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“Maior desafio da saúde é incorporar ferramentas de qualidade e gestão de risco”, diz enfermeira

“Maior desafio da saúde é incorporar ferramentas de qualidade e gestão de risco”, diz enfermeira
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A assistência à saúde evoluiu nos últimos 30 anos com a incorporação de amplos conhecimentos e tecnologia, o que tornou o sistema altamente complexo, assim como as indústrias da aviação e energia nuclear.

O grande marco para a Segurança do Paciente foi a publicação do livro-relatório intitulado “To Err Is Human: Building a Safer Health System” (Errar é Humano: Construindo um Sistema de Saúde mais Seguro) pelo Institute of Medicine, em 1999, nos Estados Unidos.

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“Esse relatório foi baseado em estudos retrospectivos de prontuários de pacientes expostos a cuidados de saúde e identificou um grande número de eventos adversos, ou seja, eventos que ocasionaram dano aos pacientes. Na época, a notícia foi tão alarmante que a estimativa de mortes ocasionadas por estes eventos foi de 44 a 98 mil. Esta mortalidade era maior que acidentes automobilísticos, câncer de mama e AIDS. Estes eventos com dano geraram um custo de até 29 bilhões de dólares no sistema de saúde”, comenta Karina Pires, enfermeira e diretora de operações do IBSP Karina Pires.

IBSP – Qual é a importância dos cuidados com a segurança do paciente no contexto da assistência em saúde?
Karina Pires – Estes sistemas também sofrem falhas que necessitam de um gerenciamento de risco dentro desta visão sistêmica. Os dados mais atuais mostram que morrem atualmente 440 mil pessoas por ano por eventos adversos preveníveis, o que torna esta situação, um problema de saúde pública.

Nosso maior desafio hoje é incorporar as ferramentas de qualidade e gestão de risco em nosso atual contexto com o objetivo de tratarmos nossas inúmeras falhas.

IBSP – O conceito de segurança do paciente tem se transformado ao longo do tempo?
Karina Pires – Quase vinte anos após a publicação do ‘Errar é Humano’, o erro é uma constante e, assim, deve permanecer. Começamos a enxergar nossas falhas na assistência ao paciente e utilizamos esta prática de identificação de eventos como instrumento de aprendizagem. Para isso, é fundamental entender o quão frágil são os processos assistenciais e quão escassas são as barreiras para que as falhas não aconteçam.

IBSP – Como a segurança do paciente é tratada nos países que já avançaram no tema?
Karina Pires – A primeira iniciativa mundial para Segurança do Paciente aconteceu em 2004 quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), preocupada com o cenário mundial da assistência à saúde, criou a World Alliance for Patient Safety. O principal objetivo desse programa era organizar os conceitos e as definições sobre segurança do paciente e propor medidas para reduzir os riscos e mitigar os eventos adversos.

A partir deste ponto, começamos a trabalhar em um conjunto de conceitos, organizados em uma estrutura que possibilita a identificação, a prevenção, a detecção e a redução do risco de eventos adversos.

Vale lembrar também a iniciativa das campanhas mundiais do IHI (Institute for Healthcare Improvement), que envolveu milhares de hospitais ao redor do mundo em duas de suas campanhas para salvar vidas.

IBSP – Como a segurança do paciente é tratada no Brasil atualmente?
Karina Pires – O Brasil ainda é iniciante na gestão da qualidade e segurança do paciente, visto que a metodologia nacional de acreditação em nosso País começou há pouco mais de 17 anos. Nossos dados oficiais mostram que, atualmente, menos de 10% das instituições de saúde são certificadas.

A iniciativa brasileira de maior impacto aconteceu em 1º de abril de 2013 com a publicação da Portaria nº 529 do Ministério da Saúde, que institui o Programa Nacional para Segurança do Paciente com o objetivo de contribuir para a qualificação do cuidado em saúde, em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional. Este é um processo em construção.

IBSP – Qual a importância do treinamento, da capacitação e do engajamento na segurança do paciente?
Karina Pires – Fazer gestão de pessoas na saúde é uma verdadeira arte. Considero que a gestão de pessoas é a arte de fazer coisas através das pessoas, e prestar atenção a elas é o que importa.

Motivar as pessoas e fazer com que todas olhem na mesma direção passa a ser uma tarefa de sobrevivência, especialmente quando se trabalha focado na segurança do paciente.

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