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Integração das equipes e estrutura dos serviços são essenciais para o rápido atendimento em casos de AVC

Integração das equipes e estrutura dos serviços são essenciais para o rápido atendimento em casos de AVC
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IBSP: Segurança do Paciente - Integração das equipes e estrutura dos serviços são essenciais para o rápido atendimento em casos de AVCDia 29 de outubro marca o Dia Mundial do AVC, segunda principal causa de morte (1) no mundo e terceira de incapacidade segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando um paciente sofre um acidente vascular cerebral e o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido, a pressa é necessária. “A cada minuto de atraso para reestabelecimento do fluxo são perdidos 1,9 milhão de neurônios”, comenta Marcelo Calderaro, coordenador regional de Neurologia na UnitedHealth Group, coordenador de equipe de Neurologia do Hospital Samaritano-Higienópolis e médico colaborador do grupo de Estudos em Emergências Neurológicas do HCFMUSP.

Felizmente a ciência avança rapidamente e, nos últimos cinco anos, as diretrizes vêm sendo frequentemente revistas. Publicada em 2019 (2), uma nova atualização traz recomendações sobre o atendimento pré-hospitalar, a avaliação de urgência e emergência, e o tratamento com administração intravenosa e com terapias intra-arteriais, além de tratar da gestão intra-hospitalar e abordar medidas de prevenção muitas vezes iniciadas durante a hospitalização inicial. Cita, também, a estruturação dos serviços de saúde e fortalece o conceito de que uma equipe bem treinada é essencial para que o atendimento seja rápido e preciso.

“Além do conceito de ‘time is brain’, há também o conceito de ‘team is brain’”, diz Calderaro. Para o especialista, não basta conhecer o guideline; é necessário ter infraestrutura adequada e uma equipe bem treinada. “É preciso investir em uma lógica organizacional que promova o treinamento eficiente para todos”, complementa.

Uma analogia muito próspera, na visão do especialista, está na Fórmula 1, mais especificamente no pit stop, quando os carros param nos boxes para abastecer o combustível e fazer trocas de pneus. Antigamente, na década de 1950, essa parada levava mais de 1 minuto. Em 2019, uma das equipes do Grande Prêmio conseguiu fazer um pit stop completo em menos de 2 segundos. Essa agilidade só foi possível devido a um excelente sincronismo da equipe (clique AQUI para assistir a um vídeo que compara a realidade do pit stop nesses dois momentos e compreender a relevância do trabalho em equipe).

“Hoje toda a equipe da Fórmula 1 está preparada para receber o carro que chega em alta velocidade, porém, com todos sabendo exatamente qual sua função e posição, a parada é muito rápida e ninguém sai ferido”, comentou fazendo a relação com a necessidade de toda a equipe médica estar pronta para receber e atender o paciente acometido por um AVC da forma mais ágil e segura possível.

Essa relação entre o atendimento ao AVC e a Fórmula 1 faz todo o sentido. Tanto que o especialista enfatiza que pensar na relevância da equipe para a segurança do atendimento é um conceito que a medicina importou da engenharia de produção. “É a cadeia de produtividade, de sempre fazer mais rápido com a maior eficiência possível”, completa.

Além de ter uma equipe preparada para receber esse paciente que acaba de sofrer um AVC e intervir com agilidade, é preciso que a unidade de saúde esteja equipada e com a infraestrutura adequada para tomar as atitudes corretas diante de cada diagnóstico e evidência. Para tanto, as novas diretrizes publicadas em 2019 reforçam que as recomendações nem sempre poderão ser aplicadas a todos os pacientes, visto que é necessário observar quais os recursos locais, a experiência do time, as circunstâncias clínicas específicas e as preferências do paciente, bem como as novas evidências obtidas após a data de publicação do documento.

Para isso, tanto a população quanto profissionais de saúde contam com a plataforma Rede Brasil AVC (3), organização governamental que auxilia a assistência a pessoas acometidas por um acidente vascular cerebral. Acessando a plataforma pelo computador, é possível verificar quais são os hospitais da rede em todo o país. Ao acessar por meio do aplicativo para smartphone, a geolocalização facilita ainda mais essa busca, indicando qual a unidade mais perto da pessoa acometida pelo AVC, o que permite deslocamento menor e atendimento mais rápido.

Pandemia de COVID-19 x AVC

Realizada em abril, uma pesquisa (4) com os membros da World Stroke Organization (WSO) avaliou os efeitos da pandemia de COVID-19 nos atendimentos aos pacientes acometidos por acidente vascular cerebral. A maioria dos centros de saúde que participaram relatou redução média de 40% nas atividades de internação e ambulatório. Além disso, a maioria confirmou uma mudança de atendimento priorizando a telemedicina (por vídeo ou por telefone).

Referências:

(1) Stroke: a global response is needed

(2) Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: 2019 Update to the 2018 Guidelines for the Early Management of Acute Ischemic Stroke

(3) Rede Brasil AVC

(4) The Global Impact of COVID-19 on Stroke – the latest results from the survey from Prof. Marc Fischer, WSO President-Elect

 

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