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Inserir a segurança do paciente como valor profissional e hábito prioritário nas ações é desafio na saúde brasileira

Inserir a segurança do paciente como valor profissional e hábito prioritário nas ações é desafio na saúde brasileira
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Para coordenadora de qualidade da Santa Casa São Paulo, se a segurança do paciente não for o foco da alta liderança, nunca será um valor dos profissionais que estão diretamente ligados à assistência

No Brasil, evoluiu-se consideravelmente nas discussões sobre segurança do paciente após a implantação do Programa Nacional de Segurança do Paciente em 2013, principalmente na esfera pública. “As ações relacionadas ao tema que estavam concentradas em hospitais privados por intermédio dos programas de acreditação hospitalar iniciaram, então, nos hospitais públicos e filantrópicos. Hoje, discute-se mais sobre os protocolos de segurança e as formas de desenvolvimento, assim como a implementação dos sistemas de notificação dentro das organizações”, acredita Isis Distrutti Querino, enfermeira coordenadora de Qualidade da Santa Casa de São Paulo.

IBSP – Como a enfermagem está inserida neste contexto de promover qualidade e segurança?
Isis Distrutti Querino – A equipe de enfermagem é imprescindível para a promoção da qualidade e segurança, por estar diretamente ligada a todos os processos assistenciais e ser a categoria profissional que mais dispende tempo ao lado do paciente no processo do cuidado, além de compor mais de 50% da força de trabalho nos hospitais. Por meio de muitas ações desta equipe, situações perigosas e fora dos padrões estabelecidos podem ser controladas, reduzidas e também eliminadas.

IBSP – Quais os principais desafios de implementar as políticas de segurança em um hospital?
Isis Querino – Acredito que um dos maiores desafios é inserir a segurança do paciente como um valor profissional e um hábito prioritário nas ações. Transformar a cultura organizacional para uma cultura de segurança positiva é um desenvolvimento de longo prazo e que necessita do apoio da alta liderança das organizações. Se a segurança do paciente não for o foco da alta liderança, nunca será um valor dos profissionais que estão diretamente ligados à assistência.

O segundo desafio é transformar a cultura da culpabilidade em uma cultura de aprendizagem efetiva com os eventos adversos, e temos muito a percorrer neste caminho.

IBSP – Como garantir qualidade e segurança em um hospital-escola? Quais as particularidades?
Isis Querino – Os desafios da garantia da qualidade e segurança em um hospital são multiplicados quando envolvemos os hospitais de ensino. A rotatividade nos setores assistenciais é elevada, o que torna a implantação de protocolos e rotinas mais complexa. Somando-se a isso, temos alunos de graduação e residentes ávidos pelo aprendizado prático junto ao paciente, trazendo algumas situações de risco, que podem ser minimizadas com supervisão adequada, inserção do tema segurança nas grades curriculares e simulação realística antes da prática junto ao paciente.

IBSP – Qual a importância de todo hospital ter uma área dedicada à qualidade?
Isis Querino – O setor de qualidade é fundamental nas organizações, pois promove um trabalho sistematizado e integrado entre os setores do hospital, como um elo sempre em busca do melhor resultado para a organização e para o paciente, e neste momento mais ainda, com redução de desperdício e redução de custos nos processos.

IBSP – Quais as principais atribuições da área da ‘qualidade’?
Isis Querino – As principais atribuições da área da Qualidade Hospitalar são o mapeamento e redesenho de processos, gestão por indicadores, auditorias da qualidade com padrões previamente estabelecidos, gestão de documentos, mapeamento de riscos e gerenciamento destes, sempre em busca de melhoria contínua. Ainda, em alguns hospitais as atividades de projetos e planejamento estratégico também ficam inseridas nesta área estratégica.

IBSP – Segurança do Paciente pode ajudar a reduzir custos e garantir uma gestão mais eficaz do negócio?
Isis Querino – Com certeza. Percorremos um longo caminho ao implementar os protocolos de segurança, e outro árduo em monitorar a adesão e os resultados, propondo melhorias.

Quando falamos em SUS ou saúde suplementar, falamos em pacotes fechados. Se uma queda ou infecção prolongam a internação do paciente, todos os custos adicionais são de responsabilidade da organização, e isto não é sustentável economicamente.

Foi publicado recentemente na Agency for Healthcare Research and Quality (ARQH), os resultados dos anos de parceria entre esta instituição e o Medicare e Medicaid Services dos EUA, com redução de 3 milhões de eventos adversos, 125.000 vidas salvas e 28 milhões de dólares economizados desde 2010 com estratégias em relação à segurança do paciente.

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