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Entre profissionais de saúde, tempo de escolaridade impacta na percepção da cultura de segurança

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Podemos afirmar que a educação continuada impacta positivamente a cultura de segurança das organizações de saúde e, com isso, melhora os desfechos dos pacientes? De acordo com um estudo realizado na Dinamarca, sim.

Entre 2017 e 2018, dois hospitais locais foram selecionados para a pesquisa, sendo que um deles atuava prioritariamente com emergências enquanto o outro prestava assistência eletiva.

A princípio, três grupos de profissionais de saúde envolvendo médicos, enfermeiros, parteiras e técnicos de radiologia foram treinados, durante três dias, para atuar como instrutores. Na sequência, eles retornaram ao seu ambiente de trabalho realizando simulações que foram monitoradas, sendo que o foco da aprendizagem estava em melhorias do trabalho em equipe (inclusive habilidades de comunicação e liderança), e em habilidades técnicas para lidar com parada cardíaca, intubação, triagem, anafilaxia, sangramento e insuficiência respiratória.

Como controle, as percepções acerca da cultura de segurança do paciente foram coletadas com 404 funcionários antes da intervenção e, para comparativo, quatro e nove meses após a intervenção.

A progressão com melhorias é notável em todos os grupos profissionais. Porém, interessante observar que entre enfermeiros, parteiras e técnicos de radiologia – que devem cumprir menos horas de estudo durante a formação do que os médicos –, todas as dimensões tiveram melhorias de, no mínimo, 3%. Três delas, inclusive, melhoraram mais de 8%: clima de segurança (10,9%), percepção da gestão (8%) e condições de trabalho (8,8%).

Já entre médicos, apenas duas dimensões apontaram melhorias: reconhecimento de estresse (1,3%) e clima de trabalho em equipe (4,5%).

Mas por que essa divergência? Aparentemente, os médicos têm uma pontuação base já mais elevada do que os outros profissionais de saúde quando o assunto é cultura de segurança e o estudo associa essa pontuação maior ao tempo de escolaridade. Outro fator que é discutido no estudo é que médicos em geral são mais satisfeitos com sua atividade do que enfermeiros, por exemplo, o que pode influenciar a percepção de segurança. De todo modo, uma grande conclusão do estudo é a necessidade de investimento em educação continuada para a melhoria da cultura de segurança nos serviços de saúde.

 

Referências:

(1) Patient safety culture improvements depend on basic healthcare education: a longitudinal simulation-based intervention study at two Danish hospitals

 

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