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Agilizar o atendimento a pacientes com AVC em ambulâncias preparadas melhora o prognóstico?

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Em casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), o melhor prognóstico está sempre atrelado a um rápido e assertivo atendimento. Otimizar esse processo é muito importante e justamente por isso existem tantas campanhas que auxiliam as pessoas a identificar sinais de AVC para imediatamente buscar ajuda e, paralelamente, múltiplos esforços do sistema de saúde para prestar esse socorro com a maior agilidade possível.

No caso do AVC Isquêmico agudo, o tratamento padrão inclui a administração rápida de ativador do plasminogênio tecidual (t-PA) quando alguns critérios são identificados como, por exemplo, a ausência de hemorragia cerebral na tomografia computadorizada sem contraste. Quando há oclusão de um vaso nutridor do tecido cerebral também é utilizada a técnica de trombectomia endovascular.

Em diversas situações garantir essa agilidade é um desafio. Em cidades interioranas, nem sempre há, por perto, uma unidade de saúde preparada para receber esse paciente. Em contrapartida, nas megalópoles muitas vezes o trânsito complica o deslocamento. Pensando em sanar alguns desses entraves, o investimento em unidades móveis equipadas com tomógrafos, testes laboratoriais e profissionais treinados para diagnosticar e tratar esses pacientes acometidos por AVC é uma possibilidade.

No Brasil, em meados de 2020 a Universidade de São Paulo (1) anunciou a primeira ambulância equipada com tomógrafo portátil para atendimento emergencial à vítimas de AVC. Ela foi adquirida por um hospital privado de Brasília (DF) para garantir diagnóstico rápido e início imediato do tratamento.

Para compreender quanto essas unidades móveis são eficientes, estudo prospectivo, multicêntrico e controlado publicado no The New England Journal of Medicine (2) avaliou o atendimento a 886 pacientes com AVC em ambulâncias e 629 em centros médicos de emergência a fim de comparar quanto os resultados de fato são alterados por esse investimento.

Importante lembrar que cada ambulância era composta por um ou dois paramédicos, um técnico de tomografia computadorizada e uma enfermeira especialista em cuidados intensivos. Havia, também, a supervisão (presencial ou remota) de um neurologista.

Como desfecho primário avaliado, foi utilizada a pontuação na Escala de Rankin, que avalia o nível de incapacidade do paciente e seu nível de dependência funcional após um AVC, aplicada a todos os pacientes que se mostraram elegíveis a receber o t-PA.

Alguns resultados relevantes:

– Dos pacientes elegíveis para receber t-PA, 97,1% dos atendidos nas ambulâncias receberam o tratamento em comparação com 79,5% dos atendidos nas emergências

– O tempo médio contando do início do AVC até a administração de t-PA foi de 72 minutos no grupo atendido nas unidades móveis e 108 minutos no grupo atendido nos centros de emergência

– A pontuação média na Escala de Rankin em 90 dias em pacientes elegíveis para t-PA foi de 0,72 no grupo atendido nas ambulâncias e 0,66 no grupo atendido nos centros de emergência

– Entre os pacientes elegíveis para t-PA, 55,0% no grupo das ambulâncias e 44,4% no grupo das emergências tiveram uma pontuação de 0 ou 1 na escala de Rankin em 90 dias

– A mortalidade em 90 dias foi de 8,9% no grupo das ambulâncias e 11,9% no grupo das emergências

Dessa forma, o estudo sugere que o investimento em unidades móveis bem equipadas para atender casos de AVC pode otimizar o prognóstico dos pacientes, garantindo melhor qualidade de vida e menor dependência funcional. O fato de não se tratar de um ensaio clínico randomizado obviamente traz limites e vieses para o resultado apresentado. Entretanto, dado que o benefício do t-PA é maior com o tratamento na primeira hora de evento isquêmico, é altamente plausível pensar no benefício do uso de unidades móveis aos moldes deste estudo. Seria uma ótica pública interessante em grandes centros urbanos ou em áreas remotas? Quem sabe em um futuro próximo possamos ter essas respostas.

Referências:

(1) Primeira ambulância com tomografia para atendimento de AVC começa a circular no País

(2) Prospective, Multicenter, Controlled Trial of Mobile Stroke Units

 

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