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Conjunto de ações e monitoramento de conformidade reduzem taxas de infecções relacionadas a cateter

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As unidades hospitalares seguem atentas para reduzir as infecções da corrente sanguínea relacionadas a cateter, visto que esses eventos são classificados como evitáveis e estão associados à alta mortalidade. Nos Estados Unidos, mesmo após uma melhoria considerável no número de infecções entre 2008 e 2013, estima-se a incidência de mais de 30 mil eventos deste tipo todos os anos (1).

A infecção ocorre quando germes presentes no local da inserção alcançam a corrente sanguínea e geram uma bacteremia que, se não for contida, pode resultar em sepse (2). Há uma vastidão de estudos na literatura internacional sobre o tema, inclusive traçando os principais fatores de risco, comparando as infecções entre veia subclávia e veia jugular interna e explicitando técnicas e práticas capazes de melhorar esses índices.

No Oriente Médio, após avaliação que de 2015 para 2016 houve aumento na taxa de infecção da corrente sanguínea associada a um cateter (de 2,82 para 3,11 por 1.000 dispositivos/dia) em uma UTI coronária de um hospital focado em cardiologia, um estudo (3) apoiado pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI) implementou práticas que, baseadas em evidências científicas, visavam reduzir os eventos nessa instituição do Qatar.

Há um consenso sobre pacotes de protocolos imprescindíveis à prevenção dessas infecções tanto na inserção do cateter quanto em sua manutenção. Esses pacotes envolvem higiene das mãos; utilização de EPIs, incluindo luvas estéreis; preparo da pele do paciente com clorexidina 2% em álcool 70%; seleção ideal do local de inserção; técnicas assépticas para troca de conectores e revisão diária da necessidade do dispositivo.

Considerando que as abordagens devem ser multidisciplinares e depois de identificar lacunas de conformidade com os protocolos, o projeto publicado em fevereiro de 2021 pelo British Medical Journal, elencou um bundle de iniciativas que envolviam desde um kit único para inserção do cateter, até treinamento baseado em simulações para execução do procedimento e monitoramento padronizado e em tempo real da prática das ações inclusas no pacote. As mudanças foram implementadas em sete ciclos.

  1. Monitoramento de conformidade – Por meio de um formulário de auditoria, a conformidade semanal dos protocolos foi calculada e comunicada às equipes em eventos e reuniões mensais.
  2. Higiene das mãos – Após ensinar às equipes a prática e ordem correta da higienização das mãos, as ações foram monitoradas por profissionais à paisana e os dados de conformidade fora compilados, reconhecendo aqueles médicos e enfermeiros que mais acertavam a metodologia. Além disso, foi instituído um horário fixo para que todos fizessem a higiene das mãos; foram distribuídos sabonetes e frascos de álcool em gel dentro ou perto dos quartos dos pacientes, bem como equipamentos de proteção individual; e lembretes sobre a importância da higienização adequada das mãos foram espalhados na entrada e na saída das unidades.
  3. Kits – Depois de elencar todos os consumíveis necessários para a inserção do cateter, foram preparados kits completos e fechados em uma única embalagem. A proposta era evitar que o procedimento fosse interrompido pela ausência de algum item.
  4. EPIs – O uso dos equipamentos de proteção individual foi monitorado constantemente.
  5. Antisséptico – O procedimento correto para antissepsia da pele do paciente com clorexidina foi monitorado, sendo que as equipes enfatizaram a prática de friccionar a pele com solução de clorexidina por pelo menos 30 segundos sem, na sequência, secar ou limpar a região, esperando secar completamente antes da punção.
  6. Educação continuada – As equipes passaram por simulações e treinamentos sobre todos os procedimentos que envolvem uma inserção e manutenção seguras de um cateter.
  7. Conformidade do bundle – Foram avaliadas todas as ações que envolvem o pacote de protocolos, incluindo lembretes sobre quanto tempo o paciente estava utilizando aquele cateter; revisão da necessidade do dispositivo; possível substituição por outro formato de acesso venoso; e inspeção sobre qualquer sinal ou sintoma de infecção. Os resultados foram compartilhados com as equipes.

Para compreender os resultados da implementação das medidas, a pesquisa comparou as taxas de infecção obtidas 19 meses antes do projeto e 19 meses depois. Como resultado, o estudo sugere que avaliar e implementar um pacote de ações focadas na redução desses eventos é positivo e traz melhorias significativas, visto que o projeto conquistou uma redução da taxa de infecções de 3,11 para 0,4 por 1.000 dispositivos/dia. A unidade, inclusive, passou 757 dias sem assinalar uma única incidência de infecção associada a um cateter até a ocorrência de um caso em dezembro de 2018.

A positividade dos resultados também pode ser atrelada à maior conformidade com o pacote de ações, que passou de 64% para 100%, melhoria essa que permaneceu estável por três anos.

Referências:

(1) Bloodstream Infection Event (Central Line-Associated Bloodstream Infection and Non-central Line Associated Bloodstream Infection) – National Healthcare Safety Network

(2) Acessos vasculares e infecção relacionada à cateter

(3) Bundle approach used to achieve zero central line-associated bloodstream infections in an adult coronary intensive care unit

#2021top10

 

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