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Por que uma clínica de reprodução humana decide buscar a acreditação ONA?

Por que uma clínica de reprodução humana decide buscar a acreditação ONA?
Reprodução
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Fundador da Clínica Genics conta como a preparação para a acreditação impacta processos, profissionais e a busca por mais segurança e qualidade na assistência

Da recepção do paciente ao laboratório de embriologia, uma clínica de reprodução humana reúne processos que precisam funcionar de maneira integrada. Consultas, exames, medicamentos, procedimentos anestésicos, coleta de óvulos, desenvolvimento embrionário, criopreservação e análises genéticas são apenas algumas das etapas que podem fazer parte de uma jornada marcada, ainda, por expectativas e por uma importante carga emocional.

É nesse cenário que a Clínica Genics decidiu se preparar para conquistar a acreditação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e está sendo atendida pelo IBSP nesse processo, visto que a recente atualização do Manual para Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde (OPSS) para o ciclo 2026–2029 da ONA possibilita, aos serviços de reprodução humana, fazerem parte do escopo elegível para acreditação (leia mais sobre essa atualização AQUI).

Para Philip Wolf, fundador, diretor e responsável técnico da Clínica Genics, a inclusão ocorre em um momento de amadurecimento do próprio setor onde a reprodução humana tornou-se uma atividade que exige não apenas excelência médica e laboratorial, mas também organizações capazes de estruturar seus processos assistenciais, administrativos e de gestão.

“O consultório tem que atender de maneira individualizada, personalizada e humanizada. Depois, esse paciente segue para uma jornada que pode envolver indução da ovulação, várias idas à clínica, procedimento anestésico, coleta de óvulos, desenvolvimento embrionário e resultados positivos ou negativos. Tudo isso precisa ser feito por pessoas treinadas e com processos muito bem estabelecidos”, afirma.

Acreditação ajuda a olhar para toda a jornada

Na avaliação de Wolf, um dos principais ganhos proporcionados pela preparação para a acreditação está justamente na possibilidade de organizar essa complexidade, já que a jornada começa antes do procedimento propriamente dito, passa pelo primeiro contato, recepção e acolhimento, e segue pela consulta médica, exames e definição da conduta, podendo avançar para diferentes tratamentos e procedimentos. Ao longo desse caminho, entram ainda questões administrativas, financeiras, jurídicas e relacionadas à proteção das informações do paciente.

Por isso, a qualidade do atendimento não depende somente do desempenho de cada área isoladamente. “A certificação da ONA traz um alicerce. Ela ajuda a estruturar processos, procedimentos e condutas e também a preparar a clínica para lidar com as não conformidades que podem surgir. Com processos bem estabelecidos, conseguimos ter muito mais rastreabilidade”, explica Wolf. Tudo isso, segundo o diretor, permite antecipar riscos e definir previamente como a equipe deve agir diante de situações que escapem do percurso esperado.

Não é possível eliminar todos os riscos, mas é possível se preparar para eles

Para Wolf, a acreditação estimula a discussão sistemática de procedimentos operacionais padrão, protocolos e mecanismos de rastreabilidade, ajudando a organização a identificar vulnerabilidades antes que elas resultem em problemas. Isso não significa pressupor uma assistência sem intercorrências, mas sim reconhecer riscos, responder aos eventos e aprender com eles. “Medicina não é uma ciência exata. Se alguma coisa acontecer, precisamos conseguir aprender, voltar aos nossos processos, identificar onde houve uma lacuna e corrigir o que for necessário ao longo do caminho”, diz.

Na reprodução humana, há uma particularidade importante: um tratamento tecnicamente adequado não necessariamente terminará em gravidez ou no nascimento de um bebê. Idade, condições clínicas e diferentes variáveis biológicas influenciam as possibilidades de sucesso. Por isso, na avaliação de Wolf, excelência não pode ser associada exclusivamente ao resultado final. Ela precisa estar presente também na maneira como a assistência é prestada durante toda a jornada.

“Transparência e ética precisam caminhar lado a lado. O objetivo é entregar ao paciente excelência e acolhimento, independentemente de o resultado ser positivo ou negativo”, afirma.

O que muda para quem trabalha na clínica?

Wolf considera que o envolvimento das equipes com o processo de acreditação pode contribuir para o amadurecimento profissional. À medida que os colaboradores participam da construção e da revisão das rotinas, passam também a compreender melhor as razões por trás de cada procedimento e sua participação no resultado final. “Os processos são gerados com a participação das pessoas, e isso ajuda o profissional a enxergar o nível de excelência que se pretende alcançar”, avalia. Isso sem falar que uma instituição com processos claros, responsabilidades definidas e decisões discutidas coletivamente oferece à equipe maior compreensão sobre como e por que o trabalho deve ser realizado.

Acreditação também comunica algo para o mercado

Para Wolf, a acreditação também funciona como uma forma de demonstrar para pacientes, profissionais e mercado que a organização submeteu seus processos a critérios estruturados de qualidade e segurança, o que ganha relevância em um segmento no qual a decisão sobre onde realizar o tratamento envolve aspectos que ultrapassam a tecnologia disponível ou as taxas de sucesso apresentadas pela clínica. 

Assim, na avaliação do diretor, a acreditação ajuda a tornar visível o trabalho que existe por trás da assistência: padronização, treinamento, rastreabilidade, protocolos, gestão de riscos, proteção das informações e revisão permanente dos processos. O próprio avanço pelos diferentes níveis de acreditação é visto por ele como parte de um processo de maturidade organizacional, no qual novas exigências estimulam a instituição a continuar aperfeiçoando sua gestão.

Consultoria do IBSP traz um olhar externo para encontrar novas possibilidades

A Clínica Genics está percorrendo esse caminho com a consultoria do IBSP o que, na visão de Wolf, permite à equipe observar processos já conhecidos por uma perspectiva diferente. “O IBSP foi um porto seguro para a Clínica Genics abrindo nossos olhos para o fato de que, independentemente de eventos adversos ou não conformidades, podemos sempre melhorar, buscar excelência e procurar respostas para perguntas que, muitas vezes, só conseguimos fazer depois que alguma coisa acontece”, afirma.

Segundo ele, a consultoria também trouxe conhecimento para transformar situações já vivenciadas em aprendizado e prevenção. “O IBSP abriu um mar de conhecimento e informações sobre como podemos ser melhores naquilo que fazemos e como podemos aprender com aquilo que deixamos de fazer. Ter a ajuda de pessoas sérias, comprometidas e cujo principal interesse é fazer diferença não tem preço”, completa.

A área de reprodução humana entrou recentemente na lista de serviços elegíveis à acreditação ONA e a experiência da Clínica Genics mostra que o processo pode representar mais do que a busca por um certificado, já que coloca a própria organização para analisar como os processos se conectam, onde estão os riscos, como as equipes respondem às falhas e o que ainda pode ser aperfeiçoado para tornar mais segura uma jornada especialmente complexa e sensível para o paciente.

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