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Campanha de vacinação – Como evitar erros comuns

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O Brasil iniciou a vacinação contra a COVID-19 no dia 17 de janeiro, logo após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial dos imunizantes Coronavac e o da AstraZeneca.

Considerando que prevenção é sempre o melhor caminho quando se estuda estratégias de ampliação da segurança do paciente, o Institute for Safe Medication Practices (ISMP) dos Estados Unidos publicou, em novembro de 2020, um guia com instruções para a manutenção de um programa seguro de vacinação.

Na ocasião, a entidade recebeu mais de 60 relatórios de erros associados à imunização contra a gripe e fez uma análise desses equívocos de modo a evitar que eles se repitam durante a ação que visa combater o novo coronavírus.

O relatório do ISMP traz de forma mais detalhada observações relativas às vacinas que estão sendo aplicadas em território norte-americano (Pfizer BioNTech e Moderna), imunizantes diferentes dos que foram aprovados pela Anvisa.

No Brasil, o Ministério da Saúde conta com um Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação, onde constam detalhes sobre as vacinas que já integram o calendário vacinal nacional. Porém, como os imunizantes para COVID-19 foram aprovados recentemente em caráter emergencial, essas informações como doses e intervalo, temperatura de armazenamento, diluição e forma de aplicação das vacinas que estarão disponíveis no país ainda não foram integradas ao documento e devem ser checadas diretamente com o fabricante.

Chegamos, então, aos erros mais comuns listados pelo documento:

Nomes, rótulos e embalagens parecidos – Quando similares, esses dados podem levar à confusão na hora da aplicação. Nos Estados Unidos, por exemplo, a vacina da gripe intitulada Fluarix Quadrivalent tem uma seringa bastante semelhante à vacina da hepatite A Havrix, e essa semelhança pode levar à administração do imunizante errado.

Não separar os imunizantes no refrigerador – Além da semelhança entre rótulos e nomes, a falta de separação dos medicamentos no refrigerador pode levar à confusão na hora da administração. Segundo o ISMP EUA, por exemplo, frascos de insulina podem ser confundidos com vacinas contra a gripe. Ao longo dos últimos seis anos foram diversos os eventos adversos – inclusive graves – ocasionados por esse armazenamento inapropriado. No Iraque, em 2019, quatro recém-nascidos vieram a óbito após administração de insulina em vez da vacina contra hepatite B. Outros casos também são conhecidos, inclusive um ocorrido no Brasil quando, em 2016, 50 funcionários de hospitais foram hospitalizados após receber insulina no lugar da vacina da gripe.

Erros ou omissão de mistura em vacinas com dois componentes – Alguns imunizantes devem ser preparados com dois componentes como, por exemplo, diluentes ou adjuvantes líquidos. Nesses casos, os dois insumos devem ser misturados adequadamente, etapa que pode levar a incidentes como a administração da vacina sem a mistura. Quando os dois componentes devem permanecer armazenados em locais distintos (por conta de temperaturas divergentes, por exemplo), há mais risco de erro.

Falha na comunicação – As campanhas de vacinação normalmente são bastante densas e falhas na comunicação podem ocorrer, prejudicando a segurança dos pacientes. O relatório relembra, por exemplo, uma situação no qual um paciente recebeu um imunizante contraindicado para sua idade devido a dificuldades no diálogo causados pela não fluência do cidadão no idioma inglês. Considerando que estamos utilizando máscaras faciais para prevenir a contaminação pelo novo coronavírus, erros de comunicação podem se tornar frequentes.

Falha no controle de administração das doses – Pessoas podem acabar recebendo doses repetidas devido à falta de documentação no sistema de informações. Essa falha torna-se ainda mais comum quando o imunizante pede duas doses – exatamente o que ocorre no caso da COVID-19. Além disso, é preciso registrar para que o paciente receba as duas doses do mesmo fabricante.

Dificuldade de acesso às tecnologias e automações – Quando os procedimentos se tornam manuais, há mais risco de falhas e erros acontecerem. O relatório menciona um caso em que um imunizante foi administrado incorretamente para um paciente na faixa etária não recomendada, pois o padrão era utilizar o código de barras ou uma dupla verificação independente antes da administração da vacina, porém as equipes não puderam executar esses passos.

Variação de temperatura e vacina fora do prazo de validade – O transporte ou armazenamento dos imunizantes em temperaturas diferentes das indicadas pelos fabricantes podem reduzir a eficácia do medicamento, o que leva ao desperdício das vacinas. Há, também, situações em que os frascos não contemplam a data de validade, visto que essa definição por vezes ocorre após a distribuição dos imunizantes. Além disso, é preciso atenção para não confundir a data de fabricação com a data de vencimento.

Considerando esses erros possíveis, o ISMP EUA recomenda que sejam feitos planos estratégicos para as campanhas de vacinação bem antes de sua implementação, para que todas as medidas sejam tomadas; as equipes sejam treinadas e para que a infraestrutura seja capacitada a receber esses imunizantes.

Além disso, o instituto sugere a criação ou avaliação de protocolos com critérios de triagem de pacientes quanto a contraindicações e precauções, instruções para administração das doses e definição de diretrizes em caso de reações adversas, o que inclui a notificação de eventos.

É importante, também, estabelecer o melhor gerenciamento de suprimentos; verificar a carteirinha de vacinação do paciente; e, antes da administração, realizar uma etapa de checagem que envolva a correta identificação do paciente e conferência do que será administrado.

Referências:

(1) ISMP – Learning from Influenza Vaccine Errors to Prepare for COVID-19 Vaccination Campaigns

 

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