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Ética é instrumento para sustentar valores da organização e direitos dos pacientes

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Só a transparência pode proporcionar maior confiabilidade ao sistema de saúde e mais segurança ao paciente

Por Paulo Oliveira*

Quando falamos em ética na saúde é comum pensarmos nos comitês de ética médica e ética de enfermagem. Porém, percebemos que ainda estamos distantes em utilizar estes instrumentos para sustentar os valores da organização e os direitos dos pacientes, o que, sem dúvida, contribuiria para uma boa governança corporativa.

Uma política de ética institucional deve trazer o modelo de conduta que se espera da instituição no que tange à:

  • Corpo clínico
  • Corpo de enfermagem
  • Demais corpos profissionais
  • Serviços terceiros
  • Prestadores
  • Fornecedores
  • Operadoras
  • Poder público
  • PACIENTES

Devem fazer parte desta política algumas normas comerciais, condutas financeiras e regras para divulgação e marketing institucional, além de tudo mais que assegure valores e preceitos éticos que garantam o cuidado aos pacientes, possibilitando a este o direito de escolha e, principalmente, a transparência frente às decisões e cuidados prestados. Só assim é possível assegurar e proteger os direitos e os deveres de todos os envolvidos neste complexo sistema.

Descrever, implantar e gerenciar esta política, não é tarefa fácil e o suporte da alta administração deve ser total.

Inicialmente, há de se disponibilizar um canal de comunicação seguro para que estes acontecimentos possam ser relatados. Estes relatos devem ser analisados por um comitê específico composto por lideranças do governo institucional capazes de analisar, deliberar e dar retorno ao manifestante.

Mais do que isso: é fundamental que todas estas manifestações sejam capazes de transformar a realidade da instituição, ou seja, gere melhorias para os funcionários, pacientes, fornecedores, etc.

Situações de conflitos que ferem os princípios éticos estabelecidos pela organização ou ainda os seus valores, ocorrem a todo o momento dentro do ambiente hospitalar. O grande esforço da instituição num primeiro momento é fazer com que estas ocorrências apareçam. E não estamos falando somente de casos de eventos sentinelas com danos graves e ou morte. Estamos falando de transgressões, conflitos de condutas, divergências entre tratamento clínico, consentimento de condutas com paciente, assédio, problemas de cunho religioso e racial dentre tantos outros.

É importante que os programas de qualidade e segurança busquem cada vez mais explorar este trabalho, o que pode ser a grande virada da qualidade dos serviços de saúde. E quem sabe ter esta política implantada, seguida e fortemente sustentada pelas instituições como compliance.

A complexidade dos sistemas de saúde aliada ao desconhecimento e soberania de parte dos profissionais de saúde deve ser reavaliada com o propósito de melhorar o cuidado ao paciente e promover maior transparência em todas as etapas da assistência.

Vamos mudar essa realidade. Vamos fazer cumprir os valores institucionais que tanto nos orgulhamos em dizer. Vamos prezar pela transparência com nossos funcionários, fornecedores e, principalmente, nossos clientes pacientes.

Isso trará maior confiabilidade e segurança aos nossos serviços.

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