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Falhas no diagnóstico – Amplo risco para o paciente

Falhas no diagnóstico – Amplo risco para o paciente
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IBSP: Segurança do Paciente - Falhas no diagnóstico – Amplo risco para o paciente

Erros de diagnóstico nem sempre são facilmente identificados, visto que existem definições e terminologias variadas e, até mesmo, discordância no meio científico sobre o que especificamente constitui um erro de diagnóstico (que pode envolver atrasos, perdas e apontamentos incorretos). Porém, a relação direta entre um erro de diagnóstico e a segurança do paciente é incontestável.

Para minimizar a falta de concordância, o Comitê de Erro Diagnóstico em Cuidados de Saúde do Instituto de Medicina dos EUA apresentou, na publicação Improving Diagnosis in Health Care, uma definição mais certeira: erro de diagnóstico é a falha em estabelecer uma explicação acurada e oportuna para o problema de saúde do paciente ou a falha em comunicar essa explicação ao paciente1.

Essa definição é ideal para explicar um dos casos de erros mais conhecidos do país. Em 2015, a atriz Julia Lima, 27 anos de idade, foi internada em um grande hospital privado da cidade de São Paulo após sentir fortes dores no cóccix, sendo constatada Síndrome de Cockett, na qual a veia ilíaca é comprimida pela artéria.

Operada dois dias depois de sua entrada na unidade hospitalar, a jovem, ainda na unidade de terapia intensiva (UTI), iniciou uma sequência de complicações enquanto era medicada com anticoagulante. Entre os sintomas estavam dificuldade para respirar e episódios de vômito com sangue.

O que foi descoberto é que as queixas de Julia não foram valorizadas. Consequentemente, não foi identificado que era necessário interromper a medicação anticoagulante. Na ocasião, os familiares que acompanhavam a jornada da jovem no hospital apresentaram inúmeras queixas ao corpo clínico, que respondia que os sintomas pela paciente apresentados eram normais de seu quadro. Julia faleceu após 18 horas de indefinições.

O que dizem os números – Na atenção primária, nem sempre é fácil identificar esses erros, porém um estudo norte-americano realizado em 20142 aponta que, nos Estados Unidos, há uma taxa de erros de diagnóstico ambulatorial na faixa de 5,08%, ou seja, eventos que atingem cerca de 12 milhões de adultos em território norte-americano. Assim, a estimativa é de que 1 a cada 20 cidadãos tenha enfrentado – ou enfrentará – uma situação de erro de diagnóstico no atendimento ambulatorial.

Explorando a visão de médicos e enfermeiros sobre a ocorrência de eventos adversos, uma pesquisa realizada na Polônia3 aponta que 86,5% dos entrevistados já participaram de um evento adverso, sendo que 16,2% desses erros estavam relacionados à diagnóstico. Além disso, abrindo espaço para que os profissionais apontem suas principais queixas, o estudo diz que 87,5% dos médicos culpam a carga excessiva de trabalho pelos erros, e apontam também outros fatores como ausência de treinamento, motivação e apoio.

O documento Improving Diagnosis in Health Care1 também traz dados relevantes sobre o impacto dos erros de diagnóstico na segurança do paciente. Segundo a publicação, pesquisas confirmam que esses erros contribuem para até 10% das mortes de pacientes. Menciona, também, que o Harvard Medical Practice Study, que revisou uma sequência de prontuários médicos, identificou erros de diagnóstico em 17% dos eventos adversos ocorridos em pacientes hospitalizados.

Como minimizar as chances de erros – O documento do Instituto de Medicina traz oito objetivos para reduzir os erros de diagnóstico, recomendações que devem ser aplicadas por todos os membros da equipe de diagnóstico de cuidado a saúde e seu atendimento.

  • Facilitar e melhorar o trabalho em equipe tornando-o mais eficaz para o processo de diagnóstico ocorrido entre profissionais de saúde, paciente e suas famílias
  • Aprimorar a educação e o treinamento dos profissionais de saúde no processo de diagnóstico
  • Garantir que as tecnologias da informação em saúde apoiem ​​pacientes e profissionais durante o processo de diagnóstico
  • Desenvolver e implantar abordagens para identificar, aprender e reduzir erros de diagnóstico e possíveis acidentes na prática clínica
  • Estabelecer sistema de trabalho e cultura que ofereçam suporte ao processo de diagnóstico e promovam melhorias no desempenho
  • Desenvolver relatórios e um sistema de accountability médico que facilite o diagnóstico aprimorado, aprendendo com erros e incidentes
  • Fornecer financiamento à pesquisa sobre o processo e sobre erros de diagnóstico

O erro que ensina – Após a morte de Julia Lima, seu pai, o engenheiro Francisco Cruz Lima, passou a pesquisar sobre segurança do paciente e atuou para promover mudanças nos procedimentos a fim de evitar outras mortes similares à da sua filha. Reforçando a importância da relação transparente e harmoniosa entre paciente e corpo clínico, Lima concedeu uma entrevista ao portal do IBSP (clique AQUI para conferir) na qual relata o ocorrido e enfatiza a importância da humanização das unidades de terapia intensiva para maior segurança do paciente e para a criação de protocolos para minimizar esse tipo de risco de evento adverso.

A batalha contínua de Lima resultou em melhorias no hospital cenário do erro que estabeleceu mudanças nos procedimentos e na conduta dos profissionais de saúde, criando inclusive o Programa de Segurança do Paciente naquela unidade hospitalar.

IBSP: Segurança do Paciente - Falhas no diagnóstico – Amplo risco para o paciente

Referências:

(1) Improving Diagnosis in Health Care

(2) The frequency of diagnostic errors in outpatient care: estimations from three large observational studies involving US adult populations

(3) Occurrence of adverse events in the activity of hospital wards in the opinions of doctors and nursing management staff

 

 

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