenos pelas mãos de profissionais de saúde.

A nova edição também amplia a discussão sobre disseminação de microrganismos multirresistentes (MMR), destacando que as mãos permanecem como uma das principais vias de transmissão dentro do ambiente hospitalar e podem atuar como fator central em surtos infecciosos.

Além disso, o manual aprofunda aspectos microbiológicos da pele, mecanismos de transmissão cruzada e detalha os principais produtos utilizados para higiene das mãos, incluindo:

  • sabonete comum; 
  • preparações alcoólicas; 
  • agentes antissépticos, como clorexidina. 

O texto ainda aborda infraestrutura necessária, insumos essenciais e estratégias organizacionais para ampliar a adesão dos profissionais às práticas de higiene.

Adesão ainda permanece abaixo do ideal 

Um dos pontos de maior destaque da atualização é a discussão sobre adesão às práticas de higiene das mãos.

Segundo o documento, as taxas de adesão variam amplamente entre diferentes países e serviços de saúde, oscilando entre 5% e 89%, com média global próxima de 40%. Os piores indicadores são observados em países de baixa renda. 

A Anvisa detalha que os fatores que influenciam a adesão podem ser divididos em quatro grandes grupos:

Fatores individuais

  • falta de conhecimento; 
  • baixa familiaridade com protocolos; 
  • esquecimentos; 
  • pouca experiência prática. 

Fatores coletivos

  • ausência de treinamento; 
  • sobrecarga de trabalho; 
  • dimensionamento inadequado; 
  • falta de feedback sobre desempenho; 
  • ausência de modelos positivos entre lideranças e colegas. 

Fatores institucionais

  • ausência de políticas organizacionais; 
  • baixa priorização institucional; 
  • inexistência de cultura de segurança; 
  • falta de reconhecimento aos profissionais aderentes. 

Fatores governamentais

  • insuficiência de políticas públicas; 
  • ausência de campanhas; 
  • baixa alocação de recursos; 
  • fragilidade regulatória. 

O manual também destaca que programas efetivos de melhoria da adesão à higiene das mãos podem reduzir significativamente os custos assistenciais relacionados às IRAS, além de diminuir tempo de internação, morbidade e mortalidade.

Atualização dialoga com políticas nacionais de prevenção de IRAS

O documento também dialoga diretamente com o Programa Nacional de Prevenção e Controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) 2026-2030, que reconhece a higiene das mãos como estratégia fundamental para prevenção de IRAS, redução da resistência antimicrobiana (RAM) e contenção de surtos infecciosos em todos os níveis de atenção.

Entre as ações estratégicas previstas pelo programa está o fortalecimento do monitoramento do consumo de produtos para higiene das mãos nos serviços de saúde.

Outro destaque da nova edição é a manutenção do tradicional infográfico dos “5 momentos para higiene das mãos”, amplamente difundido internacionalmente pela OMS, reforçando que os profissionais devem higienizar as mãos:

  1. antes de tocar o paciente; 
  2. antes de procedimentos limpos ou assépticos;
  3. após risco de exposição a fluidos corporais; 
  4. após tocar o paciente; 
  5. após contato com superfícies próximas ao paciente. 

Efeitos adversos e estratégias de proteção da pele também ganham espaço

A nova edição também dedica um capítulo aos efeitos adversos associados aos produtos utilizados para higiene das mãos, tema frequentemente relacionado à baixa adesão dos profissionais. O documento descreve reações como:

  • dermatite de contato irritativa; 
  • dermatite de contato alérgica; 
  • ressecamento cutâneo. 

Além disso, apresenta estratégias para minimizar esses efeitos, incluindo seleção adequada de produtos, uso racional de antissépticos e cuidados complementares com a pele dos profissionais.

Ao atualizar o manual após mais de 15 anos, a Anvisa reforça que a higiene das mãos permanece como uma prioridade central da segurança do paciente e da prevenção de infecções nos serviços de saúde brasileiros.

Referências:

(1) Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higiene das Mãos

(2) Programa Nacional de Prevenção e Controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) 2026-2030

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