Vídeos que analisam incidentes nacionais e internacionais aproximam o tema da rotina dos profissionais de saúde e transformam experiências reais em oportunidades de aprendizado
Casos reais de incidentes assistenciais, alguns deles com grande repercussão pública, passaram a integrar a estratégia do IBSP para ampliar a conscientização sobre riscos na assistência e levar conhecimento sobre segurança do paciente a um público cada vez maior nas redes sociais.
Desde o final do primeiro trimestre deste ano, o Instituto publica no Instagram vídeos nos quais executivos e especialistas analisam casos ocorridos no Brasil e no exterior, contextualizando os eventos e, principalmente, discutindo os aprendizados que podem ser extraídos deles. Alguns conteúdos já alcançaram cerca de 2 milhões de visualizações.
Com uma comunidade que atualmente reúne 130 mil seguidores no Instagram, o IBSP encontrou nas redes sociais uma forma de complementar o trabalho de disseminação de conhecimento que já realiza por meio de artigos científicos, conteúdos educacionais e iniciativas de formação, como o IBSP Conecta.
A proposta não é apenas relatar o que aconteceu. Cada caso funciona como ponto de partida para discutir riscos, barreiras de segurança, processos assistenciais e cultura organizacional. A cada novo vídeo, o Instituto também disponibiliza materiais complementares para quem deseja se aprofundar no assunto abordado.
De casos reais que chamam atenção ao conhecimento que pode prevenir novos eventos
A escolha de histórias reais parte da percepção de que situações concretas facilitam a identificação dos profissionais com o tema e ajudam a tornar conceitos de segurança do paciente mais próximos da rotina assistencial. Segundo Karina Pires, diretora de Novos Negócios do IBSP, a iniciativa nasceu justamente da necessidade de ampliar essa percepção.
“A segurança do paciente é, hoje, uma das grandes preocupações de saúde pública no mundo e percebemos que essa urgência ainda não chegou com a mesma força ao dia a dia da população e, principalmente, dos profissionais de saúde. Foi dessa lacuna que nasceu a série: queríamos tirar o tema do abstrato e trazê-lo para perto das pessoas, usando histórias reais para mostrar, na prática, como os riscos se manifestam na assistência e como cada dimensão da segurança pode, e deve, ser protegida”, explica.
A estratégia também amplia para as redes sociais um princípio já adotado pelo IBSP em seu portal: combinar comunicação acessível com rigor técnico e científico. Ao ocupar um ambiente capaz de alcançar profissionais de diferentes áreas, instituições, estudantes e formadores de opinião, o Instituto busca construir uma consciência coletiva sobre riscos, qualidade e segurança.
O retorno do público reforça essa possibilidade. Segundo Karina, profissionais relatam reconhecer nos vídeos situações semelhantes às vivenciadas em seus próprios ambientes de trabalho e perceber riscos que anteriormente passavam despercebidos. Os conteúdos também começaram a ser utilizados em universidades como ferramenta de apoio pedagógico.
Casos reais ajudam a enxergar além do erro individual
Uma das preocupações do projeto é evitar que a discussão de eventos adversos se transforme em uma busca simplificada por culpados. Essa abordagem ganha especial importância nos episódios envolvendo óbitos, danos graves, crianças e outros pacientes vulneráveis, situações que naturalmente provocam maior comoção.
Ao analisar os casos, os especialistas procuram ampliar a discussão para os diferentes fatores que podem ter contribuído para o incidente. Falhas de comunicação, problemas de liderança, fragilidades nos processos e barreiras de segurança insuficientes aparecem entre os aspectos que merecem ser investigados.
Para Karina, muitos dos episódios que mais chamam a atenção são justamente aqueles nos quais medidas simples e já conhecidas poderiam ter evitado o dano.
“Quando analisamos a fundo, percebemos, na maioria das vezes, que não faltou conhecimento técnico, mas sim falhas de comunicação, de liderança ou de processos. Isso mostra que a segurança do paciente depende menos de heroísmo individual e muito mais de sistemas bem desenhados e de uma cultura que valorize o relato e o aprendizado”, afirma.
Essa perspectiva também ajuda a mostrar que a existência de protocolos, embora fundamental, não garante sua aplicação consistente. Sobrecarga de trabalho, déficit de profissionais, limitações de infraestrutura e uma cultura ainda punitiva podem ampliar a distância entre as práticas recomendadas e aquilo que efetivamente acontece na assistência.
Conteúdo das redes também chega à formação profissional
A repercussão dos vídeos fez com que os casos ultrapassassem o ambiente das redes sociais. O IBSP também passou a utilizá-los em suas iniciativas educacionais, transformando situações reais em ferramentas para discussão e aprendizagem.
Os casos são empregados, por exemplo, nas tutorias síncronas do Programa de Qualificação Multiprofissional em Segurança do Paciente (PQMSP), formação baseada no Patient Safety Curriculum Guide da Organização Mundial da Saúde e chancelada pela International Society for Quality in Health Care (ISQua).
Por meio de metodologias ativas, os alunos analisam os eventos, discutem riscos e refletem sobre possíveis barreiras e estratégias de prevenção. Dessa maneira, um caso que inicialmente chama a atenção no feed passa a integrar uma discussão estruturada sobre como tornar a assistência mais segura.
Segurança do paciente para além dos profissionais de saúde
A estratégia do IBSP também tem um objetivo de longo prazo: ampliar o conhecimento sobre segurança para além dos ambientes profissionais. Ao aproximar o tema da população, o Instituto pretende contribuir para que pacientes e familiares desenvolvam maior compreensão sobre riscos e também sobre seu papel na própria segurança durante o cuidado em saúde.
Novos temas já estão no radar. Entre eles estão a segurança psicológica dos profissionais envolvidos em incidentes (frequentemente chamados de “segundas vítimas”) e os riscos relacionados ao cuidado fora do ambiente hospitalar, incluindo atenção primária e assistência domiciliar.
Com a continuidade da iniciativa, o IBSP pretende usar o alcance das redes não apenas para divulgar episódios que despertam atenção, mas para fazer com que cada história gere conhecimento aplicável.
Avalie esse conteúdo
Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0