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Enfermagem – Comunicação eficiente na troca de turnos é crucial para a segurança do paciente

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A troca de turnos é um dos pontos focais para a garantia da segurança dos pacientes. Falhas no compartilhamento de informações clinicamente relevantes podem levar a eventos adversos como dificuldades no diagnóstico, atrasos no início e continuidade dos tratamentos, omissão de cuidados e desfechos indesejados.

O artigo 41 do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (1) reforça como responsabilidade e dever do profissional “prestar informações, escritas e verbais, completas e fidedignas necessárias para assegurar a continuidade da assistência”.

Segundo estudo realizado na Austrália (2) que analisou mais de 14 mil internações, em 11% dos eventos adversos estudados havia problemas de comunicação, o que enfatiza que essa área deve receber esforços para melhorias contínuas que reflitam em maior segurança.

Quando não recebe a atenção devida, a comunicação – ou, melhor dizendo, a comunicação falha – cria uma lacuna onde dados podem ser perdidos. E o time de enfermagem tem papel indispensável na construção de um sistema eficiente. Acompanhando os pacientes 24 horas por dia, esses profissionais também atuam como uma ponte entre todos os profissionais de saúde que estão relacionados àquele atendimento.

Quando os erros acontecem?

Em busca das melhores estratégias para a garantia de uma comunicação eficiente na troca de turnos na enfermagem hospitalar, uma revisão sistemática (3) buscou identificar quais modelos de transferência de turnos estão associados a melhores resultados tanto para pacientes quanto para as equipes em atuação nos hospitais. Porém, ao se deparar com a falta de evidências disponíveis para suportar conclusões, o estudo afirma que o cenário segue incerto, visto que não é possível apontar qual a prática mais eficaz.

Por mais que a literatura não consiga dizer, com firmeza, quais os modelos mais eficientes para a transição de profissionais dentro do ambiente hospitalar, muitos estudos publicados ao longo da década trazem exemplos de onde as falhas podem surgir.

Objetivando identificar fatores que relacionam erros de comunicação à eventos adversos e interferências diretas na segurança dos pacientes, um estudo quantitativo publicado por profissionais de Santa Catarina e de São Paulo realizou, entre abril e maio de 2012, uma pesquisa com 70 profissionais da equipe de enfermagem de três Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (4).

Como resultado, o estudo relata que os fatores que podem comprometer a segurança do paciente durante a mudança de turno são: atrasos, saídas antecipadas e conversas paralelas.

Ao longo do período pesquisado, 60% das passagens de plantão foram feitas no formato verbal, sendo que a maioria (70%) ocorreu à beira-leito do paciente. Nesse contexto, metade dos enfermeiros e outros profissionais que participaram da pesquisa afirmou que essa troca de informações costuma levar entre 11 e 20 minutos e 38,6% disseram que o processo leva entre 6 e 10 minutos.

Ao apontar comportamentos e atitudes que podem interferir negativamente na troca de turno, os enfermeiros destacaram a existência de atrasos (34,8%) e conversas paralelas (31,4%). Como pontos positivos, foram citadas a oportunidade de revisar informações e histórico dos pacientes e de repetir as informações apresentadas, bem como a possibilidade de tirar dúvidas imediatamente durante a transição dos turnos.

>> Como usar o método SBAR na transição do cuidado

Atual cenário e tendências futuras

O mundo atual segue um certo padrão na hora de realizar as trocas de plantões entre os times de enfermagem dos hospitais. Assim como listado no estudo Understanding best practice within nurse intershift handover: what suits palliative care? (5), existem quatro formatos comuns para exercer essa prática:

1. Beira-leito – Quando as equipes se encontram no quarto do paciente e fazem a transferência de informações, o que promove, inclusive, a participação do próprio paciente nesse processo;

2. Verbal – Fora do quarto, o profissional de enfermagem responsável pelo grupo de pacientes apresenta todas as informações documentadas à equipe que assume o posto;

3. Não-verbal – Todas as informações são postas no prontuário dos pacientes e as equipes que assumem o plantão têm acesso a esse documento para entender o atual cenário de cada paciente;

4. Gravado – O profissional registra anotações em áudio e disponibiliza para as próximas equipes que assumirão o atendimento.

Mesmo que o processo de troca de turno envolva prioritariamente os profissionais da enfermagem, há uma tendência já anunciada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) de que esse momento deve ser multidisciplinar. Documento intitulado Communication During Patient Hand-Overs (6) afirma que falha na comunicação foi a principal causa de eventos adversos reportados nos Estados Unidos entre 1995 e 2006. E menciona que ao mesmo tempo em que a especialização dos profissionais de saúde contribui para um melhor atendimento e mais assertividade nos cuidados, leva ao envolvimento de um maior número de profissionais em cada processo, o que pode trazer complicações à comunicação dessas equipes.

Recomendações OMS – Entre as recomendações da OMS para a garantia da segurança do paciente diante das trocas de plantão estão explorar tecnologias e métodos que podem otimizar a transferência de informações como, por exemplo, investir em sistemas eletrônicos que agilizam os processos; estabelecer procedimentos para garantir a eficácia desses métodos; e possibilitar que os profissionais tirem dúvidas e façam questionamentos sobre os cuidados listados aos pacientes.

>> Bundle de enfermagem: 5 iniciativas para melhorar a experiência do paciente

Envolvimento dos pacientes e familiares

A OMS também aponta que as trocas de plantões podem ser melhoradas com o paciente estando no centro da atenção. O documento Communication During Patient Hand-Overs relata que envolver pacientes e familiares nesse processo vem sendo reconhecido como uma das ferramentas para melhorias. Para isso, lista algumas ações contributivas para esse envolvimento:

  • Fornecer, aos pacientes, informações sobre as condições clínicas de forma clara e compreensível;
  • Informar detalhes sobre os medicamentos prescritos, bem como sobre as doses e o tempo de tratamento;
  • Esclarecer ao paciente quem é o profissional responsável em cada um dos turnos;
  • Permitir que o paciente tenha acesso aos seus registros médicos;
  • Criar um ambiente propício para que pacientes e familiares tirem dúvidas com os médicos;
  • Sempre manter o paciente e seus familiares informados sobre os próximos passos a fim de que eles possam também transmitir essas informações à equipe seguinte;
  • Manter pacientes e familiares envolvidos nas decisões sobre tratamentos e cuidados.

>> Como usar o método SBAR na transição do cuidado

Referências:

(1) Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Cofen (Conselho Federal de Enfermagem)

(2) The Quality in Australian Health – Care Study

(3) Effectiveness of different nursing handover styles for ensuring continuity of information in hospitalised patients

(4) Communication and Patient Safety in the change-of-shift Nursing Report in Neonatal Intensive Care Units

(5) Understanding best practice within nurse intershift handover: what suits palliative care?

(6) Communication During Patient Hand-Overs

 

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