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Implementação do Programa Nacional de Segurança do Paciente promoveu melhorias na Cultura de Segurança

Implementação do Programa Nacional de Segurança do Paciente promoveu melhorias na Cultura de Segurança
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Em 2013 o Brasil implementou o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) como estratégia para melhorar a qualidade da assistência, promovendo ações alinhadas às recomendações do National Quality Forum (NQF). Poderíamos afirmar que esse movimento impactou positivamente os hospitais instalados em território brasileiro? De acordo com estudo (1) conduzido no Rio Grande do Norte, é possível que tenha ocorrido uma influência positiva. A implantação do programa nacional parece ter otimizado a cultura de segurança das organizações, mesmo que em ritmos diferentes.

O estudo selecionou três hospitais potiguares (um estadual, um federal e um privado) para análises sobre o cenário das instituições seis meses antes e 15 meses após a implantação do PNSP. Para a avaliação, utilizou o questionário Hospital Survey on Patient Safety Culture adaptado à realidade brasileira. Composto por 42 perguntas sobre 12 dimensões da cultura de segurança, o questionário é bastante utilizado ao redor do mundo.

De modo geral, a implementação do PNSP motivou a criação de infraestrutura e implementação de atividades focadas em melhorar a cultura de segurança nos três hospitais. Porém, o ritmo das mudanças diferiu em cada um deles.

Durante 2013, ano da implementação do PNSP, o hospital privado participante do estudo desenvolveu o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), iniciou um sistema de notificação de incidentes e concebeu um plano de segurança, incluindo a implementação dos seis protocolos-base. No mesmo período, o hospital federal deu início ao sistema de notificação e à implantação do protocolo para cirurgia segura, mas o hospital estadual permaneceu sem o NSP e quaisquer outras atividades focadas em melhorar a segurança do paciente na instituição. Quando, em janeiro do ano seguinte (2014), o Programa Nacional de Segurança do Paciente passou a ser obrigatório, os dois hospitais públicos aderiram criando o NSP.

Interessante observar que a cultura de segurança aumentou em todas as dimensões nos dois hospitais públicos (estadual e federal), sendo que “percepções gerais de segurança do paciente” e “apoio da gestão para segurança do paciente” foram as com melhorias mais significativas, seguidas por “resposta não punitiva a erros” e “trabalho em equipe dentro da unidade”. Paralelamente, o hospital privado apresentou melhorias em somente 10 dimensões, em cinco delas as melhorias foram significativas.

Por fim, considerando o número de pontos fortes e fracos, o hospital privado aumentou de 1 para 3 pontos fortes e diminuiu de 5 para 2 pontos francos (dentro do questionário de cultura de segurança). Enquanto isso, o hospital federal subiu de 0 para 2 pontos fortes e diminuiu de 9 para 3 pontos fracos. O hospital estadual, que deu início mais tarde às atividades de melhoria da cultura de segurança, diminuiu de 12 para 8 pontos fracos, mas não atingiu o nível esperado de força em nenhuma das dimensões analisadas.

É compreensível que o hospital privado – que inclusive era o único que tinha algum tipo de acreditação – tenha apresentado esse resultado. Como no início das avaliações ele tinha os melhores índices, é natural que bons indicadores sejam mais difíceis de melhorar do que indicadores ruins. Ao mesmo tempo, como o hospital estadual iniciou as atividades mais tarde, as melhorias tardam mais.

Importante lembrar que, seguindo as instruções do National Quality Forum (NQF), a cultura de segurança em ambientes de saúde é promovida por meio de quatro intervenções principais:

  1. implementação de estruturas e sistemas de liderança que promovam a cultura de segurança
  2. monitoramento do nível da cultura de segurança e divulgação dos resultados para intervenções de melhorias
  3. educação dos profissionais de saúde quanto à aquisição de habilidades de segurança e melhoria do trabalho em equipe
  4. identificação e redução contínua dos riscos nos cuidados de saúde

Com essas diretrizes, as instituições podem fortalecer os seus planos de segurança do paciente, melhorando a qualidade da assistência e reduzindo os riscos.

“Modificar a Cultura de Segurança das organizações de saúde não é tarefa fácil e exige comprometimento contínuo da gestão do serviço no sentido de reforçar estruturas e processos que possam viabilizar um patamar de segurança do paciente como desejamos”, comenta Lucas Zambon, diretor científico do IBSP. “Ainda que instrumentos para medir a Cultura tenham limitações, são os guias que atualmente temos disponíveis para direcionar onde devemos agir para obter melhorias consistentes, uma vez que apenas implementar um NSP não é suficiente para modificar o cenário”, complementa o médico.

Referências:

(1) Improvements in Patient Safety Structures and Culture following Implementation of a National Public Program: An Observational Study in Three Brazilian Hospitals

 

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