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A pandemia de COVID-19 coloca os sistemas de saúde em risco por aumentar drasticamente a demanda e por estressar os profissionais da linha de frente que precisam se manter em estado de alerta constante para suprir as necessidades das comunidades. Diversos estudos publicados ao redor do mundo tentam decifrar os principais receios desses trabalhadores a fim de prover o suporte necessário para que eles mantenham em dia a saúde mental.

Uma revisão sistemática (1) analisou 14 estudos sobre profissionais de saúde – principalmente médicos e enfermeiros – atuantes nas áreas de infectologia, medicina interna e locais de internação hospitalar (incluindo unidades de terapia intensiva, enfermarias cirúrgicas e de psiquiatria). A pesquisa aponta uma ampla carga de estresse, assim como diversos sintomas de depressão e ansiedade nesses profissionais, sendo que em até 14,5% dos casos os sintomas eram graves. Assim, a revisão conclui que intervenções são necessárias para auxiliar esses trabalhadores a enfrentarem o cenário crítico.

Artigo publicado recentemente na Annals of Internal Medicine (2) trata exclusivamente do gerenciamento do estresse perante a pandemia do novo coronavírus. No texto, o autor Joshua Morganstein (do Centro de Estudo de Estresse Traumático da Faculdade de Medicina da Uniformed Services University em Maryland nos EUA) enfatiza que um surto de uma doença infecciosa como a COVID-19 gera tensão em todos os cidadãos, mas os profissionais de saúde contam ainda com preocupações adicionais: transição para padrões de atendimento durante crises, alocação de recursos escassos, proximidade com pacientes infectados, medo de infectar membros da família, estigmas sociais e mudanças de procedimentos.

Primeiros socorros psicológicos

O artigo (2) ainda trata dos princípios de “primeiros socorros psicológicos” como uma estrutura baseada em evidências capaz de aprimorar a sensação de segurança, promover a calma, a esperança e ampliar a eficácia organizacional e social dos profissionais.

Colocando grande responsabilidade nos líderes e gestores das organizações, o texto reforça que esses líderes têm potencial para promover o bem-estar dos trabalhadores atuando, também, para a recuperação emocional deles no período pós-pandemia.

Assim, o especialista enumera as principais etapas para que os líderes apoiem a força de trabalho:

  • Estar presente, fornecendo a sensação de segurança;
  • Comunicar-se efetivamente, compartilhando o que sabe e se comprometendo a encontrar respostas para o que não sabe;
  • Investir em treinamento e equipamentos;
  • Incentivar o autocuidado, falando sobre a importância da alimentação e hidratação adequadas, da qualidade do sono e de fazer pausas e gerenciar o estresse;
  • Reforçar a importância de priorizar o autocuidado;
  • Reconhecer o estresse coletivo e individualizado dos profissionais;
  • Fornecer recursos para suporte desses profissionais;
  • Respeitar o luto, reconhecendo os desafios e a magnitude das perdas, honrando os profissionais de saúde e a vida;
  • Mudar o mindset para reconhecer os desafios e entender que essa crise vai acabar.

Em cenários de incerteza e de aumento da carga de trabalho, é natural que os profissionais de saúde deixem de se cuidar. Para fortalecer a importância de as pessoas resistirem e se manterem saudáveis, o artigo traz uma sequência de dicas que devem ser compartilhadas com médicos, enfermeiros e demais profissionais da assistência:

  • Fique atento às suas necessidades básicas – alimente-se, hidrate-se e durma bem, evite o consumo de álcool e de outras substâncias para otimizar a tomada de decisões;
  • Tenha um companheiro de batalha – mantenha contato com os colegas de trabalho como forma de incentivo;
  • Faça pausas – reserve um tempo para se concentrar em algo além do seu trabalho como uma distração útil;
  • Permaneça conectado – receber apoio de amigos e de familiares é fundamental e ajuda a minimizar a sensação de isolamento;
  • Atualize-se – escolha fontes confiáveis para obter informações;
  • Faça uma auto checagem – monitore sinais de aumento de cargas emocionais e estresse;
  • Fale – compartilhe suas preocupações e incentive os colegas a fazerem o mesmo;
  • Honre sua atuação – lembre-se que executa um trabalho muito importante;
  • Olhe para o futuro – não se esqueça que esse momento vai passar.

Vitais para o combate à pandemia do novo coronavírus, os profissionais de saúde precisam ter suas demandas priorizadas. “Não podemos vencer essa batalha sem eles”, finaliza o autor do artigo.

Referências:

(1) COVID-19 Pandemic: Stress Experience of Healthcare Workers – A Short Current Review

(2) Inpatient Notes: Preparing for Battle: How Hospitalists Can Manage the Stress of COVID-19

 

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