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Como colocar o paciente em foco no sistema de saúde

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Colocar o paciente em foco e seguir um trabalho focado em prevenção são o caminho para promover segurança do paciente

 

O sistema de saúde mundial e, em especial, o brasileiro passam por uma das maiores crises da história. O conhecimento científico desenvolvidos nos últimos 30 anos é fantástico, com mais de 750.000 artigos científicos publicados por ano e avanços tecnológicos no diagnóstico e no tratamento que são enormes com grandes benefícios para a população. “Esse avanço levou à uma medicina de alta complexidade, que se tornou incompatível com o modelo fragmentado da assistência médica praticado do mundo. Com isso, a assistência à saúde pode causar incidentes com danos preveníveis em alta escala, nos levando à triste estatística de um em cada dez pacientes sofrendo um evento adverso no ambiente do hospital”, comenta Dr. José Branco, diretor executivo do IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Apesar dos avanços na segurança do paciente nos últimos 16 anos, após a publicação do “Errar é Humano” pelo Institute of Medicine do EUA, com foco na redução dos incidentes com dano no intrahospitalar  – incluindo eventos adversos com medicamentos, injuria em cirurgias, queda, úlcera por pressão entre outros –  pouco se melhorou a realidade, e a segurança do paciente permanece com uma questão de saúde pública.

Visão sistêmica
Isso significa que o sistema de saúde continua operando com baixo grau de confiabilidade, deixando os pacientes sofrerem danos que deveriam ter sido prevenidos ou mitigados. E, segundo Dr. Branco, a única maneira de mudar esse cenário é colocar o paciente como foco central da assistência à saúde. “Não é o staff que mais importa, tampouco a agenda financeira. Isso porque se o olhar estiver voltado ao cuidado do paciente, os recursos financeiros podem ser melhor aproveitados, evitando desperdício”, comenta.

A assistência à saúde precisa incorporar, portanto, uma visão sistêmica, principalmente para o paciente complexo, ou seja, aquele portador de doença crônica o qual a ameaça à sua segurança está mais presente. “Embora a segurança no hospital permaneça como um meta importante, os pacientes recebem mais assistência fora do hospital, em ambulatório, centros de diagnóstico, atendimento domiciliar, casa de repouso e outros locais. O paciente merece um cuidado seguro em qualquer cenário, da mesma maneira nos pontos de transição entre os diferentes locais”, acredita Dr. Branco.

Prevenção é ordem
E uma assistência segura, mesmo no ambiente hospitalar, pode ser pautada pela prevenção. Um exemplo é a prevenção de tromboembolismo venoso (TEV), considerada pela agência de pesquisa e qualidade em saúde (AHRQ dos EUA) como a prática de segurança número um, pois há um grande “gap” na profilaxia de TEV frente à prática baseada nas melhores evidências no mundo real. Esse é um exemplo de onde temos uma enorme oportunidade de melhoria. “Estudos internacionais recentes mostram que menos de 39,5% e 58,9% dos pacientes clínicos e cirúrgico respectivamente estavam recebendo a profilaxia adequada para tromboembolismo venoso. Além disso é possível reduzir os custos do sistema de saúde, pois quando um paciente com câncer não faz a profilaxia correta da TEV e evoluiu com um diagnóstico de trombose venosa, isto aumenta o custo em 20.000 dólares por episódio de internação”, finaliza Dr. Branco.

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