NOTÍCIAS

Segurança do Paciente

Disfagia é fator de risco para broncoaspiração

Disfagia é fator de risco para broncoaspiração
5
(1)

IBSP: Segurança do Paciente - Disfagia é fator de risco para broncoaspiraçãoA broncoaspiração (1), definida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) como a entrada de substâncias estranhas nas vias aéreas inferiores, desencadeia complicações como doenças pulmonares e desnutrição grave e pode, inclusive, levar a óbito. É uma condição que aumenta as taxas de morbidade, mortalidade e prolonga o tempo de internação. Nesse cenário, a disfagia – dificuldade de deglutição – surge como um dos principais fatores de risco.

“Em pacientes disfágicos, a passagem inadequada de alimentos ou de conteúdo gástrico que podem seguir o percurso errado, parando nos pulmões, leva a episódios de broncoaspiração mais graves. Como o mecanismo de proteção das vias aéreas desses pacientes está comprometido, eles não conseguem se proteger desses eventos”, comenta a fonoaudióloga mestre pelo Departamento de Neurologia da Universidade de São Paulo, Luísa Espezzano Bombini.

Para uma boa gestão de risco, a preocupação e dedicação deve ser multidisciplinar. “Qualquer profissional que atenda esse paciente precisa estar atento sabendo investir em estratégias de prevenção e também de manejo desse paciente depois que o evento ocorre”, complementa Luísa enfatizando que a fonoaudiologia, por exemplo, tem atuação marcante por focar no tratamento não medicamentoso da disfagia, mas que a enfermagem também é extremamente relevante, já que estará rotineiramente na assistência, cuidando inclusive da administração dos medicamentos, assim como a equipe de nutrição que precisa ter esse olhar para definir como deve ocorrer a ingestão dos alimentos.

São diversas as estratégias de prevenção possíveis. Estudo (2) realizado em 2018 por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe, avaliou 43 pacientes com risco de broncoaspiração por disfagia orofaríngea, tendo observado o predomínio de neuropatias e de disfagia orofaríngea neurogênica grave. Na ocasião, constatou que, após avaliação clínica e identificação do risco, a utilização de placas sinalizadoras nos leitos como forma de gerenciamento desse risco demonstra ser uma medida promissora para a redução de eventos adversos.

A AMIB ainda aponta outras ações ativas da equipe de saúde para prevenir eventos de broncoaspiração: aspiração de vias aéreas superiores sempre que necessário; em caso de vômito e distensão abdominal, interrupção da dieta seguida de abertura da sonda para drenagem; administração de dieta via oral sempre realizada com o paciente sentado, a menos que haja contraindicação médica e com atenção redobrada a sinais de alerta como tosse, engasgo, cianose, sudorese e voz molhada; manutenção da pressão do Cuff (balonete) de TOT (tubo orotraqueal) e TQT (traqueostomia); e em pacientes pediátricos com dieta intermitente, realização do teste de refluxo a cada 4 ou 6 horas e interrupção da infusão e comunicação ao médico caso o volume de refluxo seja superior a 50% do infundido.

Educação continuada

A prevenção à broncoaspiração é um dos temas de cursos disponíveis na plataforma de educação continuada do IBSP. Intitulado “Protocolo de Prevenção de Broncoaspiração” e voltado a profissionais atuantes nas diversas áreas da saúde, bem como a alunos do último ano de graduação de enfermagem, fonoaudiologia, medicina e fisioterapia, o curso tem quatro horas de duração. “Este curso envolve questões conceituais sobre disfagia e broncoaspiração. Levantamos os conceitos de forma clara, explicando quais sinais, sintomas e grupos de risco os profissionais devem observar”, comenta Cíntia Matsuda Toledo Marcelo, fonoaudióloga doutora pelo departamento de Comunicação Humana da USP e que, ao lado de Luísa Bombini, ministra o curso.

Durante as aulas também são abordados a importância dos indicadores para o gerenciamento desses pacientes e o quanto esses dados contribuem para medição de desempenho e performance. “Com os indicadores conseguimos comparar resultados e buscar modificações”, finaliza Cíntia. Clique AQUI para saber mais sobre o curso.

Referências:

(1) AMIB – Broncoaspiração – Unidos para a prevenção

(2) Gerenciamento do risco de broncoaspiração em pacientes com disfagia orofaríngea

 

Avalie esse conteúdo

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 1

Outros conteúdos do Acervo de Segurança do Paciente

Tudo
materiais-cientificos-icon-mini Materiais Científicos
noticias-icon Notícias
eventos-icon-2 Eventos