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Como anda a distribuição de tempo das equipes de enfermagem?

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É de conhecimento geral que, nos serviços de saúde, o tempo que a enfermagem dispõe para dedicação direta ao paciente está associado a melhores desfechos, redução de erros e maior satisfação dos atendimentos. Porém, nem sempre os cenários são mais adequados, visto que, por vezes, há profissionais insuficientes e sobrecarga de trabalho.

No Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) conta com a Resolução nº 543/2017 (1) que trata dos parâmetros mínimos para dimensionamento do quantitativo de profissionais das diferentes categorias de enfermagem nos serviços de saúde. De acordo com a norma, a escala deve se basear em características relativas quanto ao porte da instituição, ao perfil de paciente que ela recebe e às atribuições dos profissionais.

Dessa forma, indica:

Mas mesmo que a instituição siga corretamente a indicação de dimensionamento de equipe e distribuição percentual dos profissionais por paciente, é preciso tomar cuidado com a segmentação das atividades das equipes de enfermagem para que não haja redução do tempo disponível para a assistência. “Não basta quantificar corretamente o número de profissionais, é preciso avaliar o tempo dedicado às atividades que não agregam valor ao cuidado”, comenta Lucas Zambon, diretor científico do IBSP.

Para melhor compreender as tarefas individuais, um estudo observacional prospectivo (2) analisou, ao longo de dois anos, a atuação de 57 enfermeiros em um hospital público australiano com 400 leitos, sempre observando o tempo médio por tarefa, o tempo dedicado aos pacientes e as taxas de interrupção.

Para traçarmos uma ideia de comparativo com a realidade dos hospitais brasileiros, nesse estudo os enfermeiros trabalhavam em turnos de 8,5 horas, sendo que cada profissional cuidava, em média, de 3 a 4 pacientes.

Como resultado, a pesquisa afirma que os enfermeiros gastam apenas 37% do seu tempo com os pacientes. Quando o cuidado direto era somado ao cuidado indireto, tarefas de medicação e comunicação profissional, o tempo de dedicação subia para 76,4%.

Além disso, os enfermeiros completavam uma média de 72,3 tarefas por hora, uma a cada 55 segundos, e eram interrompidos duas vezes a cada 60 minutos, sendo que  27% de todas as interrupções ocorreram durante tarefas voltadas a medicações.

O estudo traz uma tabela interessante sobre o tempo que os enfermeiros gastam sozinhos, com o paciente e com outros profissionais. Listamos os pontos mais relevantes considerando os dados da fase inicial do estudo:

Dessa forma, o estudo conduzido na Austrália conclui que ao longo de dois anos, os padrões de trabalho dos enfermeiros foram ficando cada vez mais fragmentados, com cada vez mais mudanças rápidas entre tarefas de curta duração. Mesmo que não sejam interrompidos numa frequência mais alta, o fato dessas interrupções surgirem muito mais durante as tarefas de medicação liga um sinal de alerta para erros de medicação, que já são uma grande preocupação mundial.

Referências:

(1) RESOLUÇÃO COFEN 543/2017

(2) How much time do nurses have for patients? a longitudinal study quantifying hospital nurses’ patterns of task time distribution and interactions with health professionals

 

 

 

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