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Higiene oral inadequada pode favorecer infecções bacterianas que geram complicações em pacientes com COVID-19?

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Ainda há muita falta de clareza sobre os pontos que desencadeiam complicações e levam pacientes infectados pelo novo coronavírus a desenvolver a forma grave da COVID-19. Mesmo que comorbidades tenham sido apontadas como potenciais fatores de risco, existe uma leva de pacientes previamente saudáveis que chegam ao óbito.

Diante desse cenário, a comunidade científica internacional segue batalhando para compreender quais critérios podem ser observados a fim de preservar a vida e melhorar a segurança dos pacientes. Desenvolvido em Londres, na Inglaterra, artigo (1) investiga se as bactérias contribuem para o agravamento dos quadros de COVID-19 e se há alguma ligação entre a microbiota oral e essas complicações.

Segundo a publicação, as principais complicações observadas nos acometidos pelo novo coronavírus são coágulos sanguíneos, pneumonia, sepse, choque séptico e síndrome do desconforto respiratório agudo. Há, também, uma possível superprodução de citocinas pró-inflamatórias desencadeada por uma reação imunológica desregulada que pode expor os pacientes a um risco aumentado de hiperpermeabilidade vascular e falência múltipla dos órgãos, principalmente do coração e dos rins. Conforme apontado no texto, é normal que infecções respiratórias virais facilitem o desenvolvimento de infecções bacterianas aumentando a gravidade da doença.

No contexto pandêmico, estudos reforçam a tese de que infecções pelo coronavírus podem aumentar a aderência estreptocócica às células epiteliais do trato respiratório. Esse cenário pode levar a complicações como pneumonia e danos inflamatórios nos pulmões. O estudo traz, inclusive, uma citação sobre um comparativo entre pacientes acometidos pela infecção leve e moderada de COVID-19. Naqueles mais graves, a contagem de neutrófilos era notavelmente mais alta e a contagem de linfócitos significativamente mais baixa do que nos que vivenciaram a forma leve da doença. Importante lembrar que o aumento exacerbado de neutrófilos é incomum nas infecções virais, e bastante comuns nas bacterianas.

Paralelamente, o texto reforça que níveis anormalmente baixos de linfócitos, que são a principal linha de defesa contra infecções virais, indicam exaustão funcional das células. Assim, em casos graves da doença, uma superinfecção bacteriana substituiria a infecção viral original. Essa teoria é reforçada pela observação de que 50% dos pacientes com COVID-19 grave morreram com uma infecção bacteriana secundária.

A migração entre a cavidade oral e os pulmões é constante, permitindo uma distribuição microbiótica saudável, o estudo reforça que a infecção respiratória inferior é iniciada pela contaminação do epitélio das vias aéreas inferiores pela inalação de microorganismos através de gotículas aerossolizadas ou por aspiração de secreções associadas à doença oral como, por exemplo, a periodontite e a cárie, duas doenças comuns associadas ao desequilíbrio das bactérias da boca.

Devido a esse cenário, sugere que a higiene oral inadequada pode aumentar o risco de deslocamento de bactérias da boca para os pulmões, aumentando o risco de infecções respiratórias e de complicações bacterianas e pós-virais.

Para balizar essa linha de pensamento, o documento traz dados de um estudo de coorte que acompanhou mais de 49 mil pacientes com periodontite crônica ao longo de 11 anos, mostrando que as incidências totais de pneumonia diminuíram significativamente com o passar do tempo no grupo que recebeu terapia periodontal. Assim, indica que reduzir ou erradicar a doença periodontal diminui consideravelmente o risco de pneumonia.

Quando se analisa a COVID-19, essa associação torna-se ainda mais relevante. Comorbidades apontadas como fatores de risco para a infecção pelo novo coronavírus como, por exemplo, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares estão associadas à progressão da doença periodontal. Além disso, pacientes que sofrem com patologias bucais também têm risco aumentado para essas doenças.

Assim, um ensaio clínico randomizado realizado no Japão investigou se melhorar a higiene oral reduz a incidência de pneumonia. No grupo que recebeu cuidados bucais após cada refeição, 11% desenvolveram pneumonia. No grupo que não recebeu, a porcentagem foi de 19%. Além disso, a taxa de mortalidade pós-pneumonia entre aqueles que não receberam os cuidados orais foi quase o dobro do outro grupo.

Como conclusão, os pesquisadores sugerem que mais pesquisas precisam ser realizadas para compreensão da conexão entre a microbiota oral e complicações da COVID-19, porém enquanto a ciência avança, é importante reforçar a higiene oral daqueles pacientes acometidos pelo SARS-CoV-2 a fim de reduzir a carga bacteriana na boca, que podem causar pneumonia e outras complicações.

Referências:

(1) Could there be a link between oral hygiene and the severity of SARS-CoV-2 infections?

 

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