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Criar barreiras de segurança ajuda a reduzir agravo à saúde do paciente

Criar barreiras de segurança ajuda a reduzir agravo à saúde do paciente
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O Hospital Cruzeiro do Sul, em Osasco (SP), teve desafios para incluir as políticas de segurança no dia a dia da instituição. O primeiro foi a implantação dos protocolos de segurança do paciente, com indicadores de qualidade e de processo.

Há uma preocupação crescente das instituições hospitalares em relação à segurança do paciente. A má distribuição de recursos tanto financeiros quanto humanos nas diversas regiões do Brasil dificulta a consolidação da cultura da qualidade no País. “Em locais nos quais a falta de recursos é evidente, os profissionais de saúde têm como foco de trabalho as questões mais urgentes. Com isso, acabam deixando a segurança e a qualidade da assistência em segundo plano”, comenta Fabiola Portella Ribas Martins, Gerente de Enfermagem do Hospital Cruzeiro do Sul, localizado em Osasco, município brasileiro localizado na Zona Oeste da Região Metropolitana de São Paulo.

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“Esse cenário atual é muito desafiador, já que cabe aos profissionais de saúde difundir as informações sobre os protocolos de segurança do paciente, educar os colaboradores e mobilizar a população para exigir a melhora de todos os serviços de saúde”, diz Fabiola Martins.

IBSP – Em grande parte das organizações de saúde, a enfermagem está se tornando líder de movimentos ligados à qualidade e segurança do paciente. Como enxerga esse novo papel da enfermeira?
Fabiola Portella Ribas Martins – Enxergo com naturalidade, já que o enfermeiro é o profissional com nível superior e em maior número dentro das instituições hospitalares, além de ter em sua grade curricular disciplinas voltadas à liderança de equipes. Por esse motivo, tem plena capacidade de agregar as equipes multidisciplinares em um único objetivo, seja na qualidade, seja na segurança do paciente.

IBSP – O que considera importante na gestão da enfermagem para prestar um cuidado mais centrado na qualidade do atendimento ao paciente?
Fabiola Martins – A mudança de cultura de uma organização é um desafio grandioso. As responsabilidades que temos para garantir alta qualidade e assistência segura ao paciente devem nortear as nossas ações. O que considero mais importante na gestão da enfermagem é identificar os processos mais críticos e desenvolver ações eficazes de prevenção de eventos adversos, criando barreiras de segurança para esses processos de forma que não ocorra mais nenhum agravo à saúde.

IBSP – Quais os principais desafios de implementar as políticas de segurança em um hospital como o Cruzeiro do Sul?
Fabiola Martins – O primeiro maior desafio foi a implantação dos protocolos de segurança do paciente em sua totalidade, com indicadores de qualidade e de processo. O segundo foi incentivar e motivar o colaborador a notificar os eventos adversos sem medo de represálias. Essa mudança de cultura levou a uma transformação de atitude e maior compreensão dos colaboradores de sua responsabilidade individual nos processos assistenciais.

IBSP – Qual a receptividade por parte dos colaboradores da implantação da cultura da qualidade e segurança do paciente?
Fabiola Martins – A princípio não foi fácil engajar todas as equipes multidisciplinares na implantação da cultura da qualidade e segurança do paciente, mas quando eles começaram a verificar que isso trouxe um aumento na segurança dos processos assistenciais e que as barreiras implantadas eram realmente efetivas para evitar que erros, a adesão e a receptividade aumentaram. Além disso, a política de não punição também favoreceu a implantação.

IBSP – Qual a importância de ter uma área dedicada à qualidade? Quais as principais atribuições atuais de vocês e quais os desafios?
Fabiola Martins – Hoje temos uma área de trabalho que ainda não é dedicada exclusivamente à qualidade, mas sabemos que isso será essencial se quisermos melhorar os nossos processos e atingir melhores resultados nos próximos anos.
Os nossos desafios atuais são: aumentar a adesão de todos os profissionais aos protocolos de segurança com o treinamento periódico de todos os colaboradores das equipes multidisciplinares; motivar e orientar os colaboradores a notificarem os eventos adversos que acontecem nas diversas unidades para sabermos quais são os nossos pontos fracos e melhorá-los; acompanhar e auditar os processos como “observador passivo”, de forma que as equipes não percebam essa auditoria e podermos assim observar os pontos de melhoria; e envolver mais a família e os pacientes nesse processo de segurança.

IBSP – O que tem dado certo em termos de segurança do paciente no Hospital Cruzeiro do Sul? Há algum projeto, ação que vocês têm colocado em prática?
Fabiola Martins – Demos os primeiros passos com a implantação dos protocolos de segurança do paciente, as notificações dos eventos adversos e os indicadores de processo e de qualidade. O que precisamos hoje é manter os colaboradores motivados para garantir que a aderência a esses protocolos se mantenham. Para isso, contamos com o treinamento técnico de toda a equipe que é dado pela enfermeira da Educação Continuada, e com o treinamento comportamental e técnicas motivacionais com as psicólogas do setor de Treinamento da empresa. Acreditamos que através desse trabalho multidisciplinar, conseguiremos reforçar a prática do trabalho em equipe e aumentar o envolvimento dos colaboradores nas melhorias pretendidas.

Temos em andamento um projeto iniciado em abril de 2017, desenvolvido pelo setor de Treinamento, que é chamado “Você tem a ver com isso”, no qual o colaborador é levado a refletir sobre o seu papel como profissional, além da ideia de que todos são igualmente responsáveis pela melhoria do atendimento e da satisfação do cliente e, consequentemente, pela qualidade do serviço prestado.

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