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Câncer de próstata metastático e cuidados paliativos

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Segundo tipo de câncer mais comum em homens afetando cerca de 65 mil brasileiros (1) todos os anos, o câncer de próstata é uma doença candidata a uma abordagem de cuidados paliativos, modelo de assistência focado em manejar sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente e das famílias que estão vivenciando uma doença grave, progressiva que ameaça a continuidade da vida.

Estudo observacional norte-americano (2) publicado no American Journal of Hospice & Palliative Medicine buscou compreender como os cuidados paliativos podem impactar a evolução do paciente e os custos assistenciais, sugerindo que esse formato de cuidado quando aplicado a pacientes com câncer de próstata metastático pode gerar melhorias dentro de uma lógica de valor em saúde.

Após segmentar pacientes com neoplasia maligna da próstata e metástase no banco de dados nacional, o estudo chegou a uma amostra de 99.070 homens, sendo que desse grupo 10,4% receberam cuidados paliativos.

Como resultado, observou que esses pacientes que passaram por esse modelo de cuidado estavam mais propensos a ter pedidos de não ressuscitação e tinham mais chances de morrer durante a hospitalização ou serem transferidos para outras instituições (como hospitais de longa permanência) ou para o homecare.

Além disso, por envolver planejamento para o fim da vida, os pacientes que vivenciavam cuidados paliativos também eram menos encaminhados a procedimentos como cirurgias, quimioterapia, ventilação mecânica e ressuscitação cardiopulmonar. Tudo isso sugere que os pacientes encaminhados aos cuidados paliativos de fato estavam em condição clínica mais grave e em uma fase mais terminal da doença.

O estudo também analisa se há diferença nos resultados dos cuidados paliativos específicos a pacientes com câncer de próstata e identifica pontos relevantes. Quando aplicado a pacientes com câncer de pulmão, por exemplo, os cuidados paliativos podem melhorar as taxas de sobrevivência e a qualidade de vida. Conforme comentado acima, não é isso que se nota na neoplasia prostática. Como consequência, não foram identificadas reduções significativas dos custos hospitalares quando pacientes com câncer de próstata metastático são submetidos a cuidados paliativos.

O diretor científico do IBSP, Lucas Zambon, destaca ser importante lembrarmos que este é um estudo observacional, ou seja, precisamos interpretar a peculiaridade destes dados. “O estudo pode estar refletindo que os cuidados paliativos talvez sejam aplicados de forma tardia, apenas para pacientes já em fase final de vida, o que não é o ideal. Podemos interpretar isso com base nas maiores chances de morte intra-hospitalar ou necessidade de transferência para hospitais de longa permanência, ou ainda pela não realização de alguns procedimentos. Um paciente em cuidados paliativos não deixa de receber toda e qualquer intervenção, o que existe é um racional de discussão com o paciente sobre riscos e benefícios, favorecendo tomada de decisão, mas não significando que o paciente não recebe mais nada”, comenta o executivo.

Outro dado interessante ser destacado é que o estudo demonstrou que os cuidados paliativos eram menos prevalentes nos hospitais privados do que nos filantrópicos, assim como questões relativas à regionalização, visto que aqueles atendidos em zonas rurais ou afastadas dos grandes centros também tinham menos acesso a esse modelo de assistência. Porém, deve-se observar que essa é a realidade dos Estados Unidos e não necessariamente seria replicada em território brasileiro, visto que há diferenças consideráveis entre os modelos de assistência pública e suplementar entre os dois países.

Cuidados paliativos em câncer avançado de próstata no Brasil

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) reforça que o câncer de próstata, quando diagnosticado tardiamente em momento em que já há metástase, tem progressão rápida e, portanto, cabe indicação de cuidados paliativos (3).

Para isso, é necessário se atentar a alguns princípios para o melhor controle dos sintomas, garantindo todo o conforto ao paciente:

  • Abordagem multidisciplinar envolvendo enfermagem, serviço social, nutrição, psicologia e fisioterapia
  • Conhecimento do histórico da doença e do paciente para melhor avaliação prognóstica
  • Boa comunicação com paciente e familiares durante a assistência

Referências:

(1) Estatísticas de câncer – INCA

(2) Analysis of Inpatient Palliative Care Consultations for Patients With Metastatic Prostate Cancer

(3) Programa Nacional de Controle do Câncer de Próstata

 

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