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COVID-19 – Impactos e transformações na saúde e na segurança dos pacientes

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Pouco mais de um ano após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia de COVID-19, pesquisadores seguem medindo os impactos que o novo coronavírus causou nos sistemas de saúde de todo o mundo. Mesmo considerando que cada país tem seus desafios individuais, quando o assunto é assistência à saúde, alguns dos impactos transpassam as fronteiras geográficas.

Visando compreender o atual cenário, a AHRQ PSNet divulgou a pesquisa “Impacto da Pandemia de COVID-19 na segurança do paciente” (1), documento redigido por dois profissionais do setor: Jacqueline C. Stocking, especialista em melhoria da qualidade e cuidados intensivos; e Christian Sandrock, profissional de segurança do paciente e especialista em doenças infecciosas emergentes.

Confira, abaixo, alguns dos principais apontamentos trazidos no estudo.

Impactos nos cuidados rotineiros

  • Cuidados represados – Principalmente nos primeiros meses de pandemia, quando os cientistas ainda estavam trabalhando para melhor compreender a forma de transmissão e disseminação do novo coronavírus, muitos cuidados de saúde foram interrompidos. O cenário melhorou com o passar do tempo, mas as instituições seguem trabalhando na busca pelo equilíbrio entre executar procedimentos eletivos e proteger, da COVID-19, tanto pacientes quanto funcionários. Paralelamente às decisões corporativas, com medo da infecção, pacientes também deixaram de procurar atendimento inclusive para problemas graves.

O fato é que os hospitais devem priorizar as urgências como, por exemplo, o atendimento aos pacientes oncológicos. Além disso, devem mitigar os riscos de atrasar o diagnóstico e o tratamento ao mesmo tempo em que avaliam o risco de expor esses pacientes imunocomprometidos à contaminação. Outras tantas doenças crônicas também precisam de atenção, visto que o adiamento do tratamento pode representar um risco à saúde maior até mesmo do que a COVID-19.

  • Escassez de suprimentos – Muitos países enfrentaram uma crise de suprimentos, elevando o risco tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde. Faltaram equipamentos de proteção individual – quando alternativas foram pensadas a fim de manter os atendimentos – e faltaram medicamentos. Importante lembrar que, no Brasil, essa situação ainda não está totalmente controlada. Quando o número de casos e internações volta a subir, os hospitais voltam a relatar problemas de estoque de oxigênio e de medicamentos para sedação.

Erros e danos associados à pandemia de COVID-19

  • Falha ou atraso no diagnóstico – São diversos os pontos que podem ocasionar falhas e atraso no diagnóstico de pacientes durante uma pandemia infecciosa como a de COVID-19. Além dos fatores relativos à sobrecarga do sistema, pacientes com problemas respiratórios alheios ao novo coronavírus podem não ser diagnosticados por um viés cognitivo que naturalmente considera que aquele cidadão contraiu a COVID-19.
  • Fatores humanos – Observar os riscos por trás dos fatores humanos é essencial durante uma pandemia capaz de causar danos físicos e emocionais aos profissionais de saúde. Pesquisadores da Pensilvânia realizaram uma pesquisa e apontaram que muitos dos eventos de segurança do paciente relacionados à COVID-19 estavam associados a fatores humanos.
  • Prevenção e controle de infecções – Foram observadas falhas na paramentação e desparamentação dos profissionais de saúde, atitude que aumenta consideravelmente o risco de infecção viral. Investir em protocolos é fundamental, mesmo sabendo que a adesão às diretrizes pode ser mais complicada em momentos de picos de atendimentos e hospitais lotados. Principalmente quando há ainda desconhecimento sobre as formas de transmissão e essas diretrizes mudam com frequência.

Mitigando riscos de eventos adversos

  • Redesenho do fluxo de trabalho – Foram muitas as mudanças necessárias para que o atendimento durante a COVID-19 pudesse seguir de forma segura. No ambiente hospitalar, além da definição de zonas para os infectados pelo novo coronavírus separada dos outros atendimentos, houve uma alteração nas rotinas entre profissionais de saúde e pacientes a fim de reduzir o número de funcionários diretamente em contato com os infectados. Importante relembrar também a disseminação da telessaúde, visto que o atendimento e o monitoramento remotos ganharam força.
  • Planejamento contra surtos – Com a COVID-19, os sistemas de saúde reforçaram a importância dos planejamentos contra surtos para a garantia de sustentabilidade, o que envolve estratégias para alocação, armazenamento, administração e rastreamento de insumos, inclusive da vacina.
  • Papel da tecnologia – A assistência remota ganhou força, aliviando atrasos nos atendimentos e evitando a exposição desnecessária à COVID-19 tanto de pacientes quanto de profissionais de saúde. Porém, há muito mais tecnologia envolvida nesse cenário. A inteligência artificial surge como uma ferramenta benéfica para apoiar a decisão clínica, mesmo diante de preocupações técnicas.

Outros impactos para pacientes e provedores

  • Saúde mental – A saúde mental também foi bastante impactada durante a pandemia de COVID-19. Os profissionais de saúde que atuam na linha de frente estão extremamente pressionados, muitos com sintomas de ansiedade severa, Burnout e transtorno de estresse pós-traumático. Para mitigar os riscos de impactos psicológicos negativos nesses trabalhadores, as instituições devem investir em diretrizes de prevenção, equipamentos de proteção individual e estratégias que reforçam a confiança das equipes.

Pacientes e familiares também sofreram impactos psicológicos e, para minimizar esse cenário, foi necessário investir ainda mais no envolvimento dos pacientes nos tratamentos para a melhor compreensão do prognóstico e garantia de confiança nos sistemas de saúde.

Por fim, com a pandemia ainda em curso devido às dificuldades para vacinação em massa das populações, prioridades devem ser elencadas para garantia da segurança dos pacientes. Segundo a pesquisa, é preciso focar na segurança da cadeia de abastecimento e na potencial falta de recursos humanos para assistência. Além disso, seguir acompanhando as evidências; revisitar questões relativas às altas taxas de uso de antibióticos em pacientes internados com COVID-19; e compreender quais os impactos da pandemia na já observada falta de equidade nos atendimentos de saúde.

Referências:

(1) AHRQ PSNet Annual Perspective: Impact of the COVID-19 Pandemic on Patient Safety

 

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