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Clostridium difficile: 10 perguntas & respostas para enfrentar a bactéria

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Profissional de saúde usa roupas de proteção. Em casos suspeitos, luvas e aventais devem ser usados no cuidado com o paciente (Bigstock)Marcela Buscato

O bacilo Clostridium difficile é um dos grandes causadores de eventos adversos nos hospitais e serviços de saúde. O Centro de Controle de Doenças (CDC), uma agência do governo americano, estima que a bactéria seja responsável por 500 mil complicações intestinais importantes anualmente: de diarreias a casos de colite pseudomembranosa, que pode precisar de cirurgia. Cerca de 15 mil pessoas morrem no mundo anualmente em decorrência da infecção. Idosos estão entre os mais afetados.

Como os ambientes hospitalares são um fonte importante de infecção – 20% dos pacientes internados têm a bactéria – e há pacientes vulneráveis, diagnosticar e tratar os casos adequada e rapidamente é fundamental para evitar surtos. O IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente preparou 10 perguntas e respostas para ajudar a lidar com o bacilo no ambiente hospitalar.

>> Clostridium difficile: atendimento, sem internação, também expõe à infecção
>> Prevenção de sangramento gastrointestinal: boa prática ou risco desnecessário?

1) Qual é a definição de caso suspeito?
Três episódios de diarreia em menos de 24 horas sem explicação possível, como uso de laxantes. Administração de antibiótico e histórico de internação recentes, além de idade avançada, são considerados fatores de risco.

2) Quais são os sintomas?
Além dos episódios de diarreia, os caso mais leves podem ser acompanhados de dor abdominal, cólicas, febre baixa e leucocitose. Nos casos mais graves, outros sintomas podem ser observados, como distensão abdominal e hipovolemia.

3) Que procedimento adotar se um caso suspeito for notado?
É recomendável adotar precauções no cuidado, para evitar contaminação. Exames para confirmar a suspeita devem ser feitos, mas o tratamento pode começar antes mesmo de os resultados ficarem prontos, principalmente em casos graves.

4) Por que começar o tratamento antes de ter o resultado do exame?
O tratamento empírico – com base na suspeita clínica – evita o agravamento do caso e reduz as chances de disseminação do bacilo.

5) Quais são as precauções para evitar disseminação?
O paciente deve ficar em um quarto sozinho, com banheiro exclusivo. A equipe de profissionais deve usar luvas e aventais, além de equipamentos descartáveis – quando possível – ou limpá-los com desinfetantes que matem esporos. Em casos de surto, é preferível que os profissionais de saúde usem água e sabão para lavar as mãos a produtos com álcool.   

6) Quais exames detectam o Clostridium difficile?
Exames que identificam o DNA do agente ou a toxina: os testes imunocromatográficos para as toxinas A e B nas fezes e a pesquisa de material genético por PCR são os exames mais rápidos.

7) Há casos em que não se deve pedir exames?
Para bebês com menos de um ano com quadro de diarreia, o rastreamento não deve ser feito, segundo as diretrizes da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA). É alta a taxa de recém-nascidos que têm o bacilo, mas são assintomáticos. Em adultos assintomáticos, o exame também não de ser feito porque não é necessário tratar.

8) O que fazer se não houver exames disponíveis?
O tratamento deve ser iniciado se uma infecção por Clostridium difficile for a melhor hipótese clínica para os sintomas observados, como nos casos em que há três episódios de diarreia em menos de 24 horas sem explicação, se houve internação ou uso recente de antibióticos e se o paciente for idoso.

9) Qual é o tratamento?
A IDSA recomenda os antibióticos vancomicina ou fidaxomicina para episódios iniciais. Para crianças, metronidazol ou vancomicina. Para casos recorrentes, verificar o protocolo detalhado da IDSA.    

10) Há maneiras de prevenir a infecção por Clostridium difficile?
A melhor ação é adotar um bom programa de  stewardship antimicrobiana. A prescrição inadequada de antibióticos é um dos principais causadores das infecções sintomáticas . Presente naturalmente na biota intestinal de parte da população sem provocar sintomas, o bacilo pode provocar complicações intestinais no caso de um desequilíbrio causado por antibióticos.

 

Saiba mais:

L Clifford McDonald et al; Clinical Practice Guidelines for Clostridium difficile Infection in Adults and Children: 2017 Update by the Infectious Diseases Society of America (IDSA) and Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA), Clinical Infectious Diseases, Volume 66, Issue 7, 19 March 2018, Pages e1–e48

Centers for Disease Control and Prevention, Emerging Infections Program. Technical information – Clostridium difficile tracking.

Guh, Alice Y et al. Risk Factors for Community-Associated Clostridium DifficileInfection in Adults: A Case-Control StudyOpen Forum Infectious Diseases4.4 (2017): ofx171. PMC. Web. 14 June 2018.

 

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