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Intervenção dos farmacêuticos na prescrição medicamentosa pode aumentar segurança do paciente no ambiente hospitalar

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A preocupação global com a alta incidência de erros em medicação levou a Organização Mundial da Saúde a promover a campanha “Medication without harm”. O objetivo era reduzir pela metade os danos graves e evitáveis relacionados a medicamentos em cinco anos. Para isso, o foco estava em promover sistemas de saúde mais seguros e eficientes, envolvendo todas as etapas do processo de medicação, ou seja, da prescrição ao monitoramento e utilização.

Dentro dessa linha de raciocínio, um estudo (1) conduzido na China e publicado em dezembro de 2021 avaliou o impacto da implementação de um sistema de intervenção em prescrições em hospitais liderado por farmacêuticos. As intervenções farmacêuticas incluíram a correção de erros de prescrição relacionados à prescrição inadequada de item, indicações erradas de medicamentos, combinações inadequadas de medicamentos ou combinações com medicamentos fitoterápicos ou suplementos alimentares, prescrição excessiva de medicamentos e erros relacionados à dose, frequência e duração do tratamento.

O resultado foi bastante positivo: o uso irracional de medicamentos foi reduzido, e a taxa de erros de prescrição caiu de 6,94% para 1,96%, gerando uma redução global de 71,76% nos erros. A saber, a taxa de erros de prescrição foi calculada dividindo o total de erros pelo número total de itens prescritos a cada mês.

Como o projeto foi esquematizado? Com prescrição eletrônica e comunicação integrada, o sistema permitia que os farmacêuticos fizessem a revisão e intervenções imediatamente após a finalização da prescrição por parte dos médicos. As sugestões sempre se baseavam em evidências científicas disponíveis (entre as ferramentas utilizadas estavam o Micromedex, o Uptodate e pesquisas no Pubmed) e as mudanças eram feitas em comum acordo com os profissionais médicos.

Dentro do processo dos farmacêuticos, suas atividades incluíam:

  • Informar sobre as falhas identificadas;
  • Solicitar informações sobre a prescrição;
  • Discutir intervenção junto com o prescritor;
  • Alterar medicamento, fórmula, dosagem ou forma de uso;
  • Pausar ou interromper um medicamento.

Um ponto importante a ser destacado é que o farmacêutico que estava à frente do sistema de intervenção não tinha soberania total para fazer alterações nas prescrições. Portanto, houve intervenções que foram aceitas e totalmente implementadas, mas também houve intervenções parcialmente aceitas e outras não aceitas. Por fim, em 75,23% dos casos o problema identificado na prescrição foi resolvido, em 11,01% foi parcialmente resolvido e em 13,76% ele não foi solucionado, mostrando que ainda há margem para aprimorar um processo como este, que pode servir como benchmarking para muitos serviços que ainda buscam amadurecer seus processos de farmácia clínica.

Referências:

(1) Pharmacist-led, prescription intervention system-assisted feedback to reduce prescribing errors: A retrospective study

 

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