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Experiência de parto na era COVID-19 – Altas taxas de hipertensão, ansiedade e depressão

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Apesar das evidências ainda baixas, gestantes foram enquadradas no grupo de risco para COVID-19 e tiveram suas rotinas de pré-natal totalmente afetadas pela crise, visto que muitas das assistências passaram a ser remotas, feitas por telemedicina. Além disso, o medo da infecção pelo novo coronavírus tornou a hora do parto um novo momento de estresse, já que por algum tempo essas mulheres sentiram um risco de não terem acompanhante nessa hora tão importante, e com medo de contrair a doença ou de que seus bebês fossem contaminados.

Em janeiro deste ano, um artigo (1) publicado por especialistas norte-americanos, descreveu experiências de mulheres que deram à luz durante os dez primeiros meses da pandemia de COVID-19. O recrutamento dessas mulheres – que tinham entre 18 e 43 anos – ocorreu prioritariamente pelas redes sociais. Para fins de análise, é importante saber que essas mulheres eram predominantemente brancas, não-hispânicas, casadas, estavam empregadas e tinham casa própria. Essas características permitem traçar uma perspectiva socioeconômica das participantes.

Foram entrevistadas, ao todo, 885 mulheres e os números compartilhados pela publicação referentes tanto à saúde geral e mental dessas gestantes quanto à qualidade da assistência são muito relevantes.

Observações
Saúde geral

Os dados obtidos, cujas taxas se mostram mais elevadas do que as da literatura prévia, podem indicar que as mulheres que engravidaram e deram à luz durante a pandemia estão mais propensas a ter sintomas físicos de estresse.

  • 22,5% relataram hipertensão, sendo que estudos anteriores mostravam taxa de hipertensão na gravidez inferior a 10%
  • 33,8% relataram ansiedade, taxa maior do que estudos anteriores que relatavam ansiedade em 20% das gestantes
  • 18,6% relataram depressão, valor elevado, já que a taxa normalmente debatida é de 12,7%
  • 8,8% relataram diabetes
  • 8,1% relataram pré-eclâmpsia

Qualidade da Assistência

A maioria (70,7%) das mulheres que participaram do estudo tiveram parto normal e os dados quanto à assistência recebida mostram que apesar das autoridades enfatizarem que as maternidades eram seguras mesmo durante a COVID-19, muitas mulheres foram impactadas.

  • 97,5% tinham um acompanhante na hora do parto, porém é preciso lembrar que em situações pré-pandêmicas essas mulheres podiam contar com mais acompanhantes como, por exemplo, doulas, amigos e membros da família
  • 61% relataram suporte inadequado para o parto
  • 20,5% relataram que não se sentiam seguras ao dar à luz no hospital e 12,6% disseram que se sentiriam mais seguras fora do hospital, mesmo quando essa não era a ideia inicial para o nascimento
  • 82,6% das entrevistadas puderam ficar com seus bebês após o nascimento
  • 84,4% puderam manter o contato pele a pele
  • 89,9% iniciaram a amamentação, sendo que 74,6% receberam apoio para amamentar na primeira hora de vida do bebê e 74,3% continuaram a amamentar após seis semanas

Gestantes com COVID-19

Apenas 1,13% das entrevistadas apresentaram teste positivo para COVID-19, porém o restante declarou que ou teve teste negativo ou não chegou a fazer o teste durante a gravidez, no parto ou no pós-parto. O estudo sugere, também:

  • Mulheres com COVID-19 eram menos propensas a relatar presença de parceiro durante o parto, atendendo a recomendações de isolamento e proibição de visitas
  • Gestantes infectadas tendiam a amamentar por menos de seis semanas
  • Mesmo comprovadamente com COVID-19, essas mulheres foram encorajadas a segurar seus bebês após o parto e permaneceram com eles durante a internação

Por fim, o estudo mostra que a situação pandêmica que assola o globo pode impactar a saúde mental e física das gestantes, mesmo quando elas não estão infectadas pelo novo coronavírus.

Dia Mundial da Segurança do Paciente – Cuidado Materno e Neonatal Seguros

O Dia Mundial da Segurança do Paciente é comemorado em 17 de setembro e, para 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que o tema a ser trabalhado é “Cuidado materno e neonatal seguros”.

Dentro dessa vertente, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) lançou a Aliança para o Parto Seguro e Respeitoso, uma união de mais de 30 entidades – entre elas o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP) – na busca pela redução da mortalidade materna e neonatal e pela garantia dos direitos básicos para o parto e o nascimento seguros no nosso país.

Contribuindo com a disseminação de conhecimento técnico-científico sobre diretrizes, protocolos e boas práticas que garantem a segurança tanto da mãe quanto do bebê ao nascer, o IBSP publicará durante todo o mês de setembro, matérias relativas a essa temática. Para acessar todos os conteúdos já publicados, clique AQUI.

Referências:

(1) Experiences of Women Who Gave Birth in US Hospitals During the COVID-19 Pandemic

 

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