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Ações de educação e reforço melhoram conformidade à antibioticoprofilaxia no paciente cirúrgico

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Infecções de sítio cirúrgico (ISC) seguem como um problema de saúde no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em países de baixa e média renda, cerca de 11% dos pacientes submetidos a cirurgias acabam tendo alguma infecção (1). Na África, por exemplo, 20% das mulheres que passam por uma cesariana acabam infectadas, tendo sua saúde e qualidade de vida comprometidas. A situação ainda não está totalmente controlada nem mesmo nos países ricos. Nos Estados Unidos, as ISC geram 400 mil dias extras de internações aos pacientes, o que representa um custo excedente de cerca de US$ 900 milhões ao ano.

No Brasil, as infecções de sítio cirúrgico ocupam a terceira posição entre todas as infecções em serviços de saúde. Nos pacientes hospitalizados, representam até 16% de todas as infecções (2). Para balizar os cuidados, os profissionais que atuam no território brasileiro contam com a publicação “Critérios nacionais de Infecções relacionadas à Assistência à Saúde”. O documento, divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), traz indicadores de resultados, processos e estruturas para a prevenção desse cenário.

A busca pela redução desses índices é contínua. Especialistas de todo o mundo trabalham para identificar possíveis falhas nos protocolos de assistência e potenciais melhorias para que, a cada ano, menos cidadãos tenham suas vidas impactadas por esse tipo de infecção.

São diversas as recomendações que vão de reforço para a higienização das mãos até checklists de segurança e, entre elas, está a antibioticoprofilaxia no paciente cirúrgico. Considerando que a rotina hospitalar pode desencadear falhas nos protocolos medicamentosos, um relatório de melhoria de qualidade (3) consolidado na Pensilvânia, nos Estados Unidos, encontrou, na educação multidisciplinar e em intervenções rotineiras, uma excelente estratégia para reduzir o risco de o paciente sofrer uma infecção do sítio cirúrgico.

O projeto foi aplicado a um centro acadêmico com 550 leitos, capaz de realizar 35 mil procedimentos cirúrgicos ao ano. No início da abordagem, foi identificado que o grupo tinha baixa adesão às diretrizes nacionais da profilaxia principalmente no que tange à dosagem do medicamento no intervalo operatório. O que foi reportado é que os anestesistas administravam o antibiótico antes da intervenção cirúrgica e, durante o procedimento, a administração ou não da medicação era discutida pelos membros da equipe.

Para melhorar esse cenário, foram implementadas diversas ações:

  • Educação continuada a todos os membros da equipe por treinamentos e boletins informativos por e-mail instruindo sobre a melhor escolha da antibioticoprofilaxia, a dosagem adequada e seus intervalos;
  • Garantia de fácil acesso às diretrizes de administração de antibióticos na intranet da instituição;
  • Estímulo à adoção de lembretes para a administração de novas doses de antibióticos nos registros eletrônicos de anestesia;
  • Reforço sobre a administração de nova dosagem de antibiótico no intervalo cirúrgico;
  • Aplicação de cartazes em todas as salas de cirurgias indicando a dosagem correta de acordo com o peso do paciente e os melhores intervalos para administração de novas doses.

A avaliação das intervenções seguiu quatro critérios principais: escolha correta do antibiótico; dose correta do medicamento com base no peso do paciente; tempo correto da administração; e aplicação certa de uma nova dose, quando aplicável.

Como resultado, melhorias significativas foram divulgadas. Antes das ações, em apenas 24% das cirurgias todos os critérios para a antibioticoprofilaxia foram atendidos. Depois, essa porcentagem subiu para 55%. O ajuste correto da dose também foi melhorado. Antes apenas 45% dos pacientes estavam com a dose ajustada e depois das intervenções de melhorias, 78% passaram a receber a quantidade correta do medicamento.

O que foi identificado, no início do projeto, como uma das principais falhas – a falta de conformidade com a nova dose de antibiótico no intervalo cirúrgico – foi o índice que teve mais ganhos com as intervenções propostas: antes apenas 9% estavam de acordo com as diretrizes e, depois, 55% dos pacientes receberam a nova dose corretamente.

Até mesmo os pontos que já estavam em melhor conformidade sofreram melhorias. Antes das intervenções, havia escolha apropriada do medicamento em 80% dos casos e administração no momento correto em 89%; depois das ações os índices subiram respectivamente para 86% e 91%. Dessa forma, o projeto – que tinha como meta avaliar à adesão às diretrizes, e não o desfecho dos pacientes, ponto esse não estudado – sugere que a instituição de medidas multifacetadas, ou seja, em diferentes vertentes do processo, é benéfica.

Referências:

(1) WHO recommends 29 ways to stop surgical infections and avoid superbugs

(2) Critérios nacionais de Infecções relacionadas à Assistência à Saúde – Anvisa

(3) Improving intraoperative administration of surgical antimicrobial prophylaxis: a quality improvement report

 

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