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Identificar, detectar, notificar e evitar eventos adversos também é importante na odontologia

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No dia 20 de março comemora-se o Dia Mundial da Saúde Bucal. Diversos artigos da literatura já relacionam a saúde da boca com a saúde geral dos pacientes, envolvendo cuidados específicos e integrando o cirurgião-dentista à assistência hospitalar.

Publicada graças a uma parceria entre pesquisadores da Universidade NOVA de Lisboa (Portugal) e a Secretaria Municipal de Saúde de Cataguases (MG-Brasil), uma revisão integrativa (1) da literatura buscou identificar e explorar estudos voltados à segurança do paciente odontológico. O texto sugere que há uma evolução latente na busca pela melhoria da assistência, principalmente nos países de primeiro mundo.

O documento reforça que embora a grande preocupação com a segurança do paciente se dá dentro das instituições hospitalares e os cirurgiões-dentistas tenham uma atuação predominantemente ambulatorial, a prestação de cuidados odontológicos é potencialmente propícia à ocorrência de eventos adversos, já que se trata de uma prática invasiva envolvendo contato íntimo e rotineiro com secreções como saliva e sangue, depende totalmente da habilidade do profissional e está constantemente sujeita a possíveis emergências.

Foram identificados 91 artigos elegíveis ao estudo, a maioria advindo dos Estados Unidos e Inglaterra, porém também foram selecionados textos do Brasil, Canadá, China, Chile, Escócia, Holanda, México, Paquistão, Suécia e Suíça. A maior parte dos artigos estava dedicada a mensurar as fases iniciais como medir o dano, compreender as causas e identificar soluções. Porém, oito estudos buscavam avaliar o impacto e dois deles objetivavam transpor a evidência em cuidados mais seguros.

Na busca por medir a incidência e a prevalência de danos na assistência odontológica, diversos estudos apontaram achados como:

  • Complicações por anestesia local e sedação, lesões produzidas em língua e lábios, perda de dentes por exodontia trocada, lesões oculares e até mesmo óbitos.
  • Incidentes relacionados a alergias, infecções, atraso ou falha de diagnóstico e falha no procedimento.

Já na investigação da evitabilidade dos eventos adversos, houve divergência entre os estudos, o que fez com que alguns apontassem que apenas 39% dos eventos eram evitáveis e outros acreditassem que até 98% dos incidentes eram evitáveis.

Entre as causas dos eventos adversos, foram apontados:

  • Erros de diagnóstico e planejamento
  • Comunicação ineficaz
  • Falha na execução de procedimentos
  • Baixa adesão a protocolos
  • Anamnese insuficiente

Importante: erros relacionados à medicamentos também ocorrem no contexto odontológico e alguns estudos listados apontam a prescrição medicamentosa como uma das principais causas para ocorrência de eventos adversos. Até mesmo o açúcar presente em alguns medicamentos pode ser um fator coadjuvante da cárie, principalmente naqueles pacientes com dificuldade de deglutição.

Soluções detectadas

Alguns estudos estavam focados na prática cirúrgica, até mesmo por ser considerado um procedimento invasivo. Assim, foi apontada como pilar da segurança, a marcação do sítio cirúrgico para redução de erros como exodontia trocada.

Além disso, houve ênfase na melhoria da segurança anestésica através do monitoramento adequado e treinamento das equipes e listas de verificação foram consideradas eficazes para otimização dos processos de trabalho.

No âmbito dos medicamentos, entre as soluções destacadas está a necessidade de aumentar o conhecimento dos cirurgiões-dentistas sobre os medicamentos prescritos e as suas interações, sendo importante que esses profissionais sejam orientados quanto ao uso de antagonistas farmacológicos para ajudar a mitigar emergências induzidas por medicamentos.

Notificar é preciso

Assim como no ambiente hospitalar, a notificação de incidentes integra os processos para melhoria da segurança e surge como uma fonte de aprendizagem organizacional, servindo de substrato para a elaboração de estratégias e intervenções de melhoria. Para isso, é necessário investir no desenvolvimento de políticas institucionais que reduzem as barreiras e dificultam a notificação.

Referências:

(1) Segurança do paciente no cuidado odontológico: revisão integrativa

 

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