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Atenção primária – O que está falho e o que pode ser melhorado para a segurança do paciente

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Na visão da OMS, a atenção primária à saúde é o ponto-chave para um sistema equitativo e resiliente. Pensando nisso, é preciso analisar como essa porta de entrada da população à assistência tem se comportado no quesito “segurança do paciente”. Em 2020, pesquisadoras do Rio Grande do Sul, no Brasil, publicaram um estudo (1) que identifica os desafios com base nas descrições dos profissionais.

Após analisar 26 estudos publicados entre 2002 e 2019, foram evidenciadas três categorias principais de desafios e uma categoria de possíveis soluções:

Desafios dos profissionais de saúde

Erros de comunicação – Há alta prevalência de falhas na comunicação na atenção primária e incapacidade da equipe de tomar decisões de forma compartilhada. Assim, é preciso que as equipes atuantes nesses serviços desenvolvam habilidades de comunicação por meio de treinamentos e qualificação profissional.

Erros de conhecimento, competências e habilidades – Foram descritas falhas no cuidado às vezes por equívocos na execução de tarefas clínicas, outras vezes por dificuldade em reconhecer a urgência. Tudo isso pode levar a tomar decisões erradas de tratamento.

Erros de diagnóstico e de tratamento – Atraso no diagnóstico e consequentemente no início da ação terapêutica é comum. Paralelamente, há alta incidência de erros de medicação, má inserção de dados nos sistemas, troca de paciente e falha na interpretação das receitas.

Saúde mental dos profissionais – Sobrecarga, pressão e falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal também foram relatadas como gatilho ao erro, já que afetam a concentração levando à fadiga e frustração.

Desafios da gestão dos serviços de saúde

Erros na gestão de recursos humanos – Falta de profissionais de saúde para a assistência e sobrecarga dos times disponíveis são questões que diretamente afetam a segurança do paciente. Porém, os estudos mostram que o recrutamento é um grande desafio para a atenção primária.

Dificuldades estruturais – Com estrutura física precária e carência de insumos, os serviços de saúde enfrentam desafios ainda básicos como, por exemplo, falta de rampa de acesso adequada, pisos irregulares que aumentam o risco de queda, falta de manutenção do espaço físico e layout inadequado para a acessibilidade.

Escassez – Falta de insumos, medicamentos, leitos e de suporte para pacientes com questões de saúde mental podem levar a incidentes na atenção primária. Com recursos inadequados, muitos profissionais de saúde acabam comprometendo os padrões de qualidade.

Erros processuais – Falhas no atendimento administrativo, omissões ou troca de dados dos pacientes, bem como falhas nos prontuários e na recepção dos usuários, são fatores complicadores. E em um cenário com ausência de computadores e boa conexão à internet, é ainda pior.

Desafios dos usuários e da família

Falhas na comunicação entre profissional e paciente – Um dos principais motivos está no distanciamento cultural entre o profissional de saúde e o paciente que, muitas vezes, tem dificuldade para compreender o que está sendo explicado.

Adesão ao tratamento – A falha na comunicação, assim como a dificuldade em estabelecer vínculos com os pacientes, pode levar à baixa adesão aos tratamentos propostos, principalmente nos usuários com mais idade e com doenças crônicas.

Educação e participação do usuário – Há poucas ações educativas para aumentar a literacia em saúde entre os usuários.

Recursos potencializadores da segurança do paciente

  • Educação permanente da equipe profissional (somente 14% dos profissionais afirmaram ter recebido em seu trabalho treinamento sobre segurança do paciente)
  • Envolvimento do usuário em seu próprio cuidado
  • Utilização da tecnologia como aliada à segurança
  • Realização de novas pesquisas
  • Cultura não punitiva para a construção de um ambiente de trabalho onde os profissionais possam relatar os erros sem medo de punição
  • Auditorias para identificação de incidentes
  • Melhorias na infraestrutura física

 

Referência:

(1) Desafios da segurança do paciente na atenção primária à saúde: revisão de escopo

 

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