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“Erro é humano, não omissão nem negligência”, diz médico

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O Brasil ainda não tem a cultura da segurança do paciente intrínseca, e o grande desafio é fazer com que isso se torne parte do dia a dia laboral de todo profissional de saúde

O Dr. Rubens Trombini Garcia, pediatra e intensivista da Santa Casa e Hospital Regional de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, comenta a relevância da segurança do paciente para se buscar qualidade na assistência à saúde no Brasil.

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Dr. Rubens Trombini Garcia

IBSP – Como é o trabalho embrionário que realiza na Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso do Sul relacionado à segurança do paciente?
Rubens Trombini Garcia – Temos um núcleo na Secretaria Estadual de Saúde que está implantando as diretrizes de segurança do paciente em todo o Estado do Mato Grosso do Sul. Como médico, eu acredito que a segurança do paciente é de extrema necessidade, pois o paciente precisa de qualidade na assistência em diversos aspectos – alimentar, físico, além das medicações e questões cirúrgicas. Esses foram os principais motes que nos motivaram a buscar orientação em segurança do paciente para aplicar na nossa região.

IBSP – O que o motivou a buscar o direcionamento baseado em segurança do paciente?
Rubens Trombini Garcia – Os hospitais, em geral, notificam pouco os erros. Os profissionais de saúde estão pouco motivados, já que ainda estão confundindo notificação de evento adverso com punição. Acredito que o erro é humano, mas não pode ser omissão nem negligência. Errar e dar visibilidade ao erro, com transparência na informação ao paciente é o caminho para a melhora da assistência. O Brasil ainda não tem a cultura da segurança do paciente, e nós estamos estimulando as notificações, sem medo.

IBSP – Qual o principal desafio na saúde brasileira?
Rubens Trombini Garcia – O primeiro ponto fundamental é não banalizar um erro. Quando um paciente é extubado acidentalmente, o profissional diz que isso é comum. Não, isso não é comum e não pode acontecer. Para isso, o segredo é investir na educação, na formação de quem presta o cuidado. As escolas médicas e de enfermagem tem acesso à tecnologia, com toda a facilidade de se repassar conteúdo. E lembrar que a cultura de segurança preconiza que o paciente entra em um hospital para tratado e não sofrer eventos adversos evitáveis.

IBSP – Quais condutas acredita que são essenciais na cultura de segurança do paciente?
Rubens Trombini Garcia – A lavagem das mãos é muito simples e precisa estar intrínseca ao cuidado – é água, sabão e álcool a 70%. A luva protege, mas não exime a lavagem das mãos. Além deste e de outros diversos protocolos e diretrizes, investir em capital humano como um todo, e não apenas em tecnologia, pode mudar a qualidade da assistência à saúde no Brasil.

IBSP – Como enxerga a importância da equipe multidisciplinar trabalhar alinhada?
Rubens Trombini Garcia – Um bom diagnóstico faz parte da conduta do atendimento médico, mas um bom tratamento também. E mais do que nunca, todos, sem exceção, fazem parte do time que presta o cuidado. É o médico, o enfermeiro, a assistência social, a fonoaudióloga, o fisioterapeuta. E aí pergunto: O que adianta o fisioterapeuta ser bom se ele não lava as mãos para atender o paciente? Ele pode acabar passando uma infecção ao doente. A equipe, portanto, é fundamental. É preciso ter uma cultura de segurança do paciente.

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