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Cirurgia noturna – Maior risco para segurança do paciente?

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Considerando que mais de 5% das cirurgias são realizadas fora do horário padrão dos centros cirúrgicos e que até 74% dos procedimentos noturnos são casos eletivos e, portanto, planejados, um estudo (1) conduzido em dois hospitais dos Estados Unidos avaliou qual o impacto da cirurgia noturna nas taxas de mortalidade e morbidade.

Foram observados mais de 350 mil casos de pacientes com mais de 18 anos com status ASA abaixo de 6 e que foram submetidos a cirurgias não-cardíacas com anestesia geral. Desse montante, 92% vivenciaram uma cirurgia diurna e 8% foram operados à noite. São considerados noturnos todos os procedimentos realizados entre 17h e 7h.

Como resultado, a cirurgia noturna foi associada a um risco aumentado de mortalidade e morbidade pós-operatória em 30 dias, sendo que os desfechos inclusos nas avaliações de morbidade foram complicações renais, cardiovasculares, intestinais, digestivas e pulmonares além de sangramentos e infecções. Esses apontamentos sugerem que o risco aumentado não foi motivado por uma maior acuidade de cada caso, mas sim por diferenças no manejo cirúrgico daqueles pacientes operados a noite.

O comparativo mostra que do total de pacientes operados, 3.744 faleceram no prazo de 30 dias, sendo que 3,4% dos pacientes operados a noite morreram e apenas 0,9% daqueles operados de dia vieram a óbito. As morbidades acometeram 2,3% dos pacientes após a cirurgia noturna e apenas 0,7% dos pacientes após a cirurgia diurna.

Falando especificamente sobre a necessidade de transfusão de sangue intraoperatória, 5,5% de todos os pacientes operados à noite receberam bolsas de sangue enquanto apenas 2,8% dos casos atendidos de dia exigiram transfusão. Outro ponto relevante apontado está na mudança do anestesista durante o procedimento. Em 22,6% dos casos noturnos, as cirurgias tiveram de lidar com a transferência do cuidado. De dia, essa porcentagem foi de 8,8%. Importante lembrar que tanto maiores taxas de transfusão quanto de transferência de cuidados na anestesia estão associadas à piora na mortalidade e na morbidade.

Foram feitas, também, análises comparativas sobre casos emergenciais e casos eletivos. O estudo observou que 60% das cirurgias noturnas não eram emergenciais. Nesses procedimentos agendados, a operação à noite foi associada a uma chance 1,35 vezes mais alta para morbimortalidade em 30 dias no comparativo às cirurgias diurnas. Já no que tange aos procedimentos emergenciais, os riscos de eventos adversos foram semelhantes para procedimentos realizados em qualquer horário possivelmente porque, nesses casos, outros fatores como, por exemplo, a gravidade da situação, tornam-se mais importantes do que o horário definido para o procedimento.

Outro apontamento relevante do estudo está no fato de que pacientes que acabaram de ser admitidos no hospital podem não ter passado pela avaliação pré-operatória adequada. Assim, o documento considera que cirurgias ambulatoriais ou feitas no mesmo dia da admissão apresentavam maior risco de mortalidade atribuível à cirurgia noturna e, nesses casos, adiar o procedimento pode ser uma barreira a potenciais erros.

Referências:

(1) Effects of night surgery on postoperative mortality and morbidity: a multicentre cohort study.

 

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