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Anestesia peridural – Procedimento é eficaz, mas exige monitoramento

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Criada para bloquear a dor em parte pré-determinada do corpo – geralmente da cintura para baixo possibilitando intervenções no abdômen, costas, pernas e pés – a anestesia peridural (também chamada de epidural) permite que o paciente permaneça acordado durante o procedimento cirúrgico e, por isso, é a metodologia anestésica mais utilizada para a realização de cesarianas. Porém, não somente para esse fim.

Procedimento perioperatório eficaz e que garante a mobilização precoce do paciente mesmo após cirurgias de grande porte, as peridurais ajudam a minimizar complicações pulmonares, cardiovasculares e tromboembólicas. Porém, há, também, potenciais complicações que, mesmo raras, podem prejudicar o paciente como é o caso do hematoma peridural que requer uma atenção redobrada no pós-operatório a fim de ser detectado precocemente prevenindo o paciente de sofrer com uma paralisia permanente.

Considerando que a agilidade na identificação do evento adverso é crucial para o melhor desfecho do paciente, é essencial que toda a equipe de saúde envolvida na assistência seja capaz de reconhecer os primeiros sinais de complicações neurológicas após utilização dessa metodologia anestésica e saiba exatamente como agir.

Quando há um hematoma epidural, os sintomas começam normalmente 24 horas após a remoção do cateter, mas isso não significa que não aparecerão tardiamente. Assim, os cuidados e a observação devem permanecer até a alta do paciente. Entre os sintomas mais comuns estão: dor nas costas, déficit motor progressivo dos membros inferiores e disfunção do esfíncter. Importante enfatizar que o sinal mais confiável de que o paciente desenvolveu um hematoma epidural é o bloqueio motor, visto que a alta incidência de constipação após procedimentos cirúrgicos inibe a percepção da disfunção esfincteriana.

Estudo (1) realizado em três enfermarias cirúrgicas (geral, vascular e ginecológica) de Edimburgo, na Escócia, implementou um projeto para melhorar a assistência aos pacientes que vivenciam procedimentos com anestesia peridural. Foram implementados três ciclos de ações, sendo que cada um deles contava com um conjunto de intervenções.

O primeiro ciclo, realizado entre janeiro e fevereiro de 2019, visava melhorar o cumprimento dos protocolos de transição do cuidado (informações de handoffs e/ou passagens de plantão) e, para isso, envolveu a introdução da alta eletrônica, padronizada e conduzida por enfermeiras e contou com sessões educativas formais para os profissionais de saúde.

O segundo ciclo, entre fevereiro e março do mesmo ano, tinha, como meta, melhorar a conformidade em pacientes que utilizavam uma “pulseira de alerta peridural” (como identificação da população de pacientes). Para isso, foi feita uma campanha de conscientização sobre segurança do paciente que incluiu a distribuição de cartazes, a implementação de comunicação verbal e por e-mail entre líderes das equipes para inclusão do tema nas reuniões matinais da enfermaria, e a disponibilização de pulseiras extras em todas as áreas clínicas para situações em que as mesmas fossem removidas inadvertidamente.

O terceiro ciclo, entre março e abril, visava melhorar a conformidade com as verificações do bloqueio motor, principal indício de hematoma epidural. Para isso, foram introduzidos adesivos de verificação projetados justamente para encorajar as verificações ativas nos intervalos de tempo correto e pelo período total necessário.

O estudo conclui, então, que a implementação dessas ações é eficaz já que foram obtidos bons resultados, mostrando tendência de melhoria após o projeto. A identificação dos pacientes que receberam anestesia peridural melhorou consideravelmente durante a transição de cuidado (de 33% para 71%). Porém, interessante observar que a ação que envolvia a aplicação de um adesivo trouxe um resultado não tão positivo e resultou em queda nas verificações de bloqueio motor dos pacientes. O estudo sugere que como os adesivos eram raramente aplicados, a ideia pode ter contribuído para uma piora nas porcentagens de verificação. Dessa forma, a intervenção foi abolida.

Cases como este exemplificado nesta intervenção feita na Escócia podem inspirar projetos de melhoria em nossa realidade, sejam em maternidades no pós-cesárea, seja com pacientes cirúrgicos nos quais há alto uso de peridural na prática anestésica.

Referências:

(1) Non-Obstetric Safety of Epidurals (NOSE)

 

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