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Segurança do paciente odontológico – Monitoramento e identificação de eventos adversos

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Não há, na literatura científica, muitos trabalhos focados na análise de eventos adversos na odontologia. Porém, diante de um cenário em que a saúde se torna a cada dia mais multidisciplinar, torna-se prudente envolver essas questões quando o assunto é segurança do paciente. Considerando que dia 20 de março é comemorado o Dia Mundial da Saúde Bucal, surge uma boa oportunidade para colocarmos a temática em pauta.

Análise do tema publicada na Patient Safety Network (PSNet) (1) reforça que assim como em outros tantos ambientes de saúde, o atendimento odontológico pode desencadear incidentes que levam a danos aos pacientes, até porque durante essa assistência há a prescrição de medicamentos, exames e tantos outros procedimentos repletos de riscos.

Entre os erros mais comuns mencionados no documento estão atraso no tratamento, realização de procedimentos desnecessários e progressão da doença após diagnóstico incorreto. E os eventos adversos mais identificados são dor seguida por dano a ossos e cartilagens, lesão de nervos e dano a partes moles.

Porém – talvez devido à falta de controle e notificação dos eventos – há uma clara distinção entre os erros mais relatados e os erros que são facilmente percebidos pelos profissionais do setor. Essa observação partiu de uma pesquisa com 76 profissionais (entre professores e alunos de odontologia, residentes e outros membros do corpo clínico) de três faculdades de odontologia. Nessa pesquisa, descrita na análise da PSNet, a dor foi o evento adverso menos citado nas entrevistas, sendo que foi o mais comum nas identificações da literatura. Entre as percepções mais recorrentes de incidentes relatados pelos profissionais estavam, além de danos anatômicos, as aspirações; ou execução de procedimento errado, ou no local errado, ou com paciente errado.

A falta de adesão ao prontuário eletrônico surge como uma das barreiras de segurança nos atendimentos odontológicos. De acordo com a publicação, é preciso perceber que mesmo quando há essa aplicação, o foco está prioritariamente no gerenciamento das sessões, ou seja, para controle de faturamento, e não na documentação real de atendimento dos pacientes. Somado a isso, o fato de que a odontologia é principalmente realizada de forma individual, em consultórios particulares, torna-se mais difícil rastrear e monitorar possíveis eventos adversos.

Esse prontuário eletrônico mais formalizado poderia, inclusive, atuar para o melhor controle dos dispositivos odontológicos que são utilizados nos pacientes. No Brasil, por exemplo, há alguns anos foram noticiados muitos casos de pirataria e comercialização de produtos irregulares como brocas, implantes e parafusos. Na ocasião, a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO), divulgou que dos mais de 2 milhões de implantes feitos no Brasil, 30% utilizavam produtos sem procedência (2), o que leva a danos graves ao paciente odontológico. Sem esterilização adequada e sem matéria-prima qualificada, esses dispositivos podem ser rejeitados pelo organismo humano, desencadeando infecções que podem terminar em perda de massa óssea e complicações que chegam, inclusive, a levar o paciente a óbito.

Metas e desafios

Educação está no topo da lista das ferramentas capazes de mitigar potenciais eventos adversos em odontologia. Assim como ocorre no atendimento hospitalar, fortalecer o conhecimento dos profissionais de saúde, informar quais têm sido os incidentes mais comuns relatados e mantê-los atualizados quanto a novos protocolos e diretrizes é caminho profícuo para melhoria da assistência.

E se ter consciência de onde estão as barreiras à segurança do paciente é necessário, torna-se primordial investir esforços na coleta de dados e na monitorização dos pacientes odontológicos. Com essa melhoria no campo da pesquisa será possível entender onde e quando os danos ocorrem e reconhecer padrões de atendimento e dados demográficos dos pacientes que podem apontar fatores de risco. Aqui, surge a real necessidade de aprimorar o uso do prontuário eletrônico.

Na sequência, tendo uma boa base de pesquisa para fundamentar novas estratégias de segurança, será possível definir ferramentas e mecanismos para otimizar a assistência minimizando riscos.

Referências:

(1) Adverse Events in Dentistry

(2) Pirataria na Odontologia – Apreensão de produtos irregulares

 

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