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Como é papel da enfermagem no plano de aplicação medicamentoso

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Por Karina Pires*

Já é de nosso conhecimento que o processo de aplicação medicamentoso é complexo nos estabelecimentos de saúde. Cada profissional de enfermagem administra cerca de dez medicamentos por dia durante sua jornada de trabalho e cada paciente internado tem, em média, risco de sofrer um erro de medicação por dia. Sabe-se ainda que 1 a 2% dos pacientes hospitalizados sofrem danos relacionados a medicamentos, resultando no aumento do tempo de internação entre quatro e dez dias.

De forma geral, a enfermagem permeia pela cadeia medicamentosa e torna-se também um dos responsáveis pela segurança no plano de aplicação medicamentoso.

Diante deste cenário fica claro evidenciar que a frequência e a complexidade da administração de medicamentos contribuem para a ocorrência de erros. É difícil precisar a quantidade de erros, já que muitos não são relatados e poucos são reportados aos Núcleos de Segurança do Paciente.

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Muitos desconhecem a definição de “erros” ou “quase erros de medicação”, o que dificulta ainda mais o reporte destas informações. Sem uma clara definição do erro, eles nunca poderão ser reconhecidos. Além disso, o medo de punição e o medo de ser julgado por incompetência ainda é uma realidade em muitos estabelecimentos de saúde.

A prática dos cinco certos (paciente certo, droga certa, dose certa, via certa e hora certa) é estudada há anos, mas nenhum destes certos reflete os fundamentos intrínsecos associados ao processo de administração de medicamentos no ambiente hospitalar e todos falham quando consideramos os fatores sistêmicos e humanos.

É um ponto chave para a Segurança do Paciente entender que o erro é, por vezes, multifatorial na cadeia medicamentosa, na forma como as atividades são desempenhadas pelos profissionais e na fragilidade dos processos.

Primeiramente, para aprendermos com os erros, precisamos estar dispostos a revelá-los. Relatar erros é uma obrigação moral dos profissionais.

Além disso, conhecer algumas particularidades dos medicamentos, como as ações farmacológicas e aos mecanismos pelos quais os fármacos atuam, ou seja, conhecer o início de ação, o pico e a duração dos efeitos das medicações, podem favorecer na identificação precoce de erros. Por exemplo, antes de administrar uma Furosemida, um dos medicamentos mais utilizados no tratamento de hipertensão arterial, o enfermeiro precisa preferencialmente checar os níveis de potássio sérico deste paciente. Esta ação melhora a prática e garante um ambiente mais seguro para o paciente.

As interrupções de trabalho, a fadiga, o cansaço e a inexperiência são outros fatores que também contribuem para erros. Precisamos evitar conversas com outros colegas durante a manipulação dos medicamentos, em especial no preparo e na vigência de cálculos para definição de dose e frequência do tempo de infusão. Nunca devemos preparar medicamentos para mais de um paciente ao mesmo tempo.

Garantir um ambiente seguro no preparo e administração dos medicamentos é o primeiro passo para a equipe de enfermagem refletir sobre suas práticas atuais no plano de aplicação medicamentoso.

O conhecimento, a compreensão do risco e a compreensão de segurança podem minimizar os impactos dos eventos.

Precisamos apoiar mutuamente outros profissionais quando erros ocorrem e parar de tolerar comportamentos de risco em nossas atividades.

A consciência aumentada das condições propensas a erros e o reconhecimento de fatores contribuintes no processo do plano de aplicação medicamentosa são essenciais para propiciarmos um ambiente de segurança para nossos pacientes.

Referência:

DURHAM, B. The nurse’s role in medication safety, Nursing: April 2015;

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