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Trabalhar em equipe significa mais segurança e qualidade para o paciente, afirma médico

Trabalhar em equipe significa mais segurança e qualidade para o paciente, afirma médico
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Apesar de historicamente conflituosa, prega-se hoje que a relação entre o médico e seus companheiros de trabalho deve ser respeitosa e de cooperação para se atingir o melhor resultado em prol de quem está sendo atendido

A relação entre o médico e outros profissionais de saúde precisa ser de respeito, humildade e vontade de ajudar para o alcanço dos melhores resultados para o paciente, acredita o Dr. Breno Figueiredo Gomes, Clínico Geral pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica, com MBA “Executivo em Saúde” pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, coordenador da equipe de clínica médica 5 da Rede Mater Dei de Saúde – BH (MG), membro do colegiado diretivo da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar.

Em entrevista exclusiva ao Portal de Segurança do Paciente do IBSP, ele comenta que se existe conflito, é porque há algo errado. “Em cuidado de saúde, não deve existir competição e, sim, cooperação”, diz Breno.

IBSP – No plano ideal, como deve ser a relação do médico com outros profissionais de saúde?
Breno Figueiredo Gomes – O médico precisa entender que ele é mais um dentro da equipe multiprofissional da saúde. Dentro de uma equipe, cada um possui sua importância e ninguém consegue os melhores resultados trabalhando sozinho. Respeito, humildade e vontade de ajudar devem pautar a atuação do médico no dia-a-dia com os demais profissionais envolvidos no cuidado. O médico pode e deve liderar a equipe ajudando os demais profissionais a prestarem o melhor serviço possível. Assumir este papel é indispensável.

IBSP – O conflito entre profissionais da medicina e da enfermagem é originado a partir da associação de diversos fatores que vão desde a constituição da equipe multiprofissional até as questões salariais?
Breno – Se existe conflito, está errado. A função do gestor é aparar estas arestas, caso existam, em prol de uma assistência mais segura e de qualidade. O enfermeiro deve ser o braço direito do médico em todos os sentidos. Cada um tem o seu papel, de extrema importância dentro do cuidado, que são complementares.

IBSP – Há disputa de poder entre médicos e enfermeiros? Como essa disputa pode impactar na qualidade de um atendimento?
Breno – Não, e assim como falei anteriormente, se existe, está errado. A enfermagem ocupou um espaço que o médico sempre desdenhou: a gestão. O médico, geralmente, tem dificuldade de acatar ordens, talvez alguns destes problemas tenham se originado aí. Novamente, volto a frisar, os tempos mudaram. O trabalho em equipe com a ajuda mútua em prol do paciente deve ser o que rege a saúde.

IBSP – A competitividade pode impactar na segurança do paciente, gerando danos e eventos adversos?
Breno – Em cuidado de saúde, não deve existir competição e, sim, cooperação. Dentro da mesma classe ou com os demais profissionais, o cuidado deve ser compartilhado e otimizado sempre. Cabe ao gestor inibir a competição ou transformá-la em estímulo para a melhoria contínua, o que é possível.

IBSP – As condições de trabalho influem na relação do médico com seus companheiros de outras áreas da saúde?
Breno –Claro. O médico trabalhando em condições inadequadas, sejam físicas ou emocionais, certamente fica mais vulnerável aos conflitos dentro da equipe. O próprio profissional deve buscar as melhorias do seu ambiente de trabalho propiciando maior satisfação própria e para os demais profissionais envolvidos.

IBSP – Ainda há profissionais da medicina que desdenham da importância de áreas como fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição?
Breno – Com certeza, mas saibam que, na medicina atual, não existe mais espaço para estes profissionais que se acham os deuses ou “donos da razão”. A humildade para reconhecer suas limitações e falhas é o combustível para a busca da melhoria contínua. O trabalho em equipe deve nortear o trabalho do médico.

IBSP – O bom médico é aquele que entende o valor de uma equipe multiprofissional para o bem de seu paciente?
Breno – Indiscutivelmente. Afinal de contas, a capacidade de relacionamento interpessoal é indispensável e tão importante quanto a capacidade técnica do médico. Trabalhar em equipe significa mais segurança e qualidade para o paciente.

*A Academia Brasileira de Medicina Hospitalar estará promovendo o II Congresso Brasileiro de Médicos Hospitalistas em Curitiba, entre 20 e 22 de Outubro de 2016, e que contará com a presença de membros do IBSP.

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