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Cirurgia cardíaca – Implementação de checklist em 5 etapas pode reduzir em mais de 60% a mortalidade

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Uma das proposições para evitar erros na assistência à saúde está em não confiar apenas na própria memória. Os checklists, ferramentas muito utilizadas nas indústrias de alta confiabilidade – a exemplo da indústria da aviação – são excelentes para a garantia de processos mais seguros.

Realizado no Brasil, um estudo avaliou se a adesão ao InCor-Checklist “Cinco passos para uma cirurgia cardíaca segura” foi capaz de diminuir a mortalidade em um hospital universitário. Publicado em maio de 2022, analisou 8.139 pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio e à cirurgia valvar cardíaca entre 2013 e 2019 (o checklist foi implementado em 2015 para todas as cirurgias cardíacas).

A mortalidade média anual variou nos anos antes da implementação do checklist e entrou em queda gradual após a implementação. Importante destacar que no primeiro ano a adesão foi de 58%, mas quatro anos depois, data final da coleta de dados pela pesquisa, já era de 100%:

Antes da implementação do checklist

  • 2013 – 8,22%
  • 2014 – 6,82%
  • 2015 – 7,49% (nesse ano da implementação, o checklist foi aplicado em apenas 58% dos pacientes)

Após implementação do checklist

  • 2016 – 6,05% (checklist aplicado em 75% dos pacientes)
  • 2017 – 5,69% (checklist aplicado em 72% dos pacientes)
  • 2018 – 4,66% (checklist aplicado em 94% dos pacientes)
  • 2019 – 3,13% (checklist aplicado em 100% dos pacientes)

Enfatizando que de 30% a 47% das complicações dos pacientes admitidos para cirurgia ocorrem no centro cirúrgico, o estudo conclui que a implementação do InCor-Checklist foi associada à redução de 62% na mortalidade.

InCor-Checklist

Esse modelo de checklist, adaptado de um documento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue as diretrizes das sociedades de cirurgia cardíaca e da American Heart Association, envolve cinco etapas:

  1. Briefing – Planejamento da equipe em relação ao paciente e à cirurgia

Nessa etapa os profissionais se apresentam, apresentam o paciente e o procedimento, e o cirurgião faz questionamentos acerca do paciente à equipe.

  1. Sign In – Antes da entrada do paciente na sala de cirurgia
    Nessa etapa, a enfermeira responsável confirma todos os dados do paciente, o anestesista faz os procedimentos de segurança e observa se o paciente apresenta alguma alergia ou condição que pode aumentar o risco.
  2. Time out – Antes da incisão na pele
    Nessa etapa, o cirurgião confirma os dados do paciente, o anestesista verifica a administração da profilaxia antimicrobiana e faz outras verificações de segurança, e os materiais e equipamentos são testados e validados.
  3. Sign out – Antes da saída do paciente do centro cirúrgico
    Nessa etapa, a enfermeira responsável confirma os procedimentos junto à equipe multidisciplinar e contabiliza os materiais utilizados.
  4. Debriefing – Relato do que ocorreu e de como melhorar
    Em reunião, a equipe analisa se o procedimento ocorreu conforme planejado e discute possíveis falhas e melhorias que podem ser implementadas. Além disso, conversam sobre a recuperação e a evolução do paciente no pós-cirúrgico.

Importante observar que o hospital analisado no estudo apostou em um ciclo de melhorias contínuas após a implementação do checklist, entre elas contar com dois representantes da cirurgia no centro cirúrgico para a realização da checagem.

Referências:

(1) Adherence to the cardiac surgery checklist decreased mortality at a teaching hospital: A retrospective cohort study

 

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