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Estudo avalia como adesão e relaxamento de medidas não farmacológicas impactam controle da pandemia

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Daqui a alguns dias completaremos um ano de pandemia de COVID-19, declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 17 de março de 2020. Durante esses doze meses muitas descobertas foram feitas trazendo conhecimentos capazes de otimizar o combate à disseminação do novo coronavírus. Um estudo de modelagem publicado na The Lancet analisou a associação da introdução de intervenções não farmacológicas e o nível regional de transmissão do SARS-CoV-2.

Foram incluídos 131 países nesse estudo e as análises consideraram o período entre 1º de janeiro (pré-pandemia) e 20 de julho de 2020, sem fazer observações individuais de todos os países, mas sim computando um conglomerado e trazendo dados que representam medianas. O estudo reforça que não foi possível observar o impacto da adesão individual da população às estratégias como maior higienização das mãos e uso de máscara, enfatizando que essa mudança de comportamento também tem papel importante na redução das taxas de contaminação; e apontou que características climáticas de cada nação também não foram consideradas.

Dessa forma, as medidas analisadas envolvem fechamento de escolas e escritórios, proibição de eventos públicos, recomendações de isolamento social e restrição ao movimento interno dos cidadãos, como proibição de viagens e bloqueio de estradas. Interessante observar que tanto a introdução quanto a remoção das medidas não farmacológicas para diminuir a transmissão do novo coronavírus não apresentam efeito imediato. O estudo indica que a redução máxima de 60% ocorreu em média 8 dias após a aplicação das ações e o aumento máximo de 60% foi obtido em média 17 dias após o relaxamento das medidas.

Diante disso, foi observada uma tendência decrescente da transmissão após a implementação dessas intervenções e tendência de aumento do número de casos após o relaxamento delas, sendo que países que adotaram fases compostas por múltiplas medidas, ou seja, que reuniram o fechamento de escolas e de locais de trabalho somados à proibição de eventos públicos e reuniões com mais de dez pessoas e à imposição de limites de mobilidade, obrigando as pessoas a permanecerem em suas casas, obtiveram as maiores reduções das taxas de transmissão do novo coronavírus tanto nos primeiros sete dias quanto ao longo do mês.

Considerando que uma taxa inferior à 1 indica uma transmissão diminuída, confira abaixo como os países se comportaram com a adesão à determinadas medidas ao longo do tempo:

 

 

 

O estudo também traz a informação de que o papel das crianças na transmissão da COVID-19 segue incerto, porém fechar escolas, por si só, pode diminuir a transmissão em 15% e a reabertura aumentar em 24%. Nessa análise do ambiente escolar, o documento reforça que não foi possível avaliar a idade dos alunos tampouco como cada país lidou com os protocolos de segurança internos mediante a abertura, visto que são diversas as possibilidades de implementação de novas medidas de higiene, uso de máscaras, distanciamento mesmo em ambientes de ensino. O texto, inclusive, faz menção ao caso de Israel que teve um novo surto de COVID-19 em uma escola secundária onde os alunos não foram instruídos a utilizar máscara devido ao calor e à alta temperatura.

Paralelamente, a pesquisa destaca que somente a proibição dos eventos públicos já promove uma redução da taxa de transmissão bastante significativa – principalmente após 28 dias da implementação –, o que não surpreende os pesquisadores, visto que limitar esses encontros evita aqueles casos de superespalhamento do vírus, comumente relatados no início da pandemia. Dessa forma, considera que liberar a realização desses encontros pode aumentar a transmissão em 21%.

Referências:

(1) The temporal association of introducing and lifting non-pharmaceutical interventions with the time-varying reproduction number (R) of SARS-CoV-2: a modelling study across 131 countries

 

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