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Checklist simples reduz em 22% as mortes após cirurgia, sugere novo estudo norte-americano

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Os checklists de segurança não são um pedaço de papel que protegem magicamente os pacientes, mas ferramentas para ajudar a mudar a prática diária e criar uma cultura de segurança do paciente

Alguns hospitais na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, participaram de um programa voluntário para implementar o Checklist de Cirurgia Segura, da OMS – Organização Mundial de Saúde. O resultado foi surpreendente: apresentaram uma redução de 22% nas mortes pós-cirúrgicas. O estudo, publicado na edição de agosto de 2017 da Annals of Surgery, é um dos primeiros a mostrar o verdadeiro impacto do checklist de cirurgia segura em grande escala.

Diretrizes globais da OMS para prevenção de infecção de sítio cirúrgico

O estudo comparou as taxas de mortalidade pós-operatória após a cirurgia, utilizando as guias de alta de 2008 a 2013, ligadas às estatísticas estatais da Carolina do Sul, estratificando os hospitais com base na conclusão do programa da lista de verificação. As mudanças na mortalidade 30 dias após a cirurgia foram comparadas entre os hospitais, utilizando a análise de diferenças.

“Os checklists de segurança não são um pedaço de papel que protegem magicamente os pacientes, mas uma ferramenta para ajudar a mudar a prática diária e criar uma cultura na qual falar é permitido e incentivado para criar um ambiente em que se compartilha a informação com todos os membros da equipe”, disse Alex Haynes, autor principal do estudo, que é professor assistente de cirurgia na Harvard Medical School e diretor associado de cirurgia segura na Ariadne Labs, ao Washington Post.

Como foi o estudo
Todos os hospitais da Carolina do Sul foram convidados a participar de um esforço voluntário para implementar as 12 etapas, do programa de Cirurgia Segura. O South Carolina Hospital Association, a Harvard T.H. A Chan School of Public Health e a Ariadne Labs personalizaram o checklist com configurações locais para realizar testes em pequena escala.

Cerca de 40% do total de pacientes que passaram por uma cirurgia do estado da Carolina do Sul foram contabilizados no estudo, pois passaram por um procedimento cirúrgico em um dos 14 hospitais que completaram o programa.

Após a etapa inicial, os pesquisadores compararam a mortalidade pós-operatória de até 30 dias entre os hospitais que usaram o checklist e o restante dos hospitais do estado. O relatório incluiu procedimentos cirúrgicos de hospitalização de várias especialidades, tais como cirurgia neurológica, cardíaca e ortopédica.

Os pesquisadores descobriram que as taxas de mortalidade pós-cirurgia nos hospitais que completaram o programa foi de 3,38 por cento em 2010, antes da implementação do programa de checklist de cirurgia segura. Essa porcentagem caiu para 2,84% em 2013, após a implementação do programa da lista de verificação. Nos 44 outros hospitais do estado, a taxa de mortalidade foi de 3,5% em 2010 e de 3,71% em 2013, o que se traduz em uma diferença de 22% nas taxas de mortalidade entre os hospitais.

Conclusão
Os hospitais da Carolina do Sul que completaram o programa de melhoria da qualidade cirúrgica com base no checklist tiveram uma redução nas mortes após a cirurgia durante os três primeiros anos em comparação com outros hospitais do estado.

“Isso pode indicar que a implementação efetiva em larga escala de uma lista de verificação de segurança cirúrgica baseada em equipe é viável”, afirma a conclusão do estudo.

Checklist de Cirurgia Segura da OMS
A lista de verificação da OMS tem 19 itens e incentiva as equipes cirúrgicas a discutir o plano cirúrgico, os riscos e as preocupações. Confira aqui.

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