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No Brasil, projeto colaborativo em UTIs reduz significativamente taxas de IRAS

No Brasil, projeto colaborativo em UTIs reduz significativamente taxas de IRAS
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Redução média mensal de PAVM e ITU-CVD foram, respectivamente, de 33,8% e 45%

As infecções associadas à assistência à saúde (IRAS) aumentam a morbidade, a mortalidade e os custos da assistência. Nos hospitais brasileiros, pacientes com IRAS chegam a custar 55% por dia a mais ao sistema (1). Visando melhorar os indicadores e reduzir significativamente as taxas de infecções nas unidades hospitalares, o Ministério da Saúde conduziu um estudo em cinco UTIs clínico-cirúrgicas (2). O foco estava em implementar melhorias e comparar os resultados antes e depois das intervenções.

Foram analisadas as três principais IRAS da atualidade: pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM), infecções da corrente sanguínea associadas a cateter central (IPCS-cateter central) e infecções do trato urinário associadas a cateter (sonda) vesical de demora (ITU-CVD).

As intervenções seguiram o Modelo de Melhoria baseado no método Breakthrough Series (BTS) do Instituto for Healthcare Improvement (IHI). Com isso, hospitais de excelência capacitaram e monitoraram outras unidades hospitalares para o desenvolvimento de ciclos de melhoria da qualidade. O projeto durou 18 meses, iniciado em janeiro de 2018, e envolveu sessões de compartilhamento de dúvidas, experiências e resultados, bem como visitas educativas quadrimestrais e consultas on-line com facilitadores sobre modelo de melhoria, segurança do paciente, terapia intensiva e doenças infecciosas.

Além de monitorar as taxas das IRAS especificadas, a adesão aos bundles também foram analisadas. Eram eles:

  1. PAVM – Higiene bucal, cabeceira elevada entre 30° e 45°, redução da sedação, análise de possibilidade de extubação, manutenção da pressão correta do balonete dos tubos endotraqueais e do sistema de ventilação mecânica.
  2. IPCS-cateter central – Na inserção do cateter venoso central, verificação das indicações, das precauções de barreira máxima e da antissepsia da pele com clorexidina, seleção do local ideal e do curativo adequado; na manutenção, garantia da utilização correta do curativo.
  3. ITU-CVD – Na inserção do cateter urinário, verificação da indicação e da técnica asséptica; na manutenção, manutenção do sistema fechado, aplicação da técnica correta durante a manipulação da drenagem e higiene do meato uretral, verificação da necessidade de manutenção.

Os resultados – bastante positivos – mostraram que as medidas de prevenção não estavam sendo aplicadas com eficiência antes do projeto. Isso porque houve uma redução média mensal de 33,8% nas taxas de PAVM e de 45% nas de ITU-CVD. As quedas nas taxas de IPCS-cateter central não foram significativas, indicando, provavelmente, a necessidade de maior tempo de intervenção.

Importante destacar que o estudo não identificou redução nas taxas de mortalidade (até porque nem sempre o óbito é atrelado apenas às IRAS).

O modelo de melhoria utilizado neste estudo pode ser replicado em outras unidades de terapia intensiva a fim de melhorar as taxas de IRAS. O Brasil conta com o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS). A última edição (1), que considera o período de 2021 a 2024, está disponível para consulta.

Produzido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o documento define as metas e as ações estratégicas nacionais para a prevenção e o controle das IRAS nos serviços de saúde.

Referências:

 

(1) Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) – 2021 a 2025

(2) Partnership among hospitals to reduce healthcare associated infections: a quasi-experimental study in Brazilian ICUs

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