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Acesso venoso – Recomendações para obtenção de dados e melhoria na assistência

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Prática indispensável às atividades hospitalares de rotina, o acesso venoso – que possibilita a administração de fluidos, medicamentos, nutrientes, hemoderivados e a monitorização hemodinâmica – é apontado, na literatura científica, como o procedimento invasivo mais comum realizado pelos times de enfermagem. No entanto, são poucas as publicações disponibilizadas que trazem dados e estatísticas para que as equipes possam trabalhar a segurança dos pacientes diante dessa assistência.

Esse é um dos fatores que leva à uma alta taxa de falhas nos dispositivos utilizados. Segundo estudo (1) multinacional divulgado pela primeira vez em setembro deste ano, 69% dos cateteres venosos periféricos e 25% dos cateteres venosos centrais falham antes do término do tratamento, o que eleva o risco do paciente e os custos para o sistema de saúde.

Mesmo diante de um cenário com entraves como a falta de definição internacional para a nomenclatura dos diferentes tipos de acessos venosos, o estudo que contou com participação de médicos e enfermeiros de 11 países, incluindo o Brasil, traz recomendações para um conjunto mínimo de dados capazes de basear as avaliações quanto à prestação dessa assistência. Além disso, os pesquisadores visaram definir recomendações que apoiassem a medicina baseada em evidências, fossem pragmáticas para coletar e valiosas para os serviços de saúde, e facilitassem o benchmarking.

Após três rodadas de questionários, o estudo definiu 50 itens para integrar as recomendações:

  • Dados demográficos do paciente

1. Idade
2. Peso
3. Gênero
4. Diagnóstico
5. Comorbidades

  • Características do dispositivo

1. Tipo do dispositivo
2. Tamanho do cateter
3. Comprimento do cateter
4. Lúmen do cateter
5. Material do cateter

  • Características de inserção

1. Indicação
2. Data e hora da inserção
3. Número de tentativas
4. Área de inserção
5. Local de inserção
6. Qualificação para a inserção
7. Técnica utilizada
8. Uso de tecnologia
9. Antissepsia utilizada
10. Razão entre o cateter e o diâmetro da veia
11. Posição da ponta
12. Confirmação da posição da ponta
13. Alívio da dor
14. Curativo e fixação
15. Evento adverso relacionado à inserção
16. Conhecimento do paciente quanto à necessidade do dispositivo

  • Gerenciamento

1. Dispositivo em uso?
2. Avaliação do local
3. Solução de bloqueio
4. Horário do curativo
5. Amostra de sangue
6. Outros dispositivos de acesso venoso
7. Complicações identificadas
8. Uso de antitrombóticos

  • Complicações e remoção

1. Flebite
2. Infiltração e vazamento
3. Infecção da corrente sanguínea
4. Infecção local
5. Deslocamento
6. Trombose
7. Oclusão
8. Posicionamento errado
9. Fratura do cateter
10. Lesão cutânea associada ao cateter
11. Motivo da retirada
12. Data e hora da remoção
13. Necessidade de substituição
14. Tempo de internação
15. Relato de dor ou desconforto feito pelo paciente

O documento também traz um consenso sobre as nomenclaturas a serem utilizadas, elencando:

  • PIVC – Cateter intravenoso periférico
  • Cateter de linha média
  • PICC – Cateter venoso central de inserção periférica
  • Cateter venoso central não tunelizado
  • Cateter venoso central tunelizado
  • Acesso venoso totalmente implantando
  • Cateter Permcath

O estudo ainda sugere a utilização de um software para registro dos dados que, ao longo do tempo, pode fundamentar ações de melhorias na prestação de cuidados.

Referência:

(1) International recommendations for a vascular access minimum dataset: a Delphi consensus-building study

 

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