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Como identificar sintomas de psicose pós-parto protegendo a mãe e o bebê?

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Visando a segurança materna e neonatal, como identificar sinais de distúrbios psicológicos da mulher no pós-parto? Um artigo (1) publicado em maio de 2021 traz o caso de uma gestante com histórico desconhecido de bipolaridade e que apresentou uma reação psicótica aguda durante cesariana de emergência. O objetivo da análise é auxiliar os profissionais de saúde a identificar sintomas suspeitos garantindo atendimento psiquiátrico oportuno.

A psicose pós-parto – que costuma aparecer nas duas semanas sequenciais ao nascimento – é considerada uma doença rara, já que ocorre em média 1,75 vezes a cada 1.000 nascimentos. Traz, consigo, sintomas que se desenvolvem rapidamente como dificuldades para se comunicar, mudanças repentinas de humor, paranoias, desconfiança, delírios, alucinações e hiperatividade. Em casos raros e trágicos, pode levar ao suicídio e ao infanticídio.

Segundo apontado pelo artigo, 95% das mulheres que desenvolveram psicose pós-parto preenchiam os critérios diagnósticos para transtornos de humor cíclicos em um acompanhamento de cinco anos. Assim, os principais fatores de risco são apresentação prévia de algum episódio psicótico e histórico familiar ou pessoal de transtorno bipolar. Mas é necessário considerar, também, como fatores de risco: primiparidade, extremos de idade reprodutiva, cesariana, privação de sono, retirada de medicação estabilizadora de humor, baixa condição socioeconômica e complicações maternas e neonatais pós-parto (essas complicações, inclusive, dobram as chances de desenvolvimento de psicose após o nascimento).

Caso estudado

O caso descrito no estudo é do primeiro parto de uma mulher na faixa dos 30 anos, com transtorno bipolar não diagnosticado, admitida para cesariana de emergência em decorrência de pré-eclâmpsia. Acompanhada pela equipe de psiquiatria, foi identificada a psicose pós-parto e o tratamento com olanzapina, diazepam e biperideno foi iniciado rapidamente a fim de controlar os sintomas.

Foi preciso observar o comportamento dessa gestante desde sua chegada à emergência. Após o diagnóstico de pré-eclâmpsia, a paciente rapidamente ficou paranoica apresentando pensamento de que os médicos queriam roubar seu bebê, ficando agressiva e delirante.

Segundo descrito pelo psiquiatra que a acompanhava, tratava-se de um episódio maníaco agudo. Durante a internação, a paciente passou por avaliação neurológica e nefrológica e seu estado clínico mostrou-se normal. No âmbito da saúde mental, foram feitas três avaliações sequenciais: no segundo dia, na sexta e na décima semanas de pós-parto. Essas avaliações envolveram questionários distintos e mostraram uma recuperação gradual da paciente com o passar dos dias.

Instruções para profissionais de saúde

Durante a gestação, é importante que o histórico médico da paciente envolva questionamentos quanto a episódios prévios de transtorno mental, tratamentos farmacêuticos, hospitalizações e histórico familiar de transtornos mentais perinatais. Segundo relatado no artigo, aproximadamente metade das mulheres que cometeram suicídio tinham alguma história anterior de transtorno depressivo e é extremamente necessário que essas mulheres sejam muito bem acompanhadas durante a gestação.

O estudo também reforça que as parteiras e os profissionais de saúde desempenham papel crítico na identificação de fatores de risco para psicose pós-parto, podendo fornecer suporte emocional e orientação para essas gestantes, preparando-as para um parto não-traumático capaz de reduzir as chances de um transtorno mental posterior. Assim, aponta a necessidade de educação continuada para as equipes de obstetrícia sobre questões de saúde mental perinatal.

Dia Mundial da Segurança do Paciente – Cuidado Materno e Neonatal Seguros

O Dia Mundial da Segurança do Paciente é comemorado em 17 de setembro e, para 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que o tema a ser trabalhado é “Cuidado materno e neonatal seguros”.

Dentro dessa vertente, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) lançou a Aliança para o Parto Seguro e Respeitoso, uma união de mais de 30 entidades – entre elas o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP) – na busca pela redução da mortalidade materna e neonatal e pela garantia dos direitos básicos para o parto e o nascimento seguros no nosso país.

Contribuindo com a disseminação de conhecimento técnico-científico sobre diretrizes, protocolos e boas práticas que garantem a segurança tanto da mãe quanto do bebê ao nascer, o IBSP publicará durante todo o mês de setembro, matérias relativas a essa temática. Para acessar todos os conteúdos já publicados, clique AQUI.

Referências:

(1) Postpartum Psychosis after Traumatic Cesarean Delivery

 

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