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Cultura de segurança como recurso organizacional para melhorar ambiente de trabalho

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A relação entre o ambiente de trabalho e a segurança dos pacientes têm sido tema constante de estudos e pesquisas. Em março deste ano, um artigo (1) publicado por profissionais de Taiwan e do Reino Unido estudou a associação direta entre a cultura de segurança e o bem-estar das equipes de saúde.

O texto enfatiza que, no cenário global, é possível notar que as instituições têm investido esforços em ações e estratégias para aumentar a segurança do paciente, mas nem sempre dedicam recursos diretos para manter a qualidade do ambiente de trabalho das equipes.

Para o estudo, um questionário composto por nove perguntas demográficas, 30 voltadas à segurança do paciente, nove a burnout e sete a equilíbrio entre vida profissional e pessoal foi enviado por e-mail para 3.232 funcionários de um hospital de Taipei, capital de Taiwan. Na sequência, a análise baseada em software considerou o viés de variância, já que os dados eram autorrelatados, e gerou resultados interessantes como, por exemplo, a sugestão de que a cultura de segurança tem uma relação negativa com o esgotamento da equipe e uma relação positiva com o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal.

Dessa forma, o documento aponta que quando uma instituição de saúde investe na segurança do paciente dentro de suas estratégias organizacionais, também está investindo, indiretamente, na redução do desgaste do time e no aumento da qualidade de vida profissional. Entre as ações sugeridas estão aumentar o quadro de funcionários, otimizar o parque tecnológico adquirindo equipamentos, oferecer treinamento e capacitação, apostar na boa comunicação e incentivar (e até mesmo subsidiar) atividades de lazer para os funcionários, bem como aconselhamento psicológico sempre que necessário. Para o melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, as instituições podem oferecer cuidados para os filhos dos trabalhadores (como creches, por exemplo).

Demografia do estudo

O grupo de participantes era bastante heterogêneo: 83,6% eram mulheres, 60,1% tinham menos de 40 anos de idade, 79,6% tinham ensino superior completo e 8,8% eram gestores. Mesmo que a maioria (91,4%) atuasse diretamente com pacientes, 71,7% afirmaram não ter tido nenhum incidente de segurança nos últimos 12 meses. Pensando nas áreas de atuação, a maior parcela (53,2%) era do setor de enfermagem, 15,9% trabalhavam em unidades de terapia intensiva (UTIs), 32,4% eram enfermeiras da ala de internação, 20,8% desenvolviam atividades ambulatoriais e 30,8% atuavam em outras unidades hospitalares.

Interessante observar que a população bastante diversificada do estudo serviu para mostrar que a relação entre bem-estar e segurança do paciente independe do perfil demográfico. A associação se fez presente em qualquer gênero, idade e função.

Por fim, os resultados do estudo conduzido em Taiwan sugerem que a cultura de segurança do paciente é um recurso valioso de trabalho capaz de proteger as equipes e que esse é um valor universal para todas as disciplinas de saúde. Assim, nutrir a cultura de segurança também melhora o bem-estar das equipes em uma via de mão dupla.

Referências:

(1) Patient Safety and Staff Well-Being: Organizational Culture as a Resource

 

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