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Causa da morte: resistência a antimicrobianos. Por que ela não vai para o atestado de óbito?

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Incluir a resistência a antimicrobianos como causa da morte no atestado de óbito deveria se tornar mais uma estratégia para tentar frear a crescente resistência dos microrganismos aos antibióticos. A sugestão foi dada pela médica inglesa Sally Davies, a mais importante conselheira do governo britânico para assuntos de saúde, durante uma reunião com o comitê de saúde e assistência social do Parlamento. “As certidões de óbito não coletam os dados”, afirmou Sally. “Se houvesse o registro quando as pessoas morrem por causa de uma infecção resistente, as pessoas acordariam para essas mortes.” (continua)

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Bactérias associadas a infecções fatais. Especialista sugere colocar resistência a antimicrobianas no atestado de óbito (Bigstock)
Bactérias associadas a infecções fatais. Especialista sugere colocar resistência a antimicrobianos no atestado de óbito (Bigstock)

Para Sally, a falta de percepção pública é um dos motivos pelos quais é difícil combater o uso indiscriminado de antibióticos, um dos mecanismos que estão por trás do aumento da resistência a antimicrobianos. Os próprios médicos evitam explicar aos pacientes e às famílias que o problema é uma infecção resistente, ao temer que o hospital ou o sistema de saúde sejam responsabilizados (1).

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A resistência a antimicrobianos não é um problema apenas da Inglaterra, mas no mundo todo. Já foi qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma emergência de saúde pública. Ao divulgar os novos dados da Inglaterra ontem (23/10), em Londres, Sally discorreu sobre os impactos futuros apenas no país: 3 milhões de cirurgias comuns, inclusive cesarianas, podem se tornar altamente arriscadas em razão da resistência a antimicrobianos.

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O relatório da Public Health England (PHE), uma agência executiva do Departamento de Saúde e Assistência Social do governo inglês, é um exemplo do desafio a ser enfrentado. Apesar de o uso de antibióticos na Inglaterra ter caído 6% entre 2014 e 2017, o número de infecções de corrente sanguínea resistentes a um ou mais antibióticos aumentou 35% entre 2013 e 2017 (2).

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Uma boa notícia é que a proporção de variantes de bactérias resistentes a antibióticos se manteve estável nos últimos cinco anos. “É provável que isso reflita a importância de atividades de stewardship que reduziram os níveis de prescrição de antibióticos, o que por sua vez diminuiu a pressão seletiva para a disseminação de linhagens resistentes”, escreveram os autores do relatório do PHE.

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Veja nas imagens abaixo a evolução da proporção de variantes resistentes, isoladas na Inglaterra, dentro da população de algumas bactérias.

Gráficos da proporção de variantes com resistência a antimicrobianos em populações de bactérias isoladas na Inglaterra (ESPAUR Report 2018)
SAIBA MAIS

(1) O’Dowd Adrian. Death certificates should record antimicrobial resistance as cause of deaths, says CMO. BMJ 2018; 362 :k3832

(2) Inglaterra. Public Health England. English Surveillance Programme for Antimicrobial Utilisation and Resistance (ESPAUR). Report 2018.

 

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