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Farmacêuticos interceptam 93% dos erros de prescrição pediátrica antes que cheguem aos pacientes, aponta estudo 

Farmacêuticos interceptam 93% dos erros de prescrição pediátrica antes que cheguem aos pacientes, aponta estudo 
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Pesquisa identificou falhas em mais de um quarto das prescrições analisadas e reforça o papel estratégico dos farmacêuticos na prevenção de danos relacionados a medicamentos na atenção primária

Erros de medicação continuam entre os principais desafios da segurança do paciente em todo o mundo. Quando o assunto envolve crianças, o cenário se torna ainda mais complexo. Um estudo realizado em um centro de atenção primária da Arábia Saudita identificou que mais de um quarto das prescrições pediátricas continham algum tipo de erro. A boa notícia é que a grande maioria dessas falhas foi identificada pelos farmacêuticos antes que os medicamentos fossem dispensados aos pacientes.

Publicada recentemente, a pesquisa analisou 545 prescrições pediátricas ambulatoriais e encontrou erros em 142 delas, o equivalente a uma prevalência de 26,1%. Ao todo, foram identificados 145 erros individuais, já que algumas prescrições continham mais de uma falha.

Os resultados reforçam um tema cada vez mais discutido na segurança do paciente: a importância da atuação clínica do farmacêutico como uma barreira crítica para evitar que erros de prescrição se transformem em eventos adversos.

Erros de dose lideram as ocorrências

O estudo mostrou que os erros relacionados à dosagem foram os mais frequentes, representando 68,3% de todas as falhas identificadas. Em seguida apareceram erros relacionados à frequência de administração dos medicamentos (11%), seleção inadequada de medicamentos (9%), duração incorreta do tratamento (6,2%) e escolha inadequada da forma de aplicação (5,5%).

O resultado não surpreende, já que prescrição pediátrica exige cálculos individualizados baseados em fatores como peso, idade, área de superfície corporal e estágio de desenvolvimento da criança. Pequenos erros nesses cálculos podem resultar tanto em subdosagem quanto em toxicidade medicamentosa.

A pesquisa também identificou que os anti-histamínicos foram a classe terapêutica mais frequentemente associada a erros (24,7%), seguidos pelas cefalosporinas (14,8%) e pelos anti-inflamatórios não esteroidais (11,3%).

Outro dado relevante é que 78,2% dos erros ocorreram em medicamentos administrados por via oral, justamente a forma farmacêutica mais utilizada em pacientes pediátricos.

Polifarmácia aumenta significativamente o risco

Um dos achados mais importantes do estudo foi a associação entre o número de medicamentos prescritos e a ocorrência de erros. As prescrições contendo quatro medicamentos apresentaram taxas de erro de 47,3% e aquelas com cinco ou mais medicamentos atingiram 44,6%. Em comparação, prescrições contendo apenas um ou dois medicamentos apresentaram taxas próximas de 11%.

Com base nesses achados, os pesquisadores destacam que a polifarmácia já é reconhecida na literatura internacional como um dos principais fatores de risco para erros de prescrição, uma vez que aumenta a complexidade da tomada de decisão clínica e amplia as possibilidades de inconsistências.

A atuação do farmacêutico evitou danos aos pacientes

Talvez o dado mais relevante da pesquisa esteja relacionado à interceptação dos erros.Dos 145 erros identificados, 132 foram detectados antes de chegarem ao paciente. Isso representa aproximadamente 93% de todas as falhas encontradas.

Além disso, nenhum erro resultou em dano efetivo ao paciente. Não houve registros de eventos classificados nas categorias de maior gravidade, que incluem danos temporários, permanentes ou morte.

Para os autores, esse resultado evidencia de forma clara a importância do farmacêutico como uma das últimas barreiras de segurança dentro do processo de uso de medicamentos.

Interessante notar que a  identificação das falhas ocorreu principalmente por meio de três estratégias:

  • consulta a referências farmacêuticas reconhecidas, como BNFC, Lexicomp, Micromedex e Medscape;
  • recálculo independente das doses com base no peso da criança;
  • aplicação do julgamento clínico durante a revisão da prescrição.


Outro ponto que merece destaque é que a comunicação entre farmacêuticos e médicos foi fundamental já que, na maioria dos casos, os erros eram corrigidos com os farmacêuticos entrando em contato diretamente com os médicos prescritores para discutir a prescrição e sugerir ajustes. Segundo os autores, a maior parte dessas recomendações foi aceita pelos profissionais responsáveis pela prescrição.

As intervenções mais frequentes envolveram:

  • correção de doses;
  • ajustes na frequência de administração;
  • revisão da duração do tratamento;
  • alteração da forma farmacêutica;
  • substituição de medicamentos inadequados para determinadas faixas etárias.


Em situações consideradas de maior risco, os farmacêuticos chegaram a suspender a dispensação do medicamento até que a prescrição fosse revisada e corrigida.

Erros evitáveis exigem sistemas mais seguros

Embora os resultados demonstrem a efetividade da revisão farmacêutica, os pesquisadores ressaltam que o objetivo final deve ser reduzir a ocorrência dos erros antes mesmo que eles cheguem à farmácia. Entre as recomendações apresentadas pelo estudo estão:

  • registro sistemático e atualizado do peso dos pacientes;
  • utilização rotineira de referências pediátricas padronizadas;
  • implementação de verificações estruturadas para cálculo de doses;
  • adoção de sistemas eletrônicos de prescrição com suporte à decisão clínica específico para pediatria;
  • fortalecimento da atuação clínica do farmacêutico nos fluxos assistenciais.


Para os autores, a segurança medicamentosa em pediatria depende de uma combinação entre tecnologia, processos bem estruturados e colaboração interprofissional.

Referências:

(1) Prescribing Errors and Pharmacist Interventions in Paediatric Primary Health Care in Saudi Arabia: A Mixed-Methods Study

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