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Higiene das mãos: experiência da Santa Casa de Misericórdia de Passos é inspiração no Brasil

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A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da instituição de saúde mineira implementou estratégias para melhoria da higienização das mãos

A higienização das mãos é um tema prioritário na segurança do cuidado do paciente em serviços de saúde. É citada como exemplo na “Aliança Mundial para Segurança do Paciente”, lançada em 2004 pela OMS – Organização Mundial de Saúde. “A higienização das mãos é a medida mais importante na prevenção e no controle das infecções nos serviços de saúde, porém, a adesão ainda continua um desafio”, comenta a enfermeira Vanildes Fernandes, coordenadora SCIH – Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Passos, em Minas Gerais.

IBSP – O que fizeram para melhorar a higiene das mãos?
Vanildes Fernandes – É importante contarmos a experiência de implementação das estratégias para melhoria da higienização das mãos, desenvolvidas na Santa Casa de Misericórdia de Passos, Hospital Filantrópico de Minas Gerais.

Em janeiro de 2016, começamos a realizar feedback aos setores assistenciais do consumo de álcool em gel para higiene de mãos. Verificamos que a média de consumo estava bem abaixo do que recomendado pela OMS para garantir a segurança do paciente, que é no mínimo 20 ml/paciente dia.

Em maio de 2016, em comemoração ao Dia Mundial de Higienização das Mãos (5 de maio) e em cumprimento às práticas operacionais obrigatórias recomendadas para certificação internacional canadense, realizamos uma semana de Higiene de Mãos.

A semana de Higienização das mãos foi amplamente divulgada em toda a instituição, com o objetivo de atingir todos os profissionais, independentemente da área de atuação, e também os pacientes, acompanhantes e visitantes.

IBSP – Quais atividades foram realizadas nesta semana de higiene das mãos?
Vanildes Fernandes – Foram realizadas várias atividades, como:

  • Enfeite dos dispensadores de álcool em gel e sabão com mãozinhas coloridas;
  • Inserção em vários pontos do hospital de cartaz em formato de uma mão com os cinco momentos de higienização das mãos;
  • Aparição pelos setores do hospital de um boneco em formato de álcool em gel e pessoas vestidas de bactérias que sujavam as mãos das pessoas por onde passava a comitiva com o objetivo de fazer a pessoa lavar as mãos;
  • Adesivo com as bactérias mais prevalentes para distribuição aos funcionários;
  • Caixinha de perguntas sobre higienização das mãos, na qual as pessoas eram convidadas a escolher uma pergunta na caixa, quando mergulhavam a mão na caixa sujavam as mãos com gliter, também com o objetivo de lavar as mãos;
  • Distribuição de tags de álcool em gel de bolso, incentivando o uso de álcool em gel;
  • Coral para cantar nos setores uma música sobre higienização das mãos;
  • Reuniões com família e acompanhantes sobre prevenção de infecção hospitalar.

IBSP – Quais os resultados alcançados?
Vanildes Fernandes – Mensalmente, são repassados os resultados do consumo de álcool em gel para os setores. O setor que mais consumia era premiado e ganhava o troféu de 1º lugar em higienização das mãos. Esta medida gerou uma competição entre os setores, fazendo com que os profissionais incentivassem visitas e pacientes, cobrando os demais colaboradores a higienizar as mãos antes de cuidar do paciente.

Foi criado um time de higiene de mãos, que recebeu treinamento, e eram responsáveis em incentivar, motivar e cobrar a higienização das mãos nos cinco momentos conforme recomendação da OMS.

IBSP – Houve impacto na redução da infecção hospitalar?
Vanildes Fernandes – Como resultado verificamos uma diminuição considerável na taxa de infecção hospitalar geral de 1,75% para 1,32% (redução de 25%), redução de infecção hospitalar na UTI Adulto de 17,79% para 5,71%, diminuição da densidade de infecção de corrente sanguínea de 3,21% para 1,75%, diminuição da densidade de pneumonia associada à ventilação mecânica de 13,7% para 6,3, redução de custos com antibióticos de 47% relacionado a 2015, além de indicadores indiretos como: redução do tempo de permanência, redução considerável de precauções de isolamentos e eliminação de microrganismos multirresistentes como Acinetobacter e KPC.

Ou seja, reduziu consideravelmente a taxa de infecção hospitalar. E quanto mais reduzia as infecções hospitalares, mais as pessoas acreditavam e defendiam a importância da higienização das mãos.

IBSP – Qual a continuidade da ação?
Vanildes Fernandes – Hoje, o tema higiene de mãos é amplamente difundido na instituição, inclusive discutido em reunião para análise e gerenciamento de custos (RGE), reuniões dos setores, em visita multidisciplinar diária, com pacientes e visitante, relatada em evolução de enfermagem. Tornou-se parte da rotina dos profissionais.

O sucesso das ações depende da união de todos. Este sucesso é resultado do comprometimento principalmente da liderança, que abraçou a ideia. A segurança do paciente faz parte da estratégia do hospital e é defendida pela diretoria, fato este que apoiou o Serviço de Controle de Infecção na busca de melhorias contínuas.

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