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Medicamentos estão por trás de 16% das reinternações hospitalares, aponta estudo europeu

Medicamentos estão por trás de 16% das reinternações hospitalares, aponta estudo europeu
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Revisão científica aponta associação entre exaustão, intenção de abandono da profissão e aumento de erros no atendimento odontológico

Pesquisa identificou que 4 em cada 10 readmissões relacionadas a medicamentos poderiam ter sido evitadas; erros de prescrição, falhas na transição do cuidado e não adesão ao tratamento estão entre as principais causas

Os medicamentos seguem sendo uma das intervenções terapêuticas mais utilizadas dentro dos serviços de saúde, mas também continuam associados a um número significativo de danos evitáveis aos pacientes. Um estudo realizado na Holanda reforça esse cenário ao demonstrar que 16% das reinternações hospitalares em até 30 dias após a alta estavam relacionadas ao uso de medicamentos e, mais preocupante ainda, 40% desses casos foram considerados potencialmente evitáveis. 

A pesquisa analisou 1.111 reinternações não planejadas em um hospital universitário holandês e buscou compreender não apenas a frequência desses eventos, mas também os fatores de risco, os tipos de erros envolvidos e os medicamentos mais frequentemente associados às readmissões.

Os resultados reforçam um problema já conhecido na segurança do paciente: falhas relacionadas à medicação continuam impactando diretamente a continuidade do cuidado, os custos assistenciais e a qualidade da assistência.

Erros de medicação 

A literatura internacional e os Boletins de Farmacovigilância da Anvisa já apontam que aproximadamente 5% a 6% das hospitalizações estão relacionadas ao uso de medicamentos, cenário ainda mais frequente entre pacientes idosos, devido às alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas ao envelhecimento, à presença de múltiplas doenças crônicas e à polifarmácia.

Além disso, estima-se que mais da metade dessas internações sejam potencialmente ou definitivamente evitáveis. Em pacientes hospitalizados, erros de medicação ocorrem, em média, em 5,7% das administrações de medicamentos, podendo alcançar índices próximos de 56% em estudos com monitoramento mais rigoroso.

Nesse contexto, os achados do estudo europeu reforçam a dimensão do problema. Entre as 181 reinternações relacionadas a medicamentos identificadas pelos pesquisadores, 72 foram classificadas como potencialmente evitáveis. 

Os principais fatores de risco associados às readmissões evitáveis foram:

  • maior número de alterações na prescrição durante a internação; 
  • histórico de três ou mais hospitalizações nos seis meses anteriores; 
  • presença de mudanças terapêuticas na alta hospitalar. 

Os pesquisadores também identificaram os medicamentos mais frequentemente envolvidos nessas reinternações:

  • antidiabéticos; 
  • diuréticos; 
  • laxantes; 
  • antitrombóticos; 
  • medicamentos para asma e DPOC. 

Falhas na transição do cuidado e na adesão ao tratamento 

Um dos pontos mais relevantes do estudo está na identificação dos tipos de erros de medicação envolvidos nas reinternações evitáveis.

Segundo os autores, 35% dos casos foram associados a erros de prescrição, outros 35% à não adesão ao tratamento e 30% a falhas na transição do cuidado. 

Entre os erros de prescrição mais comuns estavam:

  • subprescrição; 
  • dosagens inadequadas; 
  • monitoramento insuficiente da terapia medicamentosa. 

Já os erros de transição envolveram principalmente falhas de comunicação entre hospital, paciente e profissionais responsáveis pela continuidade do cuidado após a alta.

Os autores destacam que, mesmo com avanços recentes em reconciliação medicamentosa e sistemas informatizados, a comunicação segura sobre mudanças na medicação ainda permanece um desafio importante dentro dos serviços de saúde.

Outro ponto de atenção identificado foi a não adesão ao tratamento, considerada um problema multifatorial e frequentemente subestimado na prática clínica. Segundo o estudo, pacientes com baixa adesão possuem risco significativamente maior de reinternação.

Segurança medicamentosa exige abordagem sistêmica

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar estratégias voltadas à segurança medicamentosa, especialmente durante transições de cuidado, momento reconhecido como um dos mais vulneráveis da jornada assistencial.

Os pesquisadores apontam que intervenções mais robustas, envolvendo revisão clínica da farmacoterapia, reconciliação medicamentosa, educação do paciente, entrevistas motivacionais e acompanhamento pós-alta, podem reduzir significativamente o número de reinternações relacionadas a medicamentos.

O estudo também destaca que identificar pacientes de maior risco pode ser uma estratégia importante para direcionar recursos e intervenções mais intensivas.

Apesar das limitações metodológicas, os autores consideram que os resultados reforçam a necessidade de maior atenção aos danos relacionados a medicamentos como parte das estratégias de redução de reinternações hospitalares e fortalecimento da segurança do paciente.

Referências:

(1) Medication-Related Hospital Readmissions Within 30 Days of Discharge: Prevalence, Preventability, Type of Medication Errors and Risk Factors

(2) Boletim de Farmacovigilância – Erros de Medicação

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