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Resistência a antibióticos: Brasil está entre os mais atrasados em plano de ação

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Mapa global: Brasil está na fase de desenvolvimento do seu plano de combate à resistência a antibióticos (cor laranja). Países em vermelho não começaram. Em amarelo, já acabaram. Em verde claro, governo aprovou. Em verde escuro, já há financiamento e ações em andamento.
Mapa global: Brasil está na fase de desenvolvimento do seu plano de combate à resistência a antibióticos (cor laranja). Países em vermelho não começaram. Em amarelo, já acabaram. Em verde claro, governo aprovou. Em verde escuro, já há financiamento e ações em andamento

Marcela Buscato

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Um novo relatório, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da Saúde Animal (OIE) e das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), coloca o Brasil entre os países mais atrasados no desenvolvimento de um plano de ação para o combate à resistência a antibióticos. Na análise de 154 países, o Brasil aparece ao lado de outros 52 que ainda estão fazendo um plano. Só ganha de outras 12 nações que nem começaram a elaborar suas estratégias. Os dados compilados no novo relatório, divulgado em 18 junho, são referentes a 2017, a atualização mais recente da nova plataforma global.

O Brasil está atrasado também em relação a países da América do Sul. Colômbia e Peru já elaboraram suas estratégias. Guiana, Guiana Francesa e Argentina estão um passo à frente: traçaram seus planos, que já foram aprovados pelos governos. Nenhum país sul-americano está no estágio mais avançado proposto pela OMS: quando há fontes de financiamento para as ações, já colocadas em prática. Esse é o caso de apenas 19 países no mundo, entre eles Estados Unidos, Inglaterra, Arábia Saudita e China.

Em abril, o Ministério da Saúde brasileiro afirmou que a publicação do Plano de Ação para a Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos estava prevista para este ano e que contemplaria as ações que já estão em andamento. A elaboração está a cargo dos ministérios da Saúde; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação; do Meio Ambiente; das Cidades; do Conselho Nacional de Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Funasa.

Regular e monitorar o uso de antimicrobianos – na saúde e agropecuária – é uma das exigências do Plano Ação Global, um acordo proposto pelas três organizações mundiais a seus signatários em 2015. A OMS considera a resistência antimicrobiana uma das mais graves ameaças à saúde pública. Estima-se que, até 2050, uma pessoa morrerá a cada três segundos no mundo em razão do problema. Isso significa 10 milhões de mortes por ano. No ano passado, a OMS ampliou de sete para 12 o número de bactérias consideradas resistentes. A prescrição e o uso inadequado de antibiótico são algumas das principais causas do aumento de bactérias resistentes. Nesse contexto, é primordial a implantação de projetos de stewardship – para controle e uso racional de antimicrobianos – dentro dos serviços de saúde.

O novo relatório da OMS elenca 16 tópicos que devem ser desenvolvidos pelo países signatários. O Brasil está atrasado na elaboração do plano – um dos tópicos -, mas há aqueles em a situação é ainda pior – e em que o planejamento nem começou. É o caso de educação profissional em resistência antimicrobiana para agropecuária e meio ambiente, para o qual, segundo o novo documento, não há previsão de treinamento para atores importantes da cadeia, como fazendeiros, especialistas em meio ambiente e fabricantes de alimentos. Em outros tópicos, o país está um pouco mais adiantado. Na otimização do uso de antimicrobianos para a saúde humana, há ações em andamento, como práticas e diretrizes para uso racional de antibióticos em alguns serviços de saúde.

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