Gravação está disponível no IBSP Conecta; encontro realizado no Dia Mundial da Segurança do Paciente mostra que segurança também envolve prevenção, diagnóstico e acompanhamento de condições que afetam milhões de pessoas por anos
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) estão associadas a cerca de 75% das mortes no mundo, o equivalente a 43 milhões de óbitos por ano. Desse total, aproximadamente 18 milhões ocorrem prematuramente, antes dos 70 anos. Os números ajudam a dimensionar por que a segurança do paciente diante dessas condições foi escolhida como tema da campanha do Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026.
Para aprofundar essa discussão, o IBSP promoveu, em 17 de setembro, uma live especial apresentada pelo diretor Científico do Instituto, Lucas Zambon. Com o tema “Cuidado seguro para a vida”, o encontro abordou os desafios relacionados à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento das doenças crônicas não transmissíveis.
Logo no início da apresentação, Zambon chamou a atenção para um ponto importante: a discussão proposta pela campanha não deve ficar restrita à data ou ao mês em que ela é realizada. “Essa escolha é um alerta de algo que precisamos incorporar nos sistemas de saúde sem deixar que o cenário seja trabalhado somente durante o mês de setembro. Fica sempre a minha sugestão de aproveitar o tema do ano para ver o que é possível incorporar na organização em que trabalhamos”, afirmou.
A partir daí, Zambon apresentou os quatro principais objetivos da campanha: conscientização, engajamento, integração e apoio. Ele também trouxe dados para mostrar por que as DCNT representam um dos grandes desafios atuais para os sistemas de saúde.
Viver mais também transforma as necessidades de saúde
Um dos pontos abordados durante a live foi a mudança da expectativa de vida da população mundial ao longo do tempo. Com base em dados do Our World in Data, Zambon mostrou que, no século XIX, a expectativa de vida não chegava aos 40 anos na maior parte do mundo, inclusive em regiões da Europa e das Américas onde os indicadores já eram mais elevados.
O cenário começou a se transformar de maneira expressiva ao longo do século seguinte. Na década de 1950, diversos países já registravam expectativa de vida superior a 50 ou 60 anos. Em 2015, grande parte do mundo havia ultrapassado os 70 anos, enquanto alguns países já superavam os 80.
Essa transformação ajuda a compreender a importância adquirida pelas doenças crônicas não transmissíveis. Diferentemente de condições agudas, muitas delas exigem acompanhamento durante períodos prolongados e colocam para pacientes, profissionais e sistemas de saúde o desafio de manter um cuidado seguro ao longo do tempo. Entre as DCNT de maior prevalência estão quatro grandes grupos: doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes.
No Brasil, mais de três quartos das mortes estão relacionadas às DCNT
O encontro também apresentou um recorte da situação brasileira. Segundo os dados do Banco Mundial mostrados durante a live, 76,2% de todas as mortes no país foram atribuídas às doenças crônicas não transmissíveis. Entre esses óbitos, 30,8% foram considerados prematuros.
“A gente tem que entender que a segurança precisa acontecer em diferentes etapas, seja no paciente já em tratamento, na fase de diagnóstico e na fase antes do diagnóstico, que tem a ver com a prevenção do desenvolvimento dessas doenças. Tudo isso pode ser encarado como aspectos da segurança do paciente”, explicou Zambon.
No caso das DCNT, pensar em segurança envolve também reconhecer fatores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento ou agravamento dessas doenças e criar condições para prevenção, diagnóstico adequado e continuidade do cuidado. Por isso, ao longo da apresentação, Zambon detalhou os principais fatores de risco comportamentais, metabólicos e ambientais relacionados às doenças crônicas não transmissíveis.
Da mesma forma, a responsabilidade não está concentrada em apenas um ator e a live aborda o papel de pacientes e cuidadores, profissionais de saúde, gestores das organizações de saúde, formuladores de políticas e lideranças e sociedade civil. Cada grupo com possibilidades distintas de atuação.
A live realizada pelo IBSP aprofunda essas e outras questões e permanece disponível na íntegra no acervo do IBSP Conecta para todos os assinantes.
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