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Estudo sugere que reabilitação precoce melhora função física de pacientes idosos internados com insuficiência cardíaca

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Pacientes idosos hospitalizados por insuficiência cardíaca podem ser beneficiados pela reabilitação física precoce? Segundo artigo (1) original do The New England Journal of Medicine publicado em maio deste ano, sim.

Considerando que esses pacientes costumam apresentar altas taxas de fragilidade física, baixa qualidade de vida, recuperação lenta e reinternações frequentes, o estudo multicêntrico, randomizado e controlado buscou compreender mais a fundo as intervenções de reabilitação nessa população.

Para isso, aplicou uma intervenção progressiva, de transição e sob medida envolvendo quatro pilares de funções físicas (força, equilíbrio, mobilidade e resistência), iniciada durante a hospitalização e complementada por 36 sessões ambulatoriais, cada uma de 60 minutos, após a alta. Nos dias em que os pacientes não tinham as sessões, eram instruídos a realizar exercícios em casa como, por exemplo, caminhadas de baixa intensidade.

Os 349 pacientes com, em média, 72 anos de idade, internados por insuficiência cardíaca aguda descompensada, foram randomizados em dois grupos, sendo que o grupo de intervenção receberia as ações de reabilitação e o grupo de controle seguiria com os cuidados habituais. Importante enfatizar que 97% desses pacientes foram avaliados como frágeis e incontinência urinária, bem como histórico de quedas e depressão, eram comuns.

O desfecho primário se baseava no Short Physical Performance Battery, que traz uma pontuação de 0 a 12 sendo que quanto menos pontos, mais grave a disfunção física. O desempenho do paciente era avaliado em três componentes: teste de equilíbrio em pé, velocidade de marcha e teste de força avaliado pelo tempo necessário para levantar cinco vezes seguidas da cadeira.

O desfecho secundário avaliou a taxa de internação por qualquer motivo nos seis meses seguintes à alta e considerou como reinternação qualquer permanência no hospital por pelo menos 24 horas.

Resultados

  • A retenção no grupo de intervenção foi de 82% e os pacientes completaram, em média, 24,3 sessões de reabilitação ambulatorial
  • A adesão às sessões no grupo de intervenção foi de 67%
  • Os pacientes do grupo de intervenção normalmente progrediram para níveis funcionais mais elevados em cada um dos quatro pilares (força, equilíbrio, mobilidade e resistência) ao longo do estudo
  • Entre os pacientes que participaram de todas as sessões, a média de resistência dobrou da primeira para a última sessão
  • A pontuação média no Short Physical Performance Battery no grupo de intervenção foi de 8,3 enquanto no grupo de controle foi de 6,9
  • A taxa de reinternação por qualquer motivo nos seis meses seguintes à alta foi elevada e não sofreu alterações significativas entre os dois grupos (1,18 no que recebeu as intervenções e 1,28 no submetido a cuidados habituais)
  • Houve 21 mortes no grupo de intervenção, 15 delas por causas cardiovasculares; e 16 mortes no grupo sob cuidados habituais, 8 delas por causas cardiovasculares
  • Entre os eventos adversos notificados, dor torácica, hipertensão, tontura, hiperglicemia e hipoglicemia foram mais comuns no grupo de intervenção enquanto quedas e insuficiência cardíaca foram mais comuns no grupo de controle

Analisando

A despeito da melhora na função física dos pacientes, os autores reforçam que há algumas limitações como, por exemplo, o fato dos resultados não demonstrarem um benefício clínico mais contundente, como a diminuição de reinternações. Além disso, aponta que os pacientes sabiam a qual grupo pertenciam e a atenção dedicada do cuidador pode ter influenciado os resultados em ambos os grupos.

Contudo, segundo Lucas Zambon, diretor científico do IBSP, há alguns dados complementares interessantes, pois vão de encontro a premissa de entrega de valor em saúde (Value Based Healthcare ou VBHC). “Outros escores foram avaliados como, por exemplo, os escores de qualidade de vida (KCCQ e EQ-5D-5L), nos quais os pacientes que passaram pela intervenção obtiveram melhores pontuações, e a melhora de sintomas de depressão que foi medida pelo Geriatric Depression Scale”, comenta.

O especialista ainda comenta que temos que levar em conta que há variáveis de confusão que impactam em reinternações, como a aderência a medicamentos e o grau de disfunção cardíaca de base, portanto é difícil avaliar o resultado negativo nas reinternações sem pesar esses fatores.

Porém, de acordo com os pesquisadores, melhorar a função física e devolver a independência ao paciente são quesitos altamente valorizados. Podemos dizer, dessa forma, que um programa de reabilitação para pacientes idosos hospitalizados por insuficiência cardíaca tem potencial de trazer benefícios relevantes para os pacientes.

Referência:

(1) Physical Rehabilitation for Older Patients Hospitalized for Heart Failure

 

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