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Cultura de segurança do paciente – Quais as percepções dos profissionais?

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Publicado no primeiro trimestre de 2020, um estudo (1) exploratório-descritivo analisou as dimensões da cultura da segurança do paciente na perspectiva multiprofissional envolvendo 108 trabalhadores – médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, técnicos de enfermagem e técnicos de radiologia – de duas instituições hospitalares brasileiras. Como resultado, percebeu que a percepção geral da cultura de segurança é adequada, porém, as crenças, atitudes e percepções individuais dos profissionais de saúde em relação à temática ainda apresentam algumas fragilidades.

Na ocasião, 58,33% consideraram a segurança do paciente em sua unidade hospitalar muito boa; 24,08% consideraram regular; 15,74% consideraram ótima e apenas 1,85% consideraram ruim ou péssima.

Importante destacar que o estudo entende que a cultura de segurança é configurada a partir de cinco características operacionalizadas pela gestão:

  1. Cultura na qual todos os trabalhadores, incluindo profissionais envolvidos no cuidado e gestores, assumem responsabilidade pela sua própria segurança, pela segurança dos colegas, pacientes e familiares;
  2. Cultura que prioriza a segurança acima de metas financeiras e operacionais;
  3. Cultura que encoraja e recompensa a identificação, a notificação e a resolução dos problemas relacionados à segurança;
  4. Cultura que, a partir da ocorrência de incidentes, promove o aprendizado organizacional;
  5. Cultura que proporciona recursos, estrutura e responsabilização para a manutenção efetiva da segurança.

Para a pesquisa, foi aplicado o questionário Hospital Surgey on Patient Safety Culture (Hsopsc), constituído por 12 variáveis.

Dessa forma, mesmo considerando adequada a percepção geral da cultura de segurança, o estudo aponta fragilidades quanto ao dimensionamento de pessoal, respostas não punitivas aos erros e trabalho em equipe entre as unidades.

Alta complexidade

Nos mesmos moldes, outro estudo (2) visou compreender as percepções dos trabalhadores atuantes em unidades de alta complexidade. Dessa vez, participaram da pesquisa 646 funcionários de um hospital, sendo que a maioria atua diretamente na clínica com pacientes ocupando funções de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros e, na sequência, outros profissionais auxiliares dos serviços de apoio como nutrição, higienização, lavanderia, cozinha, farmácia, laboratórios e radiologia.

A tabela abaixo traz as variáveis e suas pontuações:

Nessa situação, três variantes foram consideradas frágeis: adequação de profissionais, respostas não punitivas aos erros e passagens de plantão/turno e transferências internas. Aqui, é importante enfatizar a relevância de intervenções para reduzir a cultura da punição. O estudo aponta que quando um evento é notificado, o foco não pode recair sobre o profissional. O ideal é que o incidente seja relatado, analisado e classificado para que a ocorrência de erros seja minimizada.

Essas práticas que visam eliminar a punição ao erro são essenciais. Não há evidências de que identificar os culpados ajude na redução dos erros. Ao contrário. Quanto mais o profissional que erra é exposto e punido, menos ele notificará potenciais eventos dificultando a legitimidade dos indicadores.

Ambos os estudos utilizaram o questionário Hospital Survey on Patient Safety Culture (Hsopsc) validado para o português brasileiro. Trata-se de um instrumento que envolve itens diversos sobre as dimensões da cultura da segurança do paciente e incorpora uma escala sociopsicológica chamada técnica de escala de Likert. Essa escala traz uma variação em cinco graus de percepção, partindo de “discordo fortemente” a “concordo fortemente” e de “nunca” a “sempre”.

São estudos relevantes, pois mudanças na cultura de segurança do paciente advém de revisão de crenças e valores de todos os profissionais envolvidos na assistência.

Lifelong learning

Para os interessados em aprender mais sobre a temática, o IBSP conta com o curso autoinstrucional “Cultura de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde”. Voltado tanto a profissionais que já atuam no setor quanto a graduandos da área da saúde, o curso tem 6 horas de duração e aborda desde os conceitos da cultura de segurança e como eles se aplicam às organizações até estratégias para a sustentação dessa cultura ao longo do tempo.

Apresentado por Karina Pires, diretora do IBSP, enfermeira pós-graduada em Terapia Intensiva, especialista em Qualidade e Segurança do Paciente pela Universidade Nova de Lisboa, com MBA Executivo em Saúde pela FGV, o curso está disponível na vitrine EAD do Instituto. Clique AQUI para saber mais.

Referências:

(1) A cultura de segurança do paciente na perspectiva multiprofissional

(2) Cultura de segurança do paciente em um hospital acreditado de alta complexidade

 

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