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Aqui está sua não-prescrição: o remédio para quem quer, mas não precisa de antibiótico

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Para não deixar ninguém de mão abanando, vale usar a não-prescrição de antibiótico (Bigstock)
Para não deixar ninguém de mão abanando, vale usar a não-prescrição de antibiótico (Bigstock)

Marcela Buscato

O frio está chegando no hemisfério norte e o sistema público inglês reeditou uma boa ideia para lidar com a temporada de consultórios e pronto-socorros lotados por casos de doenças respiratórias. A Public Health England (PHE), agência do departamento de saúde, produziu formulários de não-prescrição de antibióticos para serem distribuídos por médicos, enfermeiros e farmacêuticos que atendam pacientes com queixas que não precisem de  antibiótico. A não-prescrição é semelhante ao modelo abaixo (continua).

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Formulário de não-prescrição de antibiótico: uma maneira de conscientizar também os pacientes sobre o risco da resistência antimicrobiana

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A iniciativa, que faz parte da campanha pública do Reino Unido para frear a resistência antimicrobiana, é uma forma de conscientizar a população sobre os riscos do uso desnecessário dos antibióticos – e de quando eles devem ser usados. Cerca de 40% dos britânicos ainda esperam receber uma receita quando chegam a um consultório com sintomas de gripe e resfriado – mesmo que eles sejam causados por vírus, não afetados por antimicrobianos, e que se resolvam sozinhos em alguns dias.

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Uma das recomendações do movimento internacional Choosing Wisely, sobre a prática racional da medicina, pede que antibióticos não sejam prescritos rotineiramente para o tratamento da sinusite, por exemplo. Em casos de complicações, quando parece haver uma infecção causada por bactéria, daí sim os medicamentos devem ser usados. Prolongamento dos sintomas por mais de dez dias, piora ou sintomas muito severos desde o início são indícios de alerta para o médico.

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A campanha de não-prescrição britânica já foi colocada em prática em temporadas anteriores. Pesquisas de avaliação sugerem que elas surtiram o efeito de conscientizar o público: 80% dos pacientes afirmaram que é pouco provável que voltem a pedir prescrição de antibióticos. Depois de receber o formulário de não-prescrição, o tratamento prescrito foi o mais indicado para esses casos: descanso, hidratação e remédios para contornar os sintomas, que não precisam de receita médica para serem vendidos.

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Parece uma ideia divertida e barata para levar informação aos pacientes e ninguém vai ter incômoda sensação de sair de mãos abanando do consultório, desassistido. Quem vai se esquecer da vez que ganhou uma não-prescrição?

 

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